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AS CASAS DA MÃE JOANA – 1ª PARTE

Os poderes da república “delegaram” a um único juiz o papel de ”interventor” da sociedade brasileira

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
20/03/2025 às 13h38 Atualizada em 20/03/2025 às 14h03
AS CASAS DA MÃE JOANA – 1ª PARTE
Antônio Cruz - Agência Brasil

Para não desperdiçar seu interesse para o que quero dizer, vou dividir este artigo em duas partes, dois artigos distintos. No primeiro, vou falar o que preciso a respeito das “Casas da Mãe Joana”, me atendo aos fatos mais contemporâneos. No segundo (deixarei o link no final), se quiser ler, tratarei mais em detalhes do porquê de serem “Casas de Mãe Joana”. Apesar de questões absolutamente conexas, não quero cansar sua paciência e deixo a seu critério ler ou não ler.

A origem da expressão é portuguesa, nada mais adequado. Significa lugar sem ordem, confuso, desorganizado ou onde vale tudo. Nada mais adequado para definir os locais onde as leis do Brasil são definidas, mas, principalmente, onde são definidas, chanceladas e realizadas as piores maracutaias da república.

Haverá quem diga que não é só no Congresso Nacional que tais absurdos acontecem, e é verdade. Mas é também verdade que, tendo a função de criar leis, fiscalizar o poder executivo e promover o impeachment de ministros do STF, é justamente daí que deveria vir não só o exemplo, como também a garantia de lisura no comportamento dos três poderes da república, o que estamos para lá de cansados de saber que não acontece.

Sabemos que nada disso acontece, e que desde a redemocratização do Brasil a situação se agravou de tal maneira que nos acostumamos a entender que a promiscuidade entre os poderes era a normalidade. Tal entendimento, no entanto, começou a mudar com as revelações da Lava Jato e ficou mais intenso com a eleição de Jair Bolsonaro e a maneira como os poderes passaram a agir desde então.

O que até então acontecia nos bastidores, com manobras escusas executadas ao apagar das luzes, ou em jantares e convescotes dos quais não tínhamos notícias, ou quando tínhamos não sabíamos distinguir o que era ou não republicano, passou a acontecer a luz do dia, jogando luz, muita luz, sobre os autores intelectuais e executores dos planos do “Sistema".

Muito graças à internet, passamos a ver e interpretar com clareza o que fizeram ministros do STF em conluio com senadores e deputados federais para impedir que Jair Bolsonaro pudesse governar. Da mesma maneira, pelos atos dos mesmos personagens, vimos a destruição completa da Lava Jato, a criminalização de seus operadores e um arranjo ilegal, inconstitucional e, acima de tudo, imoral que tirou Lula da cadeia para colocá-lo de novo na presidência da república.

Não bastasse a refundação do conceito de justiça, que permitiu que tudo acontecesse, vimos a Constituição Federal ser relegada a um amontoado de “letras mortas” e a total relativização dos fundamentos da república e da democracia, exatamente por quem tinha como única função e razão de existir fazer com que as leis, direitos e deveres de todos, fossem preservados.

Políticos foram, e são, perseguidos, criminalizados e cassados por crimes que sequer existem no ordenamento jurídico brasileiro, e nem mesmo no conjunto de leis da esmagadora maioria das democracias mundo afora. E não fica nos políticos. Jornalistas e cidadãos comuns são censurados, perseguidos, criminalizados e julgados, diretamente, em última instância, por crimes inventados ou por atos interpretados ao bel-prazer de canetas monocráticas e tirânicas.

Os poderes da república “delegaram” a um único juiz o papel de ”interventor” da sociedade brasileira, com o poder de interferir na vida de 200 milhões de brasileiros sem ter que prestar contas a ninguém. Inquéritos ilegais e inconstitucionais, prisões arbitrárias de pessoas sem crimes, longas prisões preventivas sem denúncia pelo Ministério Público, advogados sem acesso aos autos tendo que defender pessoas sem saber do que foram acusadas.

A única resposta para que esta sequência de situações tenha sido possível está no Congresso Nacional. Somos representados por um amontoado de vigaristas e oportunistas que pouco se importam com o Brasil. Nunca se importaram. Tudo nessas “Casas de Mãe Joana” visa interesses pessoais e de grupos representados por senadores e deputados federais. A despeito de quaisquer discursos, os interesses da população brasileira nunca entram na equação. Tudo é poder e dinheiro.

Senadores e deputados federais, na sua imensa maioria, estão amarrados ao executivo e ao judiciário, o tempo todo priorizando os interesses do “Sistema” em detrimento das necessidades do povo. Centenas de projetos de lei e emendas à Constituição Federal, talvez milhares, ficam engavetados por sucessivas presidências do Senado Federal e da Câmara dos Deputados. São diversos temas que poderiam mudar significativamente a vida dos brasileiros, mas que também impossibilitariam que a “indústria de maracutaias” continuasse a funcionar.

Ver o Congresso Nacional funcionando apenas como um departamento arrecadatório e carimbador das vontades do judiciário e do executivo é constatar a falência moral da república brasileira, o que só acontece por ser composto de duas casas cujos ocupantes são medíocres, oportunistas e dependentes de uma organização criminosa que os protegem de seus crimes pessoais.

E se na definição de “Casa de Mãe Joana” há algo que realmente serve para entendermos sua utilização quando nos referimos ao Congresso Nacional, o “Vale Tudo” é o significado mais correto.

Caso queira, para ler a Parte 2 desse artigo, é só clicar aqui!

 

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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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