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“Amor Sem Correntes!”

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José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
17/07/2025 às 13h02
“Amor Sem Correntes!”

Amor sem corrente!

 

“Amor não é se envolver com a pessoa perfeita, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.…! ”

(Autor desconhecido)

       Em seu livro “O profeta”, Kalil Gibran fala do matrimônio com grande sabedoria.

Vamos conhecer um pouco do que ele deixou, a fim de retirar deles ensinamentos úteis.

Referindo-se ao casal, diz Gibran: Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão.

Desconhecendo ou ignorando esta importante orientação, muitos casais transformam o amor em         

verdadeiras cadeias, para ambas as partes.

O amor deve ser espontâneo. Não pode ser motivo de brigas e exigências descabidas.

Lembrando que: Amor é um substantivo masculino, e traz, dicionarizado as seguintes significações:

Forte afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações sociais.

E, atração baseada no desejo sexual.

O amor compreende. Não deve se constituir em grilhões que prendem e infelicitam.

Para os pré-socráticos, o amor (eros) não era apenas um sentimento humano, mas uma força cósmica, uma energia que movia o universo e unia os elementos da natureza.

Empédocles, (c. 494 – c. 434 aC)  Via o amor e o ódio como princípios fundamentais que governam o universo. O amor é a força que une e mistura os elementos, enquanto o ódio os separa e dissipa

Por vezes, em nome do amor, nós queremos que nosso companheiro ou companheira faça somente o que desejamos.

Só corta o cabelo quando permitimos. Só pode usar as roupas que aprovamos. Só sai se for em nossa companhia e não pode violar as regras estabelecidas pelo nosso egoísmo, para evitar brigas.

Isso não é amor, é prisão.

Amar sem escravizar, eis o grande desafio.

E o profeta aconselha:

Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.

Isto significa dizer que devemos compartilhar, ser gentil, dar do nosso pedaço, mas sem exigir nada em troca.

É comum depois da gentileza vir a cobrança. Fazemos um favor e esperamos logo alguma recompensa. Pretendemos tirar alguma vantagem.

Dividir o pão, sim, mas não comer do mesmo pedaço. Isso quer dizer: deixar ao outro o direito que lhe cabe do pedaço.

E Gibran continua: Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho.

É importante compartilhar, mas saber respeitar a individualidade um do outro, sem invadir a intimidade da pessoa amada.

Há pessoas que, se pudessem, controlariam até mesmo o pensamento do seu par, a ponto de torná-lo a sua própria sombra.

Isso não é amor, é extremado desejo de posse.

Mais uma vez Kalil Gibran aconselha: 

"Vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia, pois as colunas do templo erguem-se

separadamente, e o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."

Grande ensinamento podemos retirar daí, pois a comparação é perfeita.

Viver juntos, mas cada um respeitar o espaço do outro.

O lar é um templo que deve ser sustentado por duas colunas: cada uma na sua posição para que realmente haja apoio.

Se as colunas se aconchegam em demasia, o templo pode desabar. Por isso o profeta recomenda: "Vivei juntos, mas não vos aconchegueis em demasia".

O amor tem por objetivo a união e não a fusão dos seres. Não se pode querer viver a vida do outro, controlar os gostos e até mesmo os desgostos da pessoa com quem nos casamos.

É preciso que cada um cresça e permita o crescimento do outro, sem fazer sombra um para o outro.

Se os casais observassem esses pequenos, mas eficientes conselhos, certamente teriam uma convivência mais harmônica e mais agradável.

O verdadeiro amor é aquele que compreende, perdoa, sem renunciar.

Em nome do amor devemos estender a mão para oferecer apoio e não para acorrentar.

Quem ama propicia segurança, confiança e afeto.

Lembre-se de que a pessoa com quem você convive não lhe pertence. É uma alma em busca do próprio aperfeiçoamento, tanto quanto você.

Lembre-se também que beijos e abraços só têm valor se não forem cobrados.

E, por fim, guarde a recomendação:

"Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão."

Pensar não dói... Já amar, requer alguns requisitos do ser!

 

 Leituras & Pensamentos da Madrugada

José Carlos Bortoloti

Escritor & Articulista

Passo Fundo – RS –

Colaborador da Revista No Ponto do Fato

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ProfZiHá 1 ano Guaxupé/MGBela reflexão sobre a parceria que é o casamento. Cada um mantém a sua liberdade e identidade, crescendo juntos em harmonia. Parabéns, profe!
Maria Rosa Moreira PiresHá 1 ano Porto AlegreTexto maravilhoso e absolutamente verdadeiro. Do verbo Mais Que Perfeito.
joselito estevão de araujoHá 1 ano UBABelíssima reflexão. Nos leva a crer, cada vez mais, no amor no sentido de "combustível" natural que move a si próprio, ou seja, amor por sê, amor.
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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