
Na semana passada, enquanto partilhava o meu artigo anterior nas redes sociais, coloquei-lhe a legenda: "A vida é, em poucas palavras, ironia e mistério". Mas enquanto escrevia, varias vezes troquei "mistério" com "miséria". Embora não tenha sido intencional, há uma verdade irónica neste deslize - a vida oscila frequentemente entre os dois, dependendo da nossa atitude..
A maioria das pessoas é infeliz porque não consegue encontrar alegria em viver. Nem aqueles que normalmente o logram, mesmo eses acabam na miséria de vez em quando. Uma existência sem humor, creio eu, conduz diretamente à miséria - se não mesmo aos abismos da amargura. Aqui estão algumas formas de sacudirmos a miséria das nossas vidas e podemos deixar entrar um pouco de mistério.
Deixar de tentar controlar tudo
Eu costumava ser um maníaco com o controlo. Embora os meus amigos me tenham dado uma alcunha mais humilhante, a minha obsessão por microgerir todos os aspectos da minha vida era bem conhecida.
O controlo não é inerentemente mau - desde que seja direcionado para aquilo que podemos influenciar. Porquê desperdiçar energia com o que está fora do nosso controlo? Em vez disso, concentre-se naquilo que podemos moldar e deixemos que o resto se desenrole naturalmente. E quando a vida nos atirar algo desagradável, reajemos com calma. Aceite-mo-lo, sorria-se e veja-o desvanecer-se.
Cumprir um horário – com rigord moderdo
Algumas pessoas vêem os planos como uma prisão, mas qual é a alternativa? Ir com o vento pode parecer libertador, mas muitas vezes leva à falta de objectivos. Umpano não é restritivo - é um guia que dá estrutura ao dia, deixando espaço para a espontaneidade.
O equilíbrio entre planeamento e flexibilidade é fundamental. Um horário prepara-nos para o dia, mas não prevê todas as voltas e reviravoltas. Abracemos o desconhecido como parte da viagem.
Deixar de se preocupar com as opiniões dos outros
Isto é complicado. Muitos dos que se dizem "livres-pensadores" estão secretamente obcecados em provar a sua independência aos outros. Mas porquê procurar a validação da multidão da qual se está a tentar destacar?
A verdade é que as opiniões dos outros pouco significam se estivermos a viver autenticamente. É bom gostar de se destacar, mas deixemos que essa satisfação venha de dentro, não de um reconhecimento externo. Tenhamos confiança na nossa individualidade, mesmo que ninguém repare.
Deixar o passado para trás
Tenho tido a sorte de não me roer com arrependimentos. De facto, posso contar os meus remorsos com uma mão. Mas se a nossa mente está cheia de "e se", pensmose nisto: cada caminho não seguido permanece um mistéri, sendo irrelevante porque nunca saberemos verdadeiramente o que poderia ter sido.
O passado não pode ser mudado, e ficar obcecado com ele só consome a nossa energia. Aprendamos com os nossos erros e sigamos em frente. A beleza da vida está no futuro desconhecido, não no passado imutável.
Não viver no futuro
Embora ter algo pelo qual aguardar seja motivador, não nos deve distrair de melhorar o nossos presente. Demasiadas vezes, as pessoas suportam rotinas miseráveis pela promessa de umas férias ou de outra recompensa futura. Mas adiar a alegria para "mais tarde" leva à mediocridade e à insatisfação.
Enfrentemos as razões da nossa infelicidade atual. A vida não se resume a executar tafefas ou ansiar por aquela escapadela. Trata-se , sim, de criar satisfação no aqui e agora.
Aceitar que nem sempre se tem razão
É ótimo ter razão, mas é impossível ter sempre todas as respostas. Aceitar o fracasso e estar aberto à aprendizagem são essenciais para o crescimento.
Todos nós conhecemos pessoas que não conseguem admitir que estão erradas. Elas esgotam-se a si próprias e aos outros agarrando-se ao seu ego. Não sejamos essa pessoa. Não há vergonha em estar numa linha de aprendizagem - é aí que o progresso acontece.
Partilhar o centro das atenções
Admitemos: ser o centro das atenções sabe bem. Não há nada de errado em gostar das luzes da ribalta, desde que não tenha problemas em sair delas quando for a vez de outra pessoa.
A dinâmica social assemelha-se muitas vezes a uma selva, onde a força determina a hierarquia. Atualmente, essa força é menos física e mais energética. Reservemos algum tempo para observar a dinâmica do grupo. Deixemos que o mistério da interação humana se revele antes de se afirmar. A verdadeira confiança vem de saber quando liderar e quando seguir.
Um pensamento final e espirituoso
A maior ironia da vida é que, muitas vezes, criamos a nossa própria miséria ao resistirmos aos seus mistérios. Abraçar o desconhecido não significa abandonar a estrutura ou a direção - significa encontrar o equilíbrio. Controlemos o que podemos, deixemos de lado o que não pode e riemo-nos do resto. Ao deixar entrar o mistério, deixaremos a miséria para trás.