
A indicação de Gilmar Mendes para o STF não foi feita por Lula. Mas ele foi indicado pelo mesmo personagem que fez tudo para que Lula fosse presidente. O nome é Fernando Henrique Cardoso.
Porém, Gilmar e Lula não foram parceiros de primeira hora. Gilmar atuou contra Lula no Mensalão e principalmente no Petrolão, que originou a Lava Jato, cunhando frases como, por exemplo, "o PT instalou uma cleptocracia no Brasil". Só que a Lava Jato chegou ao PSDB de Fernando Henrique Cardoso, e a conta da indicação chegou. Para salvar o PSDB de seu também "muito amigo" Aécio Neves, que apareceu recebendo propinas, era preciso salvar Lula. Foi quando o inimigo da cleptocracia resolveu descobrir que o seu inimigo era outro, o então juiz Sérgio Moro.
Gilmar Mendes passou a comandar a ofensiva contra a Lava Jato, que culminou na anulação da maior operação contra a corrupção e o crime organizado de colarinho branco, na suspeição de Sérgio Moro e na consequente libertação de Lula e de todos os acusados e condenados, sem que nenhum deles fosse declarado inocente pelos crimes que cometeram.
De lá para cá, passaram pela presidência do STF os ministros Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luis Roberto Barroso, Luiz Fux e agora Edson Fachin. Mas quem sempre mandou na corte foi Gilmar. O único que ameaçou se interpor a ele foi Barroso, mas não durou nada. Outro que fez frente ao "poderoso chefão de toga" foi Joaquim Barbosa, que, até hoje, não explicou convincentemente o porquê de ter saído do STF logo após o Mensalão. De resto, todo mundo obedecia, por interesse ou temor — sabe-se lá de quê.
Enquanto presidente da República, adivinhe quem Michel Temer teve como principal aliado: claro, Gilmar Mendes. E foi neste momento que o fim da Lava Jato ganhou seu maior impulso, já que Temer era um dos mais implicados no escândalo. Veio então a estranha e inoportuna morte do ministro Teori Zavascki, a designação do processo para relatoria de Edson Fachin e a — essa sim oportuna para eles — indicação de Alexandre de Moraes para o STF, que naquele momento era o ministro da Justiça do governo Temer.
Que se saiba, Lula não era amigo de Alexandre de Moraes. Entre eles, valeu o ditado que diz que "o inimigo do meu inimigo é meu amigo": Jair Bolsonaro. E por que Bolsonaro era um alvo a ser batido tanto por Moraes quanto por Lula? A resposta está no subtítulo deste artigo. Lula comanda a corrupção, Gilmar a proteção que beneficia a todos. Quem acha que Moraes ganhou espaço se engana. Ele ganhou protagonismo, aliviando a péssima imagem que Gilmar Mendes já tinha adquirido. E Moraes não foi o único. Toffoli, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Barroso e o próprio Fachin assumiram protagonismo em decisões que interessavam diretamente a Gilmar e Lula.
A verdade é que, desde 2003, isoladamente ou em parceria, estes dois personagens destruíram por dentro as instituições da república. Subverteram as leis, a ordem, compraram ou chantagearam apoio, cooptaram, ameaçaram, e todas foram aparelhadas, submetidas e orientadas para agir em prol dos interesses de ambos e de seus grupos.
Ao contrário do que possa parecer, André Mendonça não está abrindo a Caixa de Pandora. Ela está se abrindo sozinha. A quantidade de coisas que tem dentro dela já não permite mais que a tampa seja fechada. Está tudo saindo "pelo ladrão" — não resisti ao trocadilho.
O que estamos assistindo agora não são necessariamente descobertas, e sim a exposição de quem se sentiu tão seguro e confortável para cometer crimes que parou de se preocupar com o que poderia acontecer. Os criminosos passaram a ser negligentes, despreocupados, ignorando que o povo brasileiro já não é mais a massa de ignorantes e despolitizados de outrora.
A internet foi libertadora para o povo brasileiro, e essa é a grande aversão dessa gente contra ela. Os grandes veículos de comunicação, que sempre foram muito bem remunerados para agirem como relações públicas dessa gente, não têm mais a confiança do povo, sendo incapazes de continuar vendendo versões dos fatos extremamente contrárias à realidade. Tanto que ficou impossível para eles esconder a verdade diante de tantas revelações e evidências, mesmo que estejam fazendo isso em busca de sobrevivência.
Essa mídia já caiu perante a população. Quem precisa cair agora são os bandidos e seus protetores — tão bandidos quanto. E a hora é agora. O povo brasileiro precisa terminar de acordar, tirar as remelas dos olhos, passar uma água fria no rosto, olhar para o espelho e se ver na condição de cidadão e pagador de impostos que, durante décadas, financiou a quadrilha que o rouba.
Alexandre de Morais precisa sair do STF. Mas, com ele, têm que sair Gilmar Mendes e Lula. Enquanto estes dois estiverem no comando de qualquer instituição, o Brasil continuará sendo um país de bandidos corruptos e bandidos de toga defensores de bandidos e corruptos.
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