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“O PESO DA LUZ!”

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José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
07/11/2025 às 17h10 Atualizada em 05/12/2025 às 14h02
“O PESO DA LUZ!”

O Peso da Luz!

 

“Uma reflexão sobre o paradoxo de ser luz num mundo que exige brilho, mas esquece o peso de sustentá-lo...! ”

 

O Autor!

 

Há quem pense que voar é leve, mas não há nada mais pesado do que carregar a própria luz.

Há quem pense que voar é leve...

Talvez porque associemos o voo à liberdade, ao alívio de tudo o que nos prende ao chão.

Mas o voo — o verdadeiro — não é ausência de peso; é o enfrentamento dele.

É a consciência de que, quanto mais alto se sobe, mais densa se torna a luz que se carrega.

O anjo da imagem — aquela figura feminina diante da janela, com asas imensas abertas sobre o mundo — não parece prestes a alçar voo.

Ela está imóvel.

O corpo inclina-se para a claridade, mas o olhar se perde no horizonte.

Há ali uma tensão que não é de quem deseja escapar, mas de quem compreende o fardo do próprio brilho.

Carregar a própria luz é, antes de tudo, suportar o que ela revela.

Vivemos numa era que exalta a exposição.

Ser luminoso virou quase uma exigência.

Mostre, brilhe, inspire, produza.

“Seja luz” — dizem.

Mas ninguém avisa que a luz cega, aquece até queimar e, às vezes, transforma a própria pele em transparência.

Ninguém fala do esforço de manter acesa a chama quando o vento sopra de dentro.

É bonito dizer “seja luz”, mas é preciso coragem para suportar o clarão que vem junto.

A luz, quando é verdadeira, não ilumina só o caminho — mostra as sombras que preferiríamos esquecer.

E é nesse instante que ela pesa.

Pesa o autoconhecimento, pesa a verdade, pesa o medo de deixar de caber onde antes era confortável.

O peso da luz é o preço da consciência.

E consciência, por mais bela que seja, nunca é leve.

O mundo moderno, com sua pressa e seus filtros, tenta vender a ideia de leveza como sinônimo de felicidade.

Mas ser leve, às vezes, é apenas flutuar sem raiz.

Há uma sabedoria silenciosa em aceitar o peso: o peso da lucidez, o peso das escolhas, o peso do amor que se sustenta mesmo quando dói.

A leveza real não vem da ausência de peso, e sim da capacidade de sustentá-lo sem perder a beleza.

A mulher diante da janela sabe disso.

Ela entende que suas asas não são enfeite — são estrutura.

Que o brilho que a envolve é o mesmo que a prende ao chão.

E por isso não voa — ainda.

Porque há momentos em que é preciso aprender a ficar, a respirar, a reconhecer a própria claridade antes de lançá-la ao mundo.

O peso da luz é o paradoxo da existência: ser chama e ser corpo, ser brilho e ser limite, ser divino e ainda assim humano.

E talvez seja nisso que resida o verdadeiro sentido do voo — não em escapar, mas em carregar com dignidade o que nos torna únicos.

No fim, cada um de nós é essa silhueta diante da janela.

Com as asas abertas, tentando encontrar o equilíbrio entre a luz que temos e o chão que nos sustenta.

E quem sabe, um dia, quando o tempo nos aliviar de certas sombras, possamos finalmente voar — não porque nos tornamos leves, mas porque aprendemos a carregar a nossa própria luz.

Nem sempre brilhar é leve; às vezes, ser luz é o fardo mais bonito que existe...

  

 

Leituras & Pensamentos da Madrugada

José Carlos Bortoloti

Jornalista, Escritor e Articulista

Passo Fundo – RS

Colaborador da Revista No Ponto do Fato

 

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MaraHá 3 meses Belém/ PALindo demais amigo ????????????????????
Rosemeire12Há 3 meses Tremembé Lindo, como sempre sensível e perfeita crônica .
Celeste Há 3 meses Paranaguá pr Lindo e verdadeiro ????????????????
Haroldo Barbosa FilhoHá 3 meses São Paulo - SPNem sempre brilhar é leve... O texto cala fundo na alma, Professor. Forte abraço!
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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