
“Deus Não Morreu? ”
Mesmo quando dizem que Deus morreu…
Ele se esconde nos silêncios que respiramos,
nos passos que hesitamos,
na luz que insiste em atravessar as sombras…
E nós, corações inquietos, continuamos a encontrá-lo,
onde menos esperamos e mais precisamos…! ”
Dizem que Deus morreu.
Mas será que morreu Ele ou apenas a imagem que alguns construíram?
Séculos de filosofia proclamaram seu fim.
Arrancaram-no da fé e o colocaram no pedestal da razão.
Sopram.
Dissipam.
Mas Ele permanece onde a lógica não alcança e onde o coração insiste em buscar.
A Modernidade quis separar conceito e experiência, pensamento e vida.
Descartes o transformou em sistema.
Espinosa explorou a distância.
Kant confinou Deus fora do conhecimento científico.
Mas o desejo de sentido não desapareceu.
Nos últimos trinta anos, filósofos de diferentes tradições voltam à “Quaestio Dei” com olhos renovados.
Não seguem instituições.
Não buscam dogmas.
Buscam compreender.
Jean-Luc Marion, Paul Ricoeur, Emmanuel Lévinas, Jacques Derrida…
Todos percebem que falar de Deus é falar do homem.
Que refletir sobre Deus é perceber o mundo que nos atravessa.
Deísmo ou teísmo?
Não importa a etiqueta.
O deísmo aponta para um Ser supremo distante.
O teísmo revela um Deus pessoal, íntimo.
E teu Deus?
Ele é teu.
A definição também.
Simples.
Deus não morreu.
Apenas mudou de rosto.
E nós, com corações inquietos, continuamos a encontrá-lo mesmo nos lugares que pensamos vazios.
Eis a Persistência de Deus...
Viu, como PENSAR NÃO DÓI... E ter fé, também não....
Crônica a quatro mãos
Entendimentos & Compreensões
José Carlos Bortoloti
Escritor & Articulista
Passo Fundo – RS –
Colaborador da Revista No Ponto do Fato