
A história nos oferece contrastes que, em sua essência, beiram o absurdo. Eleanor Roosevelt, primeira-dama dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, enfrentava desafios de proporções titânicas. Enquanto milhões de jovens eram enviados ao front, ela estava lá, visitando hospitais, consolando mães aflitas e costurando, com sua voz e ações, a moral de uma nação em crise. Ela recebia mães de soldados desaparecidos com empatia genuína, sem câmeras ou espetáculo, numa demonstração clara de que o papel da primeira-dama era estar ao lado do povo, não acima dele.
Do outro lado do espectro, temos Janja da Silva, nossa digníssima primeira-dama brasileira. Um exemplo recente de sua contribuição ao cenário nacional? Não foi visitar famílias desabrigadas ou organizar esforços humanitários robustos em resposta a catástrofes naturais. Não, o auge de seu ativismo em tempos de tragédia foi a espetacularização do resgate do Cavalo Caramelo durante a enchente no Rio Grande do Sul. Enquanto pessoas perdiam suas vidas, casas e esperanças, Janja parecia mais preocupada em transformar o pobre animal em símbolo de seu “humanismo performático”.
Não que o Cavalo Caramelo não merecesse ser salvo – todo ser vivo merece dignidade. Mas a prioridade dada ao episódio revela algo perturbador: para Janja, o espetáculo muitas vezes se sobrepõe à substância. Enquanto Eleanor se preocupava com soldados desaparecidos em combate, Janja faz proselitismo em cima de um resgate pontual, como se fosse o suficiente para mascarar a inação em relação às pessoas que literalmente afundam no caos brasileiro.
E assim seguimos, com uma primeira-dama que se transforma em influencer de si mesma, percorrendo o mundo em eventos luxuosos e defendendo causas que se limitam ao discurso, enquanto o brasileiro comum luta pela sobrevivência. Janja, afinal, não é Eleanor Roosevelt – não em propósito, nem em substância, e certamente não em prioridades. A história reserva julgamentos severos para quem negligencia seu papel, mas, no caso do Brasil, o julgamento talvez seja mais cômico do que trágico. Afinal, quem precisa de soldados quando se tem um cavalo… e um burro para serem amparados pela primeira dama?