
"DOR DA ALMA!"
“Disfarço meu ciúme, engulo tuas provocações;
O sangue ferve, sinto raiva,
mas não crio caso, não faço cena,
porque sei que no final da noite
eu vou te pegar de jeito
e te mostrar por que você é minha,
só minha...!"
Augusto Branco
Dos tormentos da alma, - Alma é um termo equivalente ao hebraico Néfesh, ao Sânscrito Ātman e ao grego psykhé e significa "ser”, “vida” ou criatura. Etimologicamente deriva do termo em Latim animu (ou anima), que significa "o que anima". Sendo a vida de cada organismo, não sendo eterna, e nem separada do corpo exatamente pelo contrário, o ciúme talvez seja o mais avassalador.
Talvez, ainda, porque ele esteja sempre associado a outras emoções destrutivas como a dúvida, a angustia, a desconfiança, a mágoa e outros sentimentos, típico do ser humano.
Ou porque, ao contrário dos demais tormentos, ele germine tanto na ignorância quanto no conhecimento (o que é pior: a dúvida ou a certeza) e tende a crescer quanto mais se pense ou racionalize a respeito.
Há ciúmes de todas as espécies, ciúmes de coisas e pessoas...Há quem diga que um pouco de ciúmes esquenta os relacionamentos.
Há quem diga imune a ele. Será?
Pois há, também, o ciúme enlouquecedor.
- Ciúme tem origem no Latim ZELUMEN, de ZELUS, “emulação, zelo”, do Grego ZELOS, “zelo, ardor, ciúme”.
Espiral, como um ralo, que a tudo draga e por onde tudo se escoa.
Como um trem que avança incessante, dia e noite, alimentando-se em cada estação.
Ruminado e regurgitando sobre trilhos que o impedem de se desviar do destino, este ciúme se instala e devora as entranhas de suas vítimas.
Assim foi magistralmente apresentado por Tolstoi, na Sonata a Kreutzer. Vivido pelo Bentinho machadiano e sofrido pelo nobre Otelo.
Já Nietzsche aborda o ciúme como um sentimento complexo, muitas vezes ligado ao ressentimento e à fraqueza. Ele vê o ciúme como uma expressão de fraqueza e medo, especialmente quando associado à perda de algo que se considera valioso ou à incapacidade de alcançar algo desejado. Nietzsche também explora a dinâmica do ciúme entre virtudes, onde uma virtude pode se voltar contra outra, revelando uma luta interna e uma tendência destrutiva.
Quatro clássicos ciúmes, completamente diferentes em suas razões e origens, mas todos os três aprisionando seus personagens em uma enorme teia destrutiva.
Há remédio contra o ciúme?
A educação, com certeza, ajuda. O conjunto autoestima elevada e compreensão da alteridade preparam pessoas menos reféns desse monstro de olhos verdes.
A psicanálise também.
Mas, quando se trata de ciúme, só o desconforto é certo e esperado.
E acaba com relações, de todos os tipos.
Por isso, compartilhando leituras, experiências e sentimentos, podemos começar refletindo sobre os versos de duas músicas brasilesas que falam do tema com bastante objetividade.
Primeiro, Lupicínio Rodrigues, em Nervos de aço.
"Você sabe o que é ter um amor, meu senhor"?
Ter loucuras por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer ".
E depois, Ataulfo Alves e Mário Lago:
" Atire a primeira pedra, ai,ai,ai
Aquele que não sofreu por amor ". ··
Ah, ciúmes, ciúmes.... Ainda bem que não temos".
Você é ciumento?
Pode pensar.... Ao menos isso, ainda não dói!
Dos dias frios de inverno no Sul
Entendimentos & Leituras da Madrugada
José Carlos Bortoloti
Passo Fundo – RS –
Colaborador da Revista No Ponto do Fato.