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“QUANDO AMAR É A FORMA MAIS BELA DE EXISTIR!”

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José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
30/11/2025 às 17h07 Atualizada em 05/12/2025 às 14h04
“QUANDO AMAR É A FORMA MAIS BELA DE EXISTIR!”

#PensarNaoDoi

 

“Quando amar é a forma mais bela de existir! ”

 

“Aquele que ama bastante para desejar amar um milhão de vezes mais, só fica inferior em amor àquele que ama mais do que desejaria…”

La Bruyére

 

Sempre acreditei que amar demais fosse um fardo e, ao mesmo tempo, um presente que nos consome por dentro.

Não uma fraqueza, mas uma força que transforma cada pensamento, cada suspiro, cada pequena lembrança em algo que ilumina e desperta.

Quem ama demais não se perde — apenas carrega dentro de si uma vida extra, como se o coração fosse um universo próprio, pulsando e se expandindo para além da lógica

Essa certeza começou a se formar no dia em que ouvi, de alguém de luz — alguém por quem sinto profundo respeito e carinho — a mais sincera confissão que já me chegou:

 “… O silêncio se tornou uma necessidade física e da alma.

Escolhi-o para curar a depressão.

Depois precisei dele para escrever.

Com o tempo, descobri sua dimensão e seu poder.

Era nesses períodos que conversava melhor comigo mesmo e com Deus.

Senti que nasci para o silêncio…! ”

Havia naquele desabafo algo que ultrapassava as palavras.

Era a marca de um coração que amou, caiu, levantou-se e reinventou cada pedaço de si.

Como se o amor, quando intenso demais, precisasse se transformar em algo mais — mais leve, mais profundo, mais eterno — para continuar vivendo.

Agostinho, o doutor da Igreja, já havia percebido:

 “…. Meu peso é o meu amor; é ele que me leva aonde quer que eu vá…”

A alma se deixa guiar pelo que ama, como se dentro de nós existissem leis próprias, invisíveis para os outros, mas absolutamente reais para quem sente.

Cada emoção se move, cada lembrança se acende, cada memória se transforma em luz.

Com Jung, aprendi que mitos e símbolos não estão no passado; caminham conosco, moldam nossa percepção, e contam histórias antigas que ainda nos fazem tremer.

Às vezes sinto que essas presenças moram comigo, acompanhando cada gesto, cada pensamento, refletindo o mundo que vejo e que sinto.

Foi assim quando assisti a um casamento.

O ritual antigo, cheio de cores, cheiros, emoções e expectativas.

O altar, imponente.

O sacerdote, firme e sereno.

Os padrinhos, alinhados como guardiões de um segredo.

Os pais, atentos, orgulhosos e ansiosos.

A família, observando, comentando, sentindo.

E há apostas naquele dia, silenciosas, apenas para quem não percebe a intensidade do que acontece.

E então entendi: o casamento é apenas a cena final de um conto de fadas.

O que vem depois ninguém escreve.

Cinderela discutindo com o príncipe por causa de contas atrasadas.

A rotina que consome a fantasia.

As manias que aparecem sem aviso.

O silêncio que pesa.

O dia a dia que testa o amor, o desafia e, às vezes, o transforma.

Amar nem sempre teve a ver com casar.

No século XII, o amor cortês era paixão pura, idealizada — Lancelot e Guinevere, Tristão e Isolda — amores que existiam apenas na alma, porque o corpo podia destruir a perfeição da idealização.

O amor realizado, muitas vezes, era o amor perdido.

Hoje, médicos, professores e intelectuais afirmam: o amor verdadeiro é íntimo, humano, profundo — enquanto o amor romântico é mito, narrativa, manipulação cultural.

Nietzsche nos lembraria disso, mas mesmo assim seguimos buscando o arrepio, a chama, o calor de histórias que transcendem o óbvio.

E ainda assim…

Mesmo sabendo que o mundo nos vende beijos com trilhas sonoras grandiosas, seguimos querendo acreditar nas melodias que apenas o coração reconhece.

Quando minha namorada me beija, sem orquestra ao fundo, devo mandá-la embora?

Claro que não.

O que importa não é a música, mas o que acontece dentro de nós.

A verdadeira pergunta é outra:

Por que nos apaixonamos, se pode durar tão pouco e doer tanto?

Biologia? Cultura? Necessidade de companhia? Talvez.

Mas a resposta que carrego é simples:

Queremos nos apaixonar porque, naquele momento precioso — uma tarde, uma estação, um ano inteiro — sentimos a vida se acender dentro de nós.

Os sentidos despertam, o mundo perde peso, o coração se ilumina.

A alma respira de uma maneira que só o amor permite.

E mesmo quando termina, algo fica.

Uma marca invisível, mas inapagável, que nos acompanha para sempre.

Como uma melodia de Puccini que toca fundo em nós.

Como um sopro de eternidade dentro de um episódio único.

Nos apaixonamos por um motivo simples, quase infantil:

Porque, enquanto dura, é maravilhoso.

Intenso. Vivo. Verdadeiro.

E pensar sobre isso não dói…

Nos faz perceber que, de fato, estamos vivos, se sentindo, vibrando, amando...

 

  

Leituras & Pensamentos da Madrugada

Transpirado de um ser de muita Luz!

José Carlos Bortoloti – Passo Fundo – RS

Jornalista & Escritor – Filiado a AJOIA do Brasil

Colaborador da Revista No Ponto do Fato

 

 

 

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Haroldo Barbosa FilhoHá 2 meses São Paulo - SPO amor é a base e o cume da montanha. Aplausos por mais este belo texto, Professor Borto!
Dread Há 2 meses EspanhaMaravilhosa reflexão como sempre!
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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