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O ANISTIADO QUE NÃO QUER ANISTIAR O IRMÃO

A fatura divina demora, mas chega.

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
18/02/2025 às 04h51 Atualizada em 18/02/2025 às 07h27
O ANISTIADO QUE NÃO QUER ANISTIAR O IRMÃO

O ANISTIADO QUE NÃO QUER ANISTIAR O IRMÃO 

 

No capítulo 18 do livro de Mateus, encontra-se um modelo de conto instrutivo (parábola) que incentiva a prática do perdão ao próximo.Este perdão, dessa vez, não está atrelado a um ato simples de esquecer ofensas, mas reside explicitamente no fato de que o perdoador já foi perdoado de pecado muito maior do que o daquele que o ofendeu. Na estória, o homem que foi perdoado de dívida impagável, é castigado severamente por ter esquecido da misericórdia que recebeu e por ter negado a extensão dessa graça ao seu próximo, ou seja, negou o perdão a alguém que lhe devia insignificante quantia. 

"Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu conservo, como eu também tive misericórdia de ti?" Mateus 18:33

E saltando desse contexto de conto pleno de pedagogia e ludicidade, mas trazendo o para os dias hodiernos, eu gostaria muito de poder adjetivar alguns indivíduos da sociedade brasileira,  como portadores de profunda dissonância cognitiva ou de uma ingenuidade pueril. O que seria, na verdade, apenas uma fuga inteligente indicada por Rousseau (o homem nasce bom) por não aceitar a inegável falência moral de alguns seres, que, apenas por ocasião do vício de linguagem, continuamos chamando de humanos; quando, na verdade, são espíritos malignos encarnados, oponentes de Deus, eivados de ódio e detratores de tudo que se convenciona como correto ou moral. Deste modo, a contragosto, me vejo obrigado a encarar essa realidade que, ultimamente, tem sido sádica, cruel e autoritária.

Quando Jesus disse: "Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem" alguns segundos antes de morrer, Ele não estava dizendo que havia uma ação de inconsciência de seus detratores, mas se referia ao contexto macro de sua missão, que eles não entendiam.

No contexto atual do nosso país, me parece ocorrer o mesmo. Uma boa parte do Brasil, acredita ou finge acreditar que @jairbolsonaro é um criminoso e que seus eleitores e apoiadores são realmente, golpistas, fascistas, etc.

Enquanto democrata, acho que todas as pessoas têm o direito de expressar sua opinião, ainda que não haja qualquer relação com a realidade. Contudo, quando se percebe um esvaziamento de humanidade na exposição da opinião e, esse mesmo grupo de pessoas, começa a sentir prazer na destruição das vidas de pessoas, que são, notadamente inofensivas à sociedade, que colaboravam com os impostos e que nutriam grandes interações sociais, é hora de dar um basta.

No aspecto social atual da nação brasileira, há uma carnificina moral e social em curso e, os que diziam buscar um mundo "igualitário" e comum a todos, são exatamente os que riem da desgraça alheia e da escalada de injustiça atual; não somente riem, mas aprovam e torcem para que o espetáculo de horror continue. Essas são as pessoas de esquerda do Brasil. Não vou generalizar, mas muitas pessoas de esquerda, são como aquele perdoado que não perdoa.

No governo de João Figueiredo, a lei da anistia (n°6.683- 28.08.1979) foi aprovada e deu o direito aos criminosos de esquerda de receberem o perdão total e irrestrito e, os direitos políticos de volta. Uma das pessoas perdoadas, foi o comerciante conhecido como Carlos Henrique Gouveia de Mello [José Dirceu], mentor intelectual do PT e do governo atual.
Ou seja, Dirceu foi anistiado em 1979 e recentemente, Gilmar Mendes o anistiou de novo de condenações da lava-jato. Muitas pessoas de esquerda foram beneficiadas pela ANISTIA e chegaram ao poder, tanto no executivo como no legislativo. Outras se tornaram referência artística, cultural e intelectual no Brasil.

É essa mesma esquerda, beneficiada com a anistia de 1979, que persegue e apoia a censura, a prisão, o bloqueio de contas e apreensão (cancelamento de passaportes) de bens de brasileiros que não cometeram crimes políticos, mas apenas fizeram críticas duras ao sistema político ou jurídico do Brasil. 

Essas pessoas podem estar sendo influenciadas por agentes que se consolidaram como portadores da verdade, na imprensa. Talvez também por isso, persista esse meu dilema de não acreditar prontamente que pessoas do meu país(ainda que adversárias políticas), possam atingir tão baixo nível de desumanidade. Eu, sinceramente, me recuso a acreditar que meus compatriotas estejam doentes e cruéis a tal ponto que sejam como aqueles que diziam: "crucifica-o, crucifica-o; que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos". Prefiro acreditar que exista uma parte dessas pessoas, que acreditem ingenuamente nas narrativas ditas na TV e nos tribunais parciais. 

E digo isso porquê eu já me deparei com vídeo de jornalistas, fazendo uma narração entusiasta do atual estado brasileiro, e eu não tive nem estômago para continuar ouvindo. Eles vão criando uma teia interpretativa extremamente baixa no que tange a argumentação, mas demonstrando crer no que dizem. Assim, vão conduzindo uma quantidade significante de expectadores, com uma hermenêutica de justiçamento, usando epítetos pejorativos e torcendo para que o que projetam aconteça com brevidade. São elucubrações e anedotas similares a conversa de bêbado. E este é apenas um exemplo, mas há muitas pessoas que compõem a formação da opinião pública através da imprensa e que brincam com a verdade – e adoecem pessoas com interpretações eivadas de ironia – e torcida velada pela completa desgraça de qualquer um que ouse discordar delas.

Não é concebível que o Brasil continue sendo conduzido pela mídia tradicional ao matadouro, sendo mais específico, para uma guerra civil. E isso não é uma hipérbole. O Brasil caminhará para um derramamento de sangue se continuar aceitando ou avalizando as inúmeras injustiças e a perseguição jurídica contra pessoas sabidamente inocentes. E a televisão, fará o mesmo que faz nos territórios em guerra, vai enviar repórteres para fazerem as matérias e noticiar a quantidade de baixas, aumentando a audiência. Talvez seja isso que buscam.

De repente, você está tão concentrado em uma narrativa, o ódio te dominou tanto que você não viu que a sua humanidade já foi para o lixo e você não percebeu o que está acontecendo no "macro". Criou-se um pretexto, para se cometer crimes em nome de "defender a democracia". Esses crimes variam de caso a caso. Eles podem ser prisões arbitrárias, buscas e apreensões sem qualquer embasamento jurídico, censura prévia temporal, que depois vira ad eterno; manutenção de prisão por vários meses sem acusação formal, desobediência ao ministério público em relação a relaxamento de prisão. Contudo, isso ainda não é o pior. O mais constrangedor é constatar o silêncio de vozes tão falantes outrora. Em vez de a escalada contra a liberdade de expressão merecer palavras de protesto, o que vemos são comerciantes da neoditadura fazendo anedotas e louvando o totalitarismo, avalizando as ações do ditador-mor como se estivessemos vivendo no paraíso democrático e como se o atual presidente fosse um pacificador. Não há um dia sequer em que uma autoridade do governo não se dedique à tarefa de criminalizar a opinião dos que não rezam segundo a cartilha do “são todos golpistas”. 

O país, na minha modesta opinião, está sendo colocado nos moldes da revolução comunista-socialista, onde o laboratório principal (que já está instalado) é a desmoralização do estado democrático de direito pelo próprio estado, numa espécie de implosão de valores e princípios morais e dos ritos democráticos, causando uma sensação de descrença nas instituições e de impotência da sociedade brasileira a tal ponto que, estando como um animal selvagem acuado, pessoas surjam com movimentos (como daqueles criminosos infiltrados na manifestação do 8 de janeiro de 2023) que irão sugerir uma ação antidemocrática. O que servirá como pretexto para agentes do "novo estado" entrarem com o seu aparato de repressão nos moldes de Cuba, Venezuela, Coreia do Norte e China e, após matarem, torturarem e prenderem os insurgentes, reescreverem a história política do país, colocando para sempre no limbo da história, rechaçando e criminalizando todo pensamento cristão/conservador. Tudo isso sendo narrado e filmado pela imprensa. Claro que não é a imprensa livre, mas a imprensa do governo. Pode parecer algo mirabolante, mas se você tivesse a oportunidade de entrevistar a pincesa Isabel na França antes de sua morte, ou D.Pedro II, você ia entender que encontrar uma narrativa para exilar pessoas e vozes dissonantes, não é um privilégio dessa era.

Talvez você se pergunte: mas qual instituição está desacreditada?
Bem, são muitas:


– É visível que o exército brasileiro não goza mais da credibilidade que tinha. Primeiro porque após estudar vários anos acreditando que as forças armadas de 1964 livraram o Brasil, acreditava-se que durante aqueles meses de novembro e dezembro de 2022, o exército fosse interferir e exigir transparência das eleições. Não aconteceu. O pior mesmo foi depois do 8 de janeiro de 2023, onde o povo se sentiu traído.


– A polícia federal, depois de 2022, tem-se a impressão que virou o cão de guarda do atual mandatário e que obedece ordens ilegais. Uma polícia que sempre foi xodó do Brasil, também não goza de credibilidade como antigamente.


– O congresso nacional, sobretudo o senado federal, está em completa decadência diante do povo brasileiro. São raras as exceções.


– O TSE, o tribunal eleitoral do país, pelo menos durante a gestão Moraes, não goza de nenhum prestígio e inclusive tem sido motivos de matérias de jornais internacionais. O tribunal é visto como totalitário, parcial e um agente de censura prévia.


– A suprema corte do país é a que mais perdeu credibilidade nos últimos anos, mas não pela instituição em si, mas por alguns de seus integrantes. A sensação de que a corte não é imparcial e que opera privilegiando claramente o pensamento progressista que é a minoria do povo brasileiro. Há inúmeras razões mais profundas para justificar essa descrença popular na corte, mas não cabe aqui.
De todo modo, esse combo é o ideal para se instalar a ditadura do narco estado bolivariano que já opera na América do Sul.

O curioso é que quando você expõe e explica essa ação coordenada, alguns aparecem rindo e achando que estão contrapondo, usam de pretextos irônicos como se tudo isso fosse fruto de imaginação ou de teoria da conspiração. Talvez ingenuamente, muitos acham que as atuais ações repressoras e totalitárias, são justificáveis. O gatilho da escravidão continua presente em alguns genes brasileiros. Eles não percebem, pelo menos me parece, que toda engenharia social visa controlar a sociedade na totalidade. Mas sabe-se lá por que cargas d'água, eles pensam que pelo fato de não serem atingidos agora, nunca serão. Ou o ingênuo sou eu, eles sabem de tudo e é o que realmente desejam para si e para o país?

Pode ser que eles sejam também parte do "novo estado" revolucionário que canta: "Se cuida, se cuida, se cuida seu fascista, a América Latina vai ser toda socialista"

Eu acredito no Deus de Abrão e acredito no povo brasileiro. Não nesse povo que foi beneficiado pela anistia e grita "Sem anistia".

Eu acredito no Brasil solidário, cristão e misericordioso. Acredito nas pessoas que sabem levar as divergências no humor, nas piadas e que convivem com o diferente, semalmejar qualquer espécie de justiçamento apenas para alimentar o ego. Esse não é o Brasil que me formou. Acredito que alguém no Câmara dos Deputados e no Senado do Brasil, vai se levantar e reaver todas as injustiças que estão destruindo vidas e, vai dar um basta nesse tempo estranho. Quem sabe se essa nova presidência não avance com isso? Eu creio que até aqueles que não estão sendo atingidos por essa locomotiva de opressão mental, física e psicológica, em algum momento, vão se despertar e concordar comigo.

Talvez, até agora mesmo, ao lerem sobre o teólogo e pastor protestante alemão Martin Niemöller (1892-1984). Ele inicialmente gostava do nazismo. Mas quando percebeu quem era Hitler e o que pretendia, tentou dar-lhe alguma luz de equilíbrio. Não obtendo êxito, mudou de lado e fez uma oposição clara ao regime de Hitler. Sendo processado em 1938 e enviado para o campo de concentração de Dachau, onde permaneceu até o fim da guerra. É dele o famoso texto a seguir:

"Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar."
__Martin Niemöller

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA! ( Eduardo Alves da Costa)
Acorda Brasil!

Pela pacificação do país e pela retomada da ordem constitucional, Anistia para os presos do 08 de janeiro de 2023.

No dia 25 de fevereiro de 2024, um ano depois da invasão e depredação de prédios dos 3 poderes em Brasília, Jair Bolsonaro defendeu veementemente a anistia para os presos do 8 de janeiro de 2023, sugerindo que o Brasil seria pacificado assim. No mês passado (22 de janeiro de 2025), em lágrimas, Bolsonaro conclamou clemência de Alexandre de Moraes para os pais de família que estão presos ou exilados, afim de evitar um mal maior: "órfãos de pais vivos". Contudo, parece que as autoridades brasileiras e, até o próprio atual mandatário, que já foi beneficiado pela justiça brasileira, apostam no caos como ferramenta de poder e controle. 

Neste 17 de fevereiro de 2025, Jair Bolsonaro, mais uma vez, fixou uma manifestação em todo o Brasil para 16 de março de 2025(cinco dias antes de completar seus 70 anos), para pedir novamente a Anistia para os presos do 08 de janeiro. 

É por parte do Parlamento brasileiro, é uma ANISTIA para aqueles pobres coitados que estão presos em Brasília. Nós não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos. A conciliação, nós já anistiados no passado, quem fez barbaridade no Brasil”
__ Jair Bolsonaro.


Sergio Junior

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

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