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ALEMANHA: A ENGRENAGEM QUE RANGE

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Hermes Magnus
Por: Hermes Magnus
21/03/2025 às 17h07 Atualizada em 21/03/2025 às 17h23
ALEMANHA: A ENGRENAGEM QUE RANGE

Ah, Alemanha. Terra de parafusos bem apertados, engrenagens complexas e orgulhos mecânicos milimetricamente alinhados. Herdei esse amor — quase romântico — pela sua complexidade. Sempre acreditei que quanto mais engrenagens um sistema tem, mais bonito ele é. Sim, mesmo que ninguém saiba exatamente por que elas estão lá ou o que elas fazem.

Mas aí vem a Alemanha de 2025, com seu eterno dilema de potência sem direção. “Queremos investir 1 trilhão de euros!” — bradam. E em seguida: “Mas ainda não sabemos exatamente como…”

Socorro.

É isso mesmo, Alemanha? O país que nos deu Leibniz, os trens pontuais (na teoria), a precisão industrial, a filosofia da razão crítica… agora tropeça em sua própria complexidade?

Essa indecisão crônica lembra muito mais Fausto, aquele moleque indeciso que vendia a alma em busca de sentido — não o gênio, mas o woke, como diriam os íntimos. Filho simbólico de Von Goethe, ele representa tudo aquilo que a Alemanha parece ser hoje: intelectual demais para agir, prática demais para sonhar, poderosa demais para falhar… e ainda assim, falha.

O ciclo alemão parece ser esse mesmo: sobe com disciplina, desce com excesso de zelo. Faz besteiras, às vezes bélicas, às vezes apenas econômicas — mas sempre bem embasadas em relatórios de 500 páginas, naturalmente.

E aí, nos perguntamos: como pode um povo tão inteligente perder tantos parafusos? Talvez seja herança da máxima germânica: “Se complicado também funciona, para que simplificar?”

Talvez a Alemanha precise mesmo de mais engrenagens — ou quem sabe de um bom oleador de ideias. Porque, do jeito que está, está mais para um relógio suíço desmontado do que para uma locomotiva de futuro.

A tragédia alemã contemporânea não é mais épica — é administrativa. Não há mais um Wagner para musicar as epopeias nacionais, apenas ministros hesitantes que tentam orquestrar investimentos com a sensibilidade de um contador entediado. A sinfonia virou PowerPoint.

O dilema é existencial: como ser grande sem parecer imperialista? Como liderar a Europa sem repetir erros do passado? A Alemanha carrega o peso de sua própria sombra — e com razão. Mas há momentos em que esse peso imobiliza, como se o país inteiro estivesse em um eterno Congresso de Heidelberg tentando decidir a cor das cortinas antes de reformar o telhado.

E assim, entre relatórios e autoanálises, o país que nos ensinou a pensar se esquece de agir. Ou pior: age pela metade. Investe sem convicção. Discute o futuro com a solenidade de um burocrata do século XIX, enquanto o presente corre solto, plugado na tomada da globalização digital.

Ainda assim, há beleza nessa confusão. A Alemanha continua fascinante exatamente porque é irredutivelmente alemã: profunda, contraditória, metódica até para falhar. Ela tropeça com elegância, desmorona com dignidade, e se reconstrói sempre a partir de manuais cuidadosamente encadernados. Pode ser que agora não saiba o que fazer com 1 trilhão de euros. Mas uma coisa é certa: ela fará isso com toda a seriedade do mundo.

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Olá, sou conhecido como o denunciante que fez os políticos verem o sol nascer quadrado pela primeira vez na história do Brasil! Com um apito na mão e um senso de humor inabalável, estou por aqui para garantir que a verdade sempre encontre seu caminho, mesmo que isso signifique abalar algumas estruturas. Lembre-se, a transparência é o melhor disfarce!
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