
Perdoe-nos por não aceitar a sua superioridade ética e moral. É humilhante demais para nós; por isso te fizemos tanto mal. Te fazer desaparecer é o grito de ira e frustração de quem sabe que é inferior. Pois ousastes, numa era vil, desafiar nossa elite, sendo elã, sendo motivação, sendo amor.

E assim, tal como a antes desconhecida e congelada corrente, que, aquecida no alto da montanha, se transforma numa torrente. Vieste com paixão ontológica, quebrando barreiras, regando sementes. Alegrastes o campo e a cidade, dando vida e esperança a muita gente.
E se agora, impedido estás de desaguar com a mesma glória, já criaste teu leito e teu espaço, já fizeste história. Quem ousaria te apagar da memória? És rio, imparável, imponente e arredio. Tu lavastes muita sujeira, devolvestes nosso esquecido brio. Se nós estamos conectados, você foi o fio.
Mas o que te faz ser eternizado, além de tudo que tens feito, é essa força que demonstras ao expor nosso defeito. E não o fazes por maldade, mas por essência. Tua garra, tua coragem, expôs nossa incipiência.
És rio límpido e bravio, mas tens outros braços: um tão forte como tu, outro rígido como aço. E o teu primeiro, que deste a missão de levar a sua água mais adiante, é calmo, pacífico, forte, mas tranquilizante.

E talvez essa seja tua maior qualidade: ser corajoso e paradoxal, dócil e. controverso, complexo e imaginário. Assim sendo, refletes a verdade humana sem filtros: és duro e hilário. Libertastes os peixes para teu rio, quebrando o nosso aquário. Revelastes nossa maldade e nossa força, que escondíamos no armário. Por isso te odeiam e te amam: você é louco demais, Jair Bolsonaro.
Sérgio Júnior
sergiojunior.com