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O CARECA, OUTRO CARECA E A CABELEIREIRA

A ira do escalvado ministro chega a parecer fetiche

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
24/03/2025 às 11h29 Atualizada em 24/03/2025 às 16h13
O CARECA, OUTRO CARECA E A CABELEIREIRA
Montagem WEB

Sempre escutei, e acreditei, que batom na cueca é a prova de um crime indefensável para qualquer homem que se submete a esse risco. Não há perdão. O máximo que se consegue é um armistício. Ela esquece, mas não perdoa. Contudo, se depois de um bom tempo ela se decidir, pode até perdoar. Mas nunca vai esquecer.

A partir do dia que Débora Rodrigues escreveu, com batom, “Perdeu, Mané!”, na estátua da justiça, o status do produto evoluiu de eventual destruidores de relações amorosas para instrumento letal para a derrubada de um governo e para abolição do estado democrático de direito, o que, proporcionalmente, iguala o batom na cueca a tirar doce da mão de criança. Dá até para dizer que “foi para tomar uma cervejinha”.

O ex-deputado federal caçado (esse é com Ç mesmo) pelo STF, foi outro que contribuiu para dar aos urubus de plantão a oportunidade de atacarem os produtores de conteúdo no Youtube, e assim a plataforma na totalidade, passando a entender que a plataforma de vídeo se transformou em um sistema de comunicação para a promoção de uma revolução.

Por que Alexandre de Moraes escolheu como troféus um careca e uma cabeleireira?

Não parece um tanto quanto sintomático que o dono da calvície brasileira mais conhecida das Américas, e, porque não, do mundo, tenha fixado seu ódio em um careca e em uma cabeleireira? Será que isso tem algo a ver com sociopatia ou psicopatia mesmo? A ira do escalvado ministro chega a parecer fetiche.

Um deputado de voz grossa do baixo clero, protegido pela imunidade parlamentar, no exercício de seu mandato, e uma simples cabeleireira, dona de casa, mãe de dois filhos pequenos, talvez incapaz de matar um rato.

Estes são os troféus de Alexandre de Moraes. É com um em cada mão que ele, diuturnamente, tenta aumentar o seu cacife nesse jogo de cartas marcadas, porque ele acredita que sempre vai ganhar.

A consolidação do “Perdeu, Mané!”

Ao escrever com batom na estátua da liberdade que fica na porta dos coveiros da lei, Débora Rodrigues eternizou o que Luís Roberto Barroso respondeu para um brasileiro que o questionava numa rua em Nova York. Ela escreveu isso bem debaixo dos narizes censores, na estátua cuja simbologia fingem representar. Talvez, se ela tivesse pichado a frase inteira, “Perdeu, Mané! Não amola”, teria se livrado das amolações que está vivenciando há 2 anos.

Indo para a internet falar tantas verdades, em tom tão ostensivo, Daniel Silveira cometeu um erro estratégico, muito provavelmente – é minha opinião - mal-aconselhado por Roberto Jefferson que, depois de não conseguir obter nenhuma vantagem política ou financeira com Bolsonaro, não se incomodava em pôr fogo no circo para ficar assistindo. Isso se, e é mais uma elucubração minha, o incêndio não tenha sido encomendado, cujo silêncio exigido justificaria a perseguição e destruição do próprio Roberto Jefferson, dado a confessar crimes quando sai perdendo na negociação.

Se condenada à pena de 14 anos pedida por Alexandre de Moraes, tal qual Daniel Silveira, a cabeleireira Débora Rodrigues será a consolidação do “Perdeu, Mané!”, mostrando quem manda nesse país. Mané vai para a cadeia, seja ele uma cabeleireira ou um deputado federal. Este é o recado das condenações de Daniel e Débora. Através deles, o judiciário, o “Sistema”, nos avisa que perdemos. Cabe a nós aceitarmos ou reagirmos.

Em 13 de junho de 2022, escrevi o artigo “Alexandre de Moraes X Daniel Silveira – Obsessão? Ou virou tesão?”, onde analisei os acontecimentos da época envolvendo os dois personagens. Muita coisa aconteceu de lá para cá, mas a obsessão, ou tesão, por Daniel Silveira ganhou contornos cada vez mais dramáticos, virando um exercício diário de “Perdeu, Mané!”, equivalente ao que acontece com o Winston Smith no final do livro 1984, de George Orwell.

Nossa atenção ao caso de Débora Rodrigues, não menosprezando a gravidade da quantidade de ilegalidades praticadas contra ela e os demais presos e processados em função do 8 de janeiro (na coluna de Ana Maria Cemin você encontra tudo sobre o tema), mas o maior destaque que se dá a ela vem exatamente de sua transformação em troféu por Alexandre de Moraes, cujo objetivo é reforçar a ideia de que no “Perdeu, Mané!”, os “Manés” seremos sempre nós.

A pergunta que não sai da minha cabeça de jeito algum é: por que um careca e uma cabeleireira? Será trauma? Inveja? Só maldade mesmo? Ou tem alguém que manda nele?

 

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deusdete de oliveiraHá 1 ano SÃO PAULOnão só nenhum expert nesse assunto mas acompanhar tudo desde que o Bolsonaro abriu pra todos nós as verdades desse sistema maldito e sujo que dá até nojo comecei a acompanhar mais de perto tudo que vem acontecendo no nosso miserável país com letras minúsculas mesmo pois estamos caminhando para um precipício muito triste saber que os mandatários hoje chama se STF mais precisamente um careca ridículo que se acha um deus mas espero viver para ver sua queda Deus salve nossa pátria amada Brasil amém
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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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