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“A Linha Invisível do Amor!

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José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
02/01/2026 às 11h41
“A Linha Invisível do Amor!

#PensarNaoDoi

 

"A Linha Invisível do Amor!"

 

“Amei até a loucura.

O que chamam de loucura é, para mim,

a única forma sensata de amar. ”

  Françoise Sagan

 

Tenho ouvido essa pergunta com insistência:

O que está acontecendo com as relações?

Perguntam-me como se eu fosse especialista no assunto. Não sou. Muito pelo contrário. Apenas observo. E, talvez por isso mesmo, minha resposta quase sempre causa estranhamento:

Nada está acontecendo.

As relações sempre foram assim. Ou piores.

Então, se nada mudou, por que a sensação de colapso?

Talvez porque estamos finalmente olhando com mais atenção para nós mesmos. E isso é perigoso. Olhar para dentro exige coragem — e poucos estão dispostos a sustentar o que encontram.

Costuma-se dizer que tudo mudou por causa da libertação do pensamento feminino. Não creio. As relações homoafetivas também enfrentam os mesmos impasses. O problema não está no gênero, na orientação ou na época. Está no modo como nos vinculamos.

E aqui entra um conceito antigo, mas extremamente atual: o sofisma.

O sofisma é um raciocínio que parece verdadeiro, mas é construído para convencer, não para revelar. Mistura verdade e fantasia. Realidade e desejo. Não mente descaradamente — seduz.

Agora, saiamos da filosofia e voltemos às relações.

Não fazemos exatamente isso quando amamos?

Na conquista, somos quase irrepreensíveis. Cedemos, moldamo-nos, sacrificamos pedaços de nós mesmos. Vestimos a melhor versão — não a mais verdadeira, mas a mais desejável.

E quando o outro nos escolhe?

Então começa o paradoxo:

ou queremos mudar quem nos escolheu,

ou passamos a ser pressionados a mudar.

O que antes encantava, agora incomoda.

O que era singular, agora precisa de ajustes.

E, pouco a pouco, deixamos de ser quem somos em nome do que chamamos de amor.

Não é o amor que falha.

É o sofisma afetivo.

Dizemos que amamos, mas tentamos corrigir.

Dizemos que aceitamos, mas impomos.

Dizemos verdades, omitimos outras e, sim, às vezes mentimos — acreditando que isso mantém o vínculo.

O que realmente mudou, então?

Talvez estejamos aprendendo, ainda que timidamente, a SER, antes de apenas TER alguém. Ou o amor aprofunda — ou se torna efêmero. O “ficar” surge como defesa: menos promessa, menos risco, menos dor. Mesmo assim, quase todos continuam procurando o grande amor.

E então vem outra pergunta inevitável:

Por que é tão difícil dar certo?

Porque confundimos amor com transferência. Tentamos mudar o outro para aliviar nossas próprias inseguranças. Queremos consertar fora o que está desorganizado dentro.

E quando parece que está dando certo, surge o comodismo. Não porque o amor acabou, mas porque nunca foi construído com consciência — apenas com emoção.

O amor, por mais romântico que soe, é também racional. Nietzsche defendia isso. Amar não é perder-se completamente, é sustentar-se enquanto se entrega.

No início, queremos saber tudo sobre o outro. Dizemos que é para conhecer profundamente. Mas, muitas vezes, é apenas para medir até onde nossos defeitos serão tolerados. Ou até onde poderemos controlar.

Quando a magia acaba, cada um encontra seu jeito de partir. Alguns precisam de explicações detalhadas. Outros somem. Recolhem-se, curam-se, e voltam a amar — se ainda souberem como.

Não existe um jeito certo de amar.

Mas existe um jeito honesto.

Não aprendemos a doar sem nos anular...

Nem a perdoar sem nos violentar...

E quase nunca aprendemos a delimitar.

É aqui que entra a linha invisível do amor.

Todos precisamos de uma linha.

Um limite silencioso, mas firme.

Um espaço onde o outro não invade — e onde também não invadimos.

Essa linha protege a intimidade, a dignidade, o que é só nosso. Sem ela, não há amor. Há fusão, controle, medo.

Nietzsche dizia que a verdadeira força está em enfrentar a perda, não em evitá-la. Quando não conseguimos atravessar esse processo, algo — ou alguém — está nos impedindo de ser inteiros.

Então ame.

Do seu jeito.

Com intensidade, se for o caso.

Mas mantenha sua linha.

E respeite a do outro.

Quando essa linha é ultrapassada, o amor não se transforma — ele termina. E não adianta lamentar. Amor sem respeito não é amor. É dependência.

Talvez amar seja isso:

Uma dança delicada entre entrega e limite.

Entre presença e preservação.

Pensar nisso não dói.

Mas amar…

Amar exige coragem....

  

Entendimentos & Compreensões

Leituras & Pensamentos da Madrugada

José Carlos Bortoloti – Passo Fundo – RS

Colunista e colaborador da Revista No Ponto do Fato.

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Marcello Há 2 semanas PortugalParabéns professor, eis um tema bastante propício aos nossos dias. Obrigado pela partilha.
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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