
O ACROBATA E O TRAMPOLIM

Normalmente, os olhos dos leigos observadores se fixam no mergulho do nadador e aplaudem efusivamente quando a cabeça do "atleta" reaparece na superfície da água. Mas os olhos analíticos dos que darão a nota, procuram observar os mínimos detalhes das acrobacias, a posição e o controle do corpo do acrobata durante a viagem até a introdução dos braços e da cabeça na água.
E o próprio atleta(se for ainda humilde) corrige a trajetória do mergulho ou seu professor ajusta a postura, reforça as instruções para que tudo saia perfeito. E lá vai o acrobata repetir mais um mergulho no afã de alcançar a perfeição.
Seja apenas nos treinos ou nas competições, esse é o ritual.
Nesse cenário, talvez pela emoção que o barulho dos mergulhos causa no torcedor, ou pela concentração do juiz na performance do atleta, há algo que é sempre desvalorizado ou esquecido: o trampolim.
Sobretudo, se for daqueles antigos e de madeira resistente, ninguém dá o devido valor.

A natureza do trampolim é estar ali, sempre presente e resistente; nao importa o peso do mergulhador, dia e noite, sol e chuva, o velho trampolim está ali, fazendo o que sempre fez na vida: impulsionar. Sem usar nenhum critério de seleção, ele impulsiona.
Mas o fato do trampolim estar sempre de prontidão para elevar o próximo "mergulhador", termina banalizando a sua própria existência. A pergunta que fica é: e se o trampolim quebrar?
No entanto, há mergulhadores que são mais atentos ao percurso e têm percepção ontológica, e sempre dão uma olhada atenciosa na "tábua", observam as rachaduras, fazem um carinho ou tocam e beijam fazendo o sinal da cruz, e entendem que aquela "peça" é fundamental para a sua vida e é responsável por boa parte do seu sucesso.
No Brasil, temos muitos acrobatas. Alguns, não tinham a menor possibilidade de ganhar nem em treino, quanto mais em competição. Conseguiram dar um salto perfeito e, outros nem tanto, mas por causa da força do trampolim, conseguiram os aplausos da multidão e se classificaram. Muitos deles foram embora e encheram a piscina de lixo, e jogaram lama no trampolim tentando provocar acidentes nos mergulhadores que permaneceram. O trampolim foi limpo e está tudo bem.
Nessa minha alegoria arcadista, @jairbolsonaro é o trampolim, as águas é a política, e a plateia é o povo brasileiro.
Os mergulhadores são jornalistas apáticos que nunca tiveram audiência, mas começaram a falar bem ou mal do "trampolim" e ganharam notoriedade. São Youtubers que não tinham a menor chance de ganhar 50 seguidores, mas começaram a falar do "trampolim" e foram impulsionados nas redes.
Até juízes que passariam despercebidos, subiram no "trampolim" e não querem mais sair. Os mergulhadores ingratos são esses jovens revolucionários da internet, que todos os dias falam mal do trampolim para monetizar. E acham que conseguiriam tamanho sucesso se não houvesse a figura do velho trampolim.
Até Haddad mergulhou na piscina usando o trampolim para tentar escapar do exame antidoping da CNN.

Há mergulhadores novos e velhos da política, que usaram tanto, que desgastou a "velha tábua". Eles usaram e abusaram, e agora, cospem no prato que comeram ou "na tábua que tanto ajudou".
Eu, daqui da minha janela, fico observando o movimento de entra e sai do clube, eu moro no 22° andar e tenho uma visão privilegiada.
Na minha humilde opinião, dado o aumento do fluxo de mergulhadores, acho que deveria haver uma exigência maior para a entrada dessas pessoas no "clube". Acho que deveria haver alguém fazendo uma triagem e uma vigilância do acesso ao trampolim e, o valor do ingresso deveria ser mais caro.
Muitas dessas pessoas só querem dar um mergulho usando a tábua velha e depois ainda saem falando mal. Quer ser acrobata?
Pague o ingresso, fale bem, não se esconda e defenda publicamente quando necessário.
Eu me candidato à fazer uma vigilância severa desses mergulhadores e acrobatas de ocasião. Há alguém disposto a trabalhar no meu plantão?
Sergio Junior