
GLENN, O HOMEM QUE EXPÕE FALSAS VIRTUDES.

Em 9 de junho de 2019, numa noite de domingo, o site Intercept e o jornalista americano @ggreenwald ficaram conhecidos no Brasil por supostamente desmascararem a cara ou o real objetivo da maior investigação policial do país: a "Operação Lava Jato".
Naquela época, mesmo depois de terem sido confirmadas as acusações de corrupção ativa e passiva do estado brasileiro e, depois de muitas condenações e prisões, inclusive a de Luiz Inácio Lula da Silva(atual presidente do Brasil), ainda assim, Glenn Greenwald deixou uma mancha "Green" na operação lava-jato. O fato é que as conversas de bastidores reveladas entre os juízes e desembargadores demonstraram um uso político do sistema de justiça do país, deixando exposta a imparcialidade dos operadores do direito. Sobretudo as conversas do então desembargador, Deltan Dallagnol com o ex-juiz Sergio Moro.
Parece que 5 anos depois, os astros, a sorte ou o trabalho profícuo do combativo jornalista lhe deram novamente o troféu de "desmascarador de falsas virtudes".
Dessa vez se trata da pessoa mais conhecida do judiciário brasileiro atualmente e que é acusado de lawfare e uso político do judiciário: Alexandre de Moraes.

Em 13 de agosto de 2024, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem revelando um escândalo judiciário envolvendo mensagens de WhatsApp de assessores do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando informalmente que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) produzisse relatórios sobre os investigados nos inquéritos das fake news e das milícias digitais.
As mensagens teriam sido trocadas entre agosto de 2022 e maio de 2023 — ou seja, durante e depois da campanha eleitoral que levou à vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e à derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O jornal @folha afirma ter 6 gigabytes de mensagens e arquivos trocados via WhatsApp e garante que não obteve o material por meio de hackers ou interceptação ilegal.
Alexandre de Moraes foi presidente do TSE entre agosto de 2022 e maio de 2024
Embora o STF e o TSE tenham uma forte relação institucional, incluindo a presença de ministros do STF na composição da corte eleitoral, eles são cortes independentes.
A Folha de S. Paulo afirma ter mensagens mostrando o pedido informal de produção de relatórios pelo TSE em pelo menos 20 casos.
A maioria das mensagens, reveladas pelos jornalistas Fabio Serapião e Glenn Greenwald, foi trocada por Airton Vieira, juiz de instrução do STF, e Eduardo Tagliaferro, então chefe da Assessoria Especial de Combate à Desinformação do TSE.
Algumas mensagens reveladas mostram que Moraes e assessores solicitaram a produção de um relatório sobre o economista Rodrigo Constantino, apoiador de Bolsonaro, com base em suas postagens nas redes sociais.
Em novembro de 2022, Airton Vieira enviou a Eduardo Tagliaferro um print de uma conversa com Moraes em que o ministro pedia:
"Peça ao Eduardo para analisar essas mensagens [de Constantino] para vermos se podemos bloqueá-las e aplicar uma multa."
Vieira pede que Tagliaferro "faça um bom trabalho" no relatório. Segundo o jornal, em nenhum dos casos foi formalizado que os relatórios do TSE tenham sido produzidos a pedido de Moraes ou do STF — diz-se que foram resultado de uma ordem de um juiz auxiliar do TSE ou de uma denúncia anônima.
Na quarta-feira (14/08/2024), a Folha de S. Paulo publicou outra reportagem com base nas mensagens a que teve acesso. O texto detalha situações em que assessores de Moraes, a pedido do ministro, solicitam investigações específicas para fins de determinadas punições, como multas ou bloqueio de contas em redes sociais. Entre os relatórios solicitados em nome do ministro do STF estão pesquisas sobre o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro; a juíza Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região; e sobre a revista Oeste e outras "do mesmo estilo".
fonte: https://www.bbc.com/portuguese/articles/clygn0zz9rmo
Sergio Junior