
Sempre escutei, e acreditei, que batom na cueca é a prova de um crime indefensável para qualquer homem que se submete a esse risco. Não há perdão. O máximo que se consegue é um armistício. Ela esquece, mas não perdoa. Contudo, se depois de um bom tempo ela se decidir, pode até perdoar. Mas nunca vai esquecer.
A partir do dia que Débora Rodrigues escreveu, com batom, “Perdeu, Mané!”, na estátua da justiça, o status do produto evoluiu de eventual destruidores de relações amorosas para instrumento letal para a derrubada de um governo e para abolição do estado democrático de direito, o que, proporcionalmente, iguala o batom na cueca a tirar doce da mão de criança. Dá até para dizer que “foi para tomar uma cervejinha”.
O ex-deputado federal caçado (esse é com Ç mesmo) pelo STF, foi outro que contribuiu para dar aos urubus de plantão a oportunidade de atacarem os produtores de conteúdo no Youtube, e assim a plataforma na totalidade, passando a entender que a plataforma de vídeo se transformou em um sistema de comunicação para a promoção de uma revolução.
Por que Alexandre de Moraes escolheu como troféus um careca e uma cabeleireira?
Não parece um tanto quanto sintomático que o dono da calvície brasileira mais conhecida das Américas, e, porque não, do mundo, tenha fixado seu ódio em um careca e em uma cabeleireira? Será que isso tem algo a ver com sociopatia ou psicopatia mesmo? A ira do escalvado ministro chega a parecer fetiche.
Um deputado de voz grossa do baixo clero, protegido pela imunidade parlamentar, no exercício de seu mandato, e uma simples cabeleireira, dona de casa, mãe de dois filhos pequenos, talvez incapaz de matar um rato.
Estes são os troféus de Alexandre de Moraes. É com um em cada mão que ele, diuturnamente, tenta aumentar o seu cacife nesse jogo de cartas marcadas, porque ele acredita que sempre vai ganhar.
A consolidação do “Perdeu, Mané!”
Ao escrever com batom na estátua da liberdade que fica na porta dos coveiros da lei, Débora Rodrigues eternizou o que Luís Roberto Barroso respondeu para um brasileiro que o questionava numa rua em Nova York. Ela escreveu isso bem debaixo dos narizes censores, na estátua cuja simbologia fingem representar. Talvez, se ela tivesse pichado a frase inteira, “Perdeu, Mané! Não amola”, teria se livrado das amolações que está vivenciando há 2 anos.
Indo para a internet falar tantas verdades, em tom tão ostensivo, Daniel Silveira cometeu um erro estratégico, muito provavelmente – é minha opinião - mal-aconselhado por Roberto Jefferson que, depois de não conseguir obter nenhuma vantagem política ou financeira com Bolsonaro, não se incomodava em pôr fogo no circo para ficar assistindo. Isso se, e é mais uma elucubração minha, o incêndio não tenha sido encomendado, cujo silêncio exigido justificaria a perseguição e destruição do próprio Roberto Jefferson, dado a confessar crimes quando sai perdendo na negociação.
Se condenada à pena de 14 anos pedida por Alexandre de Moraes, tal qual Daniel Silveira, a cabeleireira Débora Rodrigues será a consolidação do “Perdeu, Mané!”, mostrando quem manda nesse país. Mané vai para a cadeia, seja ele uma cabeleireira ou um deputado federal. Este é o recado das condenações de Daniel e Débora. Através deles, o judiciário, o “Sistema”, nos avisa que perdemos. Cabe a nós aceitarmos ou reagirmos.
Em 13 de junho de 2022, escrevi o artigo “Alexandre de Moraes X Daniel Silveira – Obsessão? Ou virou tesão?”, onde analisei os acontecimentos da época envolvendo os dois personagens. Muita coisa aconteceu de lá para cá, mas a obsessão, ou tesão, por Daniel Silveira ganhou contornos cada vez mais dramáticos, virando um exercício diário de “Perdeu, Mané!”, equivalente ao que acontece com o Winston Smith no final do livro 1984, de George Orwell.
Nossa atenção ao caso de Débora Rodrigues, não menosprezando a gravidade da quantidade de ilegalidades praticadas contra ela e os demais presos e processados em função do 8 de janeiro (na coluna de Ana Maria Cemin você encontra tudo sobre o tema), mas o maior destaque que se dá a ela vem exatamente de sua transformação em troféu por Alexandre de Moraes, cujo objetivo é reforçar a ideia de que no “Perdeu, Mané!”, os “Manés” seremos sempre nós.
A pergunta que não sai da minha cabeça de jeito algum é: por que um careca e uma cabeleireira? Será trauma? Inveja? Só maldade mesmo? Ou tem alguém que manda nele?
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