
A lei da Sharia organiza Estados onde religião e poder político caminham juntos. Nesses regimes, o governo se apoia em regras religiosas obrigatórias, e o uso da força substitui o acordo com a população.
No Irã, a Sharia funciona como base legal do regime. O Estado define o que pode ou não ser feito, pune comportamentos considerados inadequados e controla a vida pública por meio de regras religiosas impostas de cima para baixo.
Esse modelo gera um efeito de violência como política de Estado.
Mulheres estão no centro desse controle. Vestimenta, circulação e conduta fazem parte da agenda oficial do governo. A polícia moral atua de forma permanente, enquanto prisões arbitrárias, agressões e execuções públicas servem para intimidar a sociedade.
A repressão também atinge opositores políticos, jornalistas, minorias religiosas e qualquer pessoa que confronte o regime. Protestos são tratados como ameaça direta ao poder, e a resposta é violenta.
O que acontece hoje no Irã segue a lógica do próprio sistema. Teocracias mantêm o controle por meio da força, porque o poder não nasce do consentimento da população.
Quando as pessoas reagem, o regime responde com massacre. A violência não é exceção. É método.
Na semana passada, analisei como a crise em regimes autoritários expõe a fragilidade de sistemas políticos interligados. O caso do Irã confirma esse padrão e ajuda a entender conexões já conhecidas com Venezuela, Rússia e — infelizmente — o Brasil.
Nesse cenário, países com relevância internacional passam a ser observados com mais atenção. O posicionamento externo deixa de ser apenas discurso e passa a ter consequências reais.
Governos que relativizam regimes teocráticos e ditatoriais acumulam custos diplomáticos, políticos e institucionais. A falta de clareza enfraquece a confiança internacional.
Quando a Sharia se torna lei do Estado, a religião vira instrumento de dominação política. Onde a liberdade desaparece, o poder se sustenta pela violência.
Esse é o fato que o Irã expõe hoje ao mundo.