
Daqui a uma semana, todos nós, brasileiros, iremos às urnas votar para escolher presidente da República, governadores de estado, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Ainda que a desconfiança continue pairando no ar, o voto precisa ser dado pelos meios que a Justiça Eleitoral nos obriga a usar — continuaremos sem conseguir aferir se o que digitamos na urna se materializou de acordo com nossas escolhas e sem a possibilidade de ter o escrutínio público dos votos, que seria a contagem dos votos impressos depositados em urnas lacradas depois que conferimos se correspondiam ao que digitamos. Mas este é assunto para outro artigo.
A eleição para senadores, deputados federais e deputados estaduais se encerra já no primeiro turno — ainda permanecendo a excrescência dos votos proporcionais para deputados federais e estaduais, que, invariavelmente, levam para a Câmara dos Deputados e Assembleias Estaduais um esmagador contingente de políticos que não seriam eleitos com seus próprios votos. Exemplo disso é que, na eleição de 2022, dos 513 deputados eleitos, apenas 26 se elegeram com seus próprios votos. O resto entrou “pela brecha”. Já os senadores são eleitos pelos votos que receberam. Quem recebe mais votos entra, não tem brecha.
Nesta eleição, o eleitor deverá escolher 2 senadores na hora de votar, podendo renovar 54 cadeiras no Senado se forem eleitos apenas nomes que não exercem mandato. Como é provável que alguns se reelejam, não podemos contar com a palavra “renovação” de maneira literal. Por outro lado, podemos escolher votar em nomes, tanto os que já estão lá quanto os novos, que correspondam às nossas expectativas como cidadãos e que tenham compromissos assumidos com pautas que são caras a todos que querem ver o Brasil mudar.
O único Poder da República que pode interferir — e até agora não o fez — nos desmandos do STF é o Senado Federal. Mas, se a direita não conseguir obter a maioria nesta eleição, Davi Alcolumbre, aquele que chama Daniel Vorcaro de “meu amor”, poderá ser reeleito e ficar mais 2 anos sentado em cima dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo. Além disso, mudanças fundamentais no Regimento Interno do Senado não serão feitas, mantendo nas mãos do presidente da Mesa Diretora a prerrogativa exclusiva de escolher o que é votado ou não, se abre CPI ou não, mesmo que 80 dos 81 senadores queiram o contrário do que ele decide.
Desde 1998, ou seja, há 28 anos, não vivemos eleições presidenciais que possam ser definidas no primeiro turno. O último presidente eleito em primeiro turno foi Fernando Henrique Cardoso, e pela segunda vez consecutiva.
Depois disso, todas as eleições foram para o segundo turno. Em 2002, Lula venceu José Serra com 61,27% dos votos. Em 2006, a vítima de Lula foi Alckmin, que perdeu por 60,83%. Em 2010, quem ganhou de Serra foi Dilma, com 56% dos votos. Já em 2014, a coisa foi apertada, mas Dilma ganhou em cima de Aécio com 51,64% dos votos. Em 2018, Bolsonaro levou com 55,13% sobre Haddad. E, em 2022, Lula levou a melhor sobre Bolsonaro com 50,90% dos votos — e, nesse caso, se houvesse a possibilidade de conferir votos impressos, sabe-se lá se o resultado seria esse.
O cenário que se apresenta em 2026 é diferente e pode ter um resultado diferente. Um Lula desgastado, num terceiro mandato também cheio de casos de corrupção que envolvem seu irmão, seu filho, ministros do STF, diretor da Polícia Federal, procurador-geral da República, presidente do Banco Central; dívida pública nas alturas; inflação e gastos públicos fora de controle; roubo de aposentados; criminalidade totalmente sem controle; desgaste interno e externo; propostas velhas e incompatíveis com a realidade; e uma imagem caquética, recheada de falas e comportamentos que mostram que a senilidade já bateu ali. Lula é um “Joe Biden” sem educação e sem a elegância que o americano preservou.
Se a eleição não for decidida no primeiro turno, serão mais 21 dias de agonia e espaço para todo tipo de manobra nada republicana que essa gente é capaz de fazer para tirar Flávio Bolsonaro do jogo, incluindo aí boatos que circulam em Brasília e que dizem haver manobras para derrubar Kassio Nunes Marques do TSE e até André Mendonça, para que entrassem seus substitutos imediatos que, creiam, seriam Gilmar Mendes e Flávio Dino. Considerando que o terceiro membro atual do STF no TSE é Dias Toffoli, dá para imaginar o que poderia acontecer caso esse plano dê certo.
No fim das contas, os ataques de Gilmar Mendes e sua banda podre a Kassio e Mendonça no STF têm muito pouco a ver com Banco Master, mas, principalmente, com desmoralizar os dois para tirá-los do TSE, ou pelo menos tirar um deles, para que Gilmar assuma seu lugar.
No curto horizonte que temos, a primeira pior hipótese é a direita não fazer a maioria no Senado. A segunda é Lula ser reeleito, seja no primeiro ou no segundo turno.
A longo prazo, não digo que esta combinação negativa pode transformar o Brasil em uma Venezuela. É pior. Pode transformar o Brasil em uma Nicarágua. Nosso país será o pária nas Américas e no mundo. Veremos os países vizinhos combatendo o narcotráfico e o Brasil acolhendo os narcotraficantes que conseguirem fugir vindos da vizinhança. Veremos o aprofundamento cada vez maior das relações com China, Rússia, Irã e Coreia do Norte. Nem Venezuela e Cuba haverá mais para se associar.
A única coisa que não veremos pelas próximas décadas é o Brasil trilhar o caminho do desenvolvimento, da segurança pública e jurídica, da educação, da saúde, da geração de empregos e da paz social. A saída estará, cada vez mais, nos portos e aeroportos — para quem puder. Quem não puder...
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