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LULA PERDEU PODER. SÓ RESTOU A CADEIRA.

MESMO QUE PERMANEÇA NA PRESIDÊNCIA, TERÁ O CARGO, MAS NÃO A AUTORIDADE NECESSÁRIA PARA GOVERNAR.

Alana Figueiredo
Por: Alana Figueiredo
21/07/2026 às 12h00
LULA PERDEU PODER. SÓ RESTOU A CADEIRA.
Imagem gerada por IA

Lula ainda ocupa a Presidência da República. Mantém a caneta — inclusive aquelas que decide levar consigo em eventos internacionais —, o cargo, a estrutura do Palácio do Planalto e a exposição institucional de quem governa o país.

Mas poder político não é só ocupar uma cadeira.

Poder é conseguir impor agenda, controlar a base, aprovar prioridades, proteger aliados, disciplinar o Congresso e transformar vontade presidencial em decisão concreta.

Foi justamente isso que Lula perdeu.

Ao longo deste mandato, o governo se tornou cada vez mais dependente de um Congresso que já não se comporta como extensão do Executivo. Câmara e Senado ampliaram seu controle sobre o orçamento, preservaram autonomia política e passaram a impor derrotas ao Planalto sem o constrangimento de outras épocas.

O governo já viu o Congresso derrubar medidas fiscais, rejeitar iniciativas arrecadatórias e limitar a capacidade de o Executivo administrar sozinho as próprias prioridades. Em 2025, Câmara e Senado derrubaram o aumento do IOF editado pelo governo, numa demonstração clara da fragilidade da articulação política do Planalto. O caso acabou judicializado, e o STF restabeleceu depois a maior parte do decreto.

Essa perda de autoridade escancara uma mudança estrutural.

O presidencialismo brasileiro sempre dependeu de três recursos: orçamento, coalizão e expectativa de poder. Lula chegou ao terceiro mandato apoiado no prestígio político que ainda restava de seus governos anteriores, apesar do histórico de escândalos e corrupção que acompanha sua trajetória. Mas encontrou um Congresso menos submisso, um orçamento mais fragmentado e caciques partidários menos dispostos a obedecer apenas em troca de proximidade com o Planalto.

Hoje, boa parte do dinheiro necessário para construir apoio político está sob influência direta do Legislativo. As emendas deixaram de ser mero complemento e passaram a ocupar lugar de destaque na relação entre deputados, senadores e suas bases eleitorais.

O governo já não distribui poder como antes. Precisa negociá-lo em condições cada vez menos favoráveis a ele. E essa limitação tende a aumentar.

A eleição de 2026 renovará parte da Câmara dos Deputados e dois terços do Senado. A direita atualmente aparece como o maior campo ideológico do país e tem condições de ampliar sua presença nas duas Casas.

Lula poderá até continuar sentado na cadeira presidencial, mas encontrará diante de si um Congresso mais hostil, com capacidade para bloquear projetos, convocar ministros, instalar comissões de investigação, rejeitar indicações e impor derrotas sucessivas ao governo.

No Senado, essa mudança é ainda mais decisiva.

O Senado julga processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal e aprova autoridades indicadas pelo presidente, incluindo ministros do STF, dirigentes de agências e representantes diplomáticos.

Um Senado controlado pela oposição reduziria drasticamente a capacidade de Lula proteger seu entorno político e manter o sistema de alianças institucionais que sustentou seu governo.

A cadeira pode até permanecer. A proteção, não.

Isso sem contar com o problema fiscal.

O governo chega ao fim do mandato sem resolver o desequilíbrio das contas públicas. O Tesouro já alertou que as metas fiscais se tornarão inviáveis a partir de 2028 sem novas medidas, porque o crescimento das despesas obrigatórias supera a capacidade de contenção do governo. (Reuters)

As projeções apontam déficit elevado, dívida bruta próxima de 81% do PIB e juros ainda muito altos. Esse ambiente reduz o espaço para novos programas, amplia o custo da dívida e torna mais difícil usar o orçamento como instrumento de sustentação política. (Financial Times)

Lula sempre dependeu de dinheiro para distribuir, de aliados dispostos a se aproximar e da expectativa de permanência no poder. Agora, esses três elementos estão se enfraquecendo ao mesmo tempo.

A economia limita o orçamento. O Congresso limita a agenda. A oposição limita a proteção institucional.

O governo tenta compensar a perda de capacidade interna com discursos de soberania, protagonismo internacional e enfrentamento ideológico, mas retórica não substitui poder efetivo.

O problema de Lula, portanto, não está apenas na eleição. Mesmo que consiga permanecer no Palácio do Planalto, receberá um país mais difícil de governar, um Congresso menos obediente, uma oposição mais organizada e uma estrutura fiscal que restringirá sua margem de atuação.

Ele poderá manter o cargo, mas perderá sucessivas votações. Poderá assinar decretos e vê-los derrubados. Poderá indicar nomes e vê-los rejeitados. Poderá defender ministros e não conseguir protegê-los. Poderá discursar como chefe de governo sem ter força para governar.

Lula já perdeu poder. Pode até permanecer com a cadeira. Mas ficará apenas com ela.

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Alana Figueiredo
Alana Figueiredo
Engenheira com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência no setor de agrárias e se destaca por suas habilidades de escrita e comunicação. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um profundo interesse por temas culturais e políticos, que agora compartilha como colunista. Tem visão crítica e informada, sempre com um olhar atento às dinâmicas sociais e econômicas que moldam a sociedade.
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