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“O Quartinho dos Fundos!”

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José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
07/10/2025 às 10h36
“O Quartinho dos Fundos!”

Prefácio à Crônica:

 

O “Quartinho dos Fundos”, uma analogia a Chaminé de Freud, e ao Porão de Lacan, é uma “Menina dos Olhos”, das minhas crônicas. Escrita em 2006, inspirada em um aluno, no Paraná, já teve centenas de publicações em Jornais e Revistas físicos, e mais de 5 sítios, já foi traduzida em 5 línguas, com mais de 1 milhão de visualizações e solicitado para estudo em uma universidade do Leste dos EUA.

Hoje, com auxílio de um poeta, nato e sublime, trago uma edição revisitada e poética.

Para suas análises e considerações.

Gratidão... Poeta e Leitores!

  

“O Quartinho dos Fundos! ”

 

"Atualmente, encontramos pessoas que se comportam como autômatos, que não conhecem ou compreendem a si mesmas, e a única pessoa que conhecem é aquela que se espera que elas sejam..."

Erich Fromm

 

Cada ser humano carrega dentro de si um espaço que não aparece em retratos nem se revela nas conversas.

É um lugar silencioso, um pequeno cômodo da alma — o quartinho dos fundos — onde guardamos tudo o que não coube na vida apressada que levamos.

Lá ficam as memórias que não tiveram desfecho, os afetos que se perderam pelo caminho, e as palavras que nunca chegaram a ser ditas.

Entre lembranças e silêncios, formamos um depósito invisível de tudo aquilo que evitamos sentir.

Mas por mais que se tente trancar essa porta, o que está lá dentro sempre encontra um jeito de se fazer lembrar.

A verdade é que todos nós temos um “quartinho” desses.

Alguns o mantêm trancado, outros visitam de vez em quando — quando a saudade bate, quando o cansaço pesa, quando o passado chama.

E, em cada visita, há uma descoberta: quanto mais evitamos olhar para dentro, mais o “quartinho” se enche de poeira emocional.

Há quem acredite que o tempo apaga tudo.

Mas o tempo, por si só, não limpa — apenas empilha.

Limpar o “quartinho” é tarefa nossa: exige pausa, coragem e, acima de tudo, vontade de se escutar.

É no silêncio interior que descobrimos o que ainda dói, o que precisa ir embora e o que merece ficar.

Quando encaramos o que nos habita, começamos a compreender melhor nossas reações, nossas escolhas e até nossos medos.

Esse é o ponto em que o jornalismo da alma se encontra com a poesia da existência — a busca por entender o humano em sua forma mais simples e verdadeira.

Não há manchete mais urgente do que o autoconhecimento.

E, aos poucos, o que antes era um depósito de emoções se transforma num abrigo de memórias ressignificadas.

A bagunça vira história, a dor se converte em aprendizado, e a solidão, em calma.

É ali que o reencontro acontece — entre o que fomos e o que ainda podemos ser.

O “quartinho dos fundos” é, afinal, o espelho mais sincero da alma.

Ele nos mostra que não é fraqueza sentir, que o medo tem rosto, e que as cicatrizes também são formas de memória.

Viver é abrir essa porta de vez em quando, tirar o pó do que ficou esquecido e permitir que o ar circule novamente.

Porque, quando o coração respira, a vida também se reorganiza.

O presente ganha cor, o passado se acomoda, e o futuro deixa de ser um peso.

No fim, o “quartinho dos fundos” ensina que limpar a alma não é apagar o que passou — é dar um novo sentido ao que ficou.

  

José Carlos Bortoloti

Jornalista – Escritor & Cronista

Passo Fundo - RS

Colaborador da Revista No Ponto do Fato.

 

P.S.: 

Título na arte:  "O quartinho dos fundos também mora em nós"

 

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Herica Há 10 meses São Paulo Eu me lembro de quando você escreveu esse texto em 2006, fez tanto sentido quanto agora. Você é sensacional parabéns ????
simone pradoHá 10 meses porto alegreSensacional e a mais pura verdade. Adorei.
CLAUDIA VALERIA SAUTHIER ROHRHá 10 meses CarazinhoEu diria,esclarecedor!
Gabriela a.enriquezHá 10 meses São Paulo, São Paulo ???????????????????????????????????????????????????? Que grande verdade, Mestre! Nossas etapas passadas as vezes alegram, as vezes dolen, mas sempre deixam cicatrizes!!! E,como quaisquer cicatrizes de batalha, precisam ser trocadas de quando em quando!!! Obrigada por vossas palavras, Mestre ! PE SECRETO HA’E ÑAME’Ē HAGUA CHUPEKUÉRA PE VALOR OMERESÉVA !!!????????????
Jota Silva (poeta)Há 10 meses RS/SCEu tenho um quartinho desses, Só que real, real... Fica no fundo escondido de minha matéria, Entre a causa e a consequência. Abraço, Professor Borto!
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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