
A última pesquisa da Quaest coloca Lula com 39% no primeiro turno e Flávio Bolsonaro com 30%. Num eventual segundo turno, Lula aparece com 44% e Flávio com 39%.
Mas os números mais importantes da pesquisa são:
55% dos brasileiros dizem que Lula não merece mais quatro anos como presidente. Outros 55% consideram que o país está indo na direção errada.
Lula lidera a intenção de voto, mas a continuidade de seu governo não representa o desejo da maioria.
A explicação está, em parte, na solidez de seu eleitorado. Entre aqueles que hoje dizem votar em Lula, 77% consideram a escolha definitiva. Entre os eleitores de Flávio, são 68%.
Lula mesmo tendo um piso eleitoral forte, está muito vulnerável.
No segundo turno, a diferença entre Lula e Flávio caiu de oito pontos em julho para cinco em agosto: 45% a 37% antes, 44% a 39% agora. As oscilações estão próximas da margem de erro e precisam ser confirmadas nas próximas pesquisas, mas o cenário está longe de estar resolvido.
Principalmente porque existem grupos decisivos praticamente em disputa aberta.
Entre os homens, Lula e Flávio aparecem empatados em 44%. Na renda entre dois e cinco salários-mínimos, também: 42% para cada um. No Sudeste, Lula tem 39% e Flávio, 38%. Entre os independentes, 33% a 29%.
Há ainda 17% dos entrevistados que, no cenário de segundo turno, não escolhem nenhum dos dois: são indecisos, votos brancos e nulos ou pessoas que dizem não pretender votar. A distância entre Lula e Flávio é de apenas cinco pontos.
Portanto, a disputa depende de convencer quem ainda não decidiu participar dessa escolha.
E é aí que a campanha de oposição precisa mudar de chave. O eleitor que já rejeita Lula não precisa ouvir todos os dias que Lula é ruim. Ele já sabe por que não quer o atual governo.
Quem ainda precisa ser conquistado quer saber o que vem depois. A economia ajuda a entender esse eleitor.
Para 43%, ela piorou nos últimos 12 meses. 68% perceberam aumento no preço dos alimentos e 69% dizem que hoje conseguem comprar menos do que há um ano.
É uma insatisfação que aparece na vida cotidiana: no supermercado, no salário e nas contas.
Existe um dado que a oposição deve explorar: 46% acreditam que a economia vai melhorar nos próximos 12 meses.
COMO? Afinal, não há mudança no resultado, se ação é sempre a mesma.
Para vencer Lula, Flávio precisa convencer o eleitor de que a mudança será melhor com ele e, principalmente, segura.
Essa talvez seja a mensagem mais importante da Quaest.
Em resumo, a maioria dos eleitores já demonstra desconforto com a continuidade. O país considera que está seguindo na direção errada. E há eleitorado suficiente fora dos campos consolidados para alterar o resultado.
Flávio precisa transformar o desejo de mudança em confiança para mudar, pois para Lula já não há o desejo majoritário de continuidade ao seu lado.