
Tem gente que vende jornais, tem gente que vende notícias, tem gente que vende a própria alma. Esta tem sido a tônica do jornalismo brasileiro nas últimas décadas, sendo a ABI – Associação Brasileira de Imprensa, dentro deste segmento, a decepção mais significativa, renunciando à defesa do jornalismo e atuando em alinhamento com uma cartilha ideológica e partidária que nada tem a ver com o propósito de sua criação e função, fazendo tremer muitos esqueletos famosos, importantes e relevantes para a história do nosso jornalismo.
Todos sabemos que, há anos, a grande e velha imprensa deixou de ser imprensa para se tornar um departamento ideológico de relações públicas de um espectro político. E isso só foi possível porque também abandonou um elemento essencial ao exercício do jornalismo: a verdade. Liberdade de imprensa sem o uso da verdade como pilar fundamental da atividade não é jornalismo. E, nestes tempos tenebrosos que vivemos, os adeptos da verdade foram excluídos do exercício de sua profissão na grande imprensa por se negarem a apenas vender jornais, notícias e, principalmente, vender suas almas.
Eis que um grupo corajoso de jornalistas independentes, sem jornais, notícias ou almas para vender, criou a AJOIA BRASIL – Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados, cuja primeira conferência aconteceu em São Paulo, na última segunda-feira, 21 de setembro de 2026, com a presença de jornalistas que acreditam que a verdade ainda é o único elemento que dá dignidade à profissão que escolheram para suas vidas. O evento contou com presenças ilustres e anônimas do jornalismo brasileiro, mas que são, fundamentalmente, jornalistas de verdade – e pela verdade acima de tudo.
Sou um destes jornalistas anônimos diante de tantas figuras importantes da história do jornalismo nacional, mas pude me sentir um igual diante da premissa de que não existe liberdade sem a verdade e muito menos verdade sem liberdade para propagá-la e defendê-la.
Afinal, para que serve o jornalismo, senão para buscar os fatos, verificá-los, contextualizá-los e levá-los ao conhecimento da sociedade? Para que serve um jornalista que não fiscaliza o poder, não investiga aquilo que tentam esconder, não confronta versões com indícios e não oferece ao cidadão os elementos necessários para que ele forme seu próprio juízo?
O jornalista não existe para dizer ao cidadão o que ele deve pensar. Não substitui – e não pode fazê-lo – o leitor na interpretação dos fatos. Sua obrigação é fornecer-lhe informação confiável para que ele próprio interprete, concorde, discorde e decida.
Essa é uma das grandes responsabilidades do jornalismo em uma democracia: diminuir a distância entre aquilo que o poder sabe e aquilo que o cidadão tem o direito de saber.
Para isso, porém, há uma condição da qual não se pode abrir mão: a verdade.
E é justamente ela que a AJOIA BRASIL coloca como fundamento de sua existência.
Convido o leitor a conhecer o site da AJOIA BRASIL, conhecer seu trabalho e prestigiar uma associação que defende um jornalismo feito com liberdade e verdade.
O evento foi realizado no Nacional Clube, Palácio Fiorentino, tendo como o anfitrião Dr. Antônio Ribas Paiva.






