
A política brasileira é um jogo de sobrevivência onde o fisiologismo é mais que um recurso; é um instinto de autopreservação. No teatro ideológico que divide a sociedade entre direita e esquerda, a ideologia não passa de um escudo conveniente para acomodar aliados de todas as cores. No entanto, bastidores contam outra história. Quando Tarcísio nomeia alguém do PT para uma sindicância da PM, a direita militante reage como se fosse um crime de lesa-pátria. Não é. É estratégia. Porque, sem essa flexibilidade, o sistema o esmagaria. O que deveria escandalizar não é a nomeação, mas a ingenuidade de quem ainda acredita que governar é escolher lados.
A militância, intoxicada pela narrativa de uma separação absoluta entre esquerda e direita, não tolera nuances. Mas Tarcísio, um técnico por excelência, entende que a sobrevivência política exige pragmatismo, mesmo que isso signifique surfar entre adversários. Bolsonaro, por outro lado, parece perdido no tempo, relutante em dar o passo necessário para dialogar com a esquerda. Enquanto isso, Valdemar da Costa Neto, o eterno negociador, assume o trabalho sujo, consolidando alianças que fazem estômagos revirarem. Mas será que existe outra saída? Talvez seja hora de aceitar que, no Brasil, os extremos não sobrevivem sem abraçar o fisiologismo que tanto criticam.
A ilusão de que Lula é comunista é um exemplo claro de como o público foi ludibriado. Lula não é comunista; é corrupto. E, se estivesse no Partido Comunista Chinês, já teria experimentado o sabor do paredão. Mas no Brasil, corrupção é uma arte, e Lula a domina com maestria. O problema é que até a esquerda está envergonhada dele. O general Braga Netto captou rápido a dinâmica do jogo: ao buscar um advogado ligado ao PT, seguiu a lógica de quem entende que, para sobreviver no Brasil, é preciso saber jogar em todos os tabuleiros.
Enquanto isso, Bolsonaro e sua base enfrentam dois inimigos: os opositores implacáveis e a própria militância que criaram. Essa militância, alimentada pela fantasia de pureza ideológica, não aceita o fisiologismo como regra do jogo. É um monstro que devora seus criadores, incapaz de enxergar que, no Brasil, alianças espúrias são o preço da sobrevivência. Talvez seja hora de admitir que a política nacional, com toda sua podridão, é uma dança onde ninguém escolhe a música, mas todos têm que aprender a dançar. E, nesse baile, o fisiologismo não é um defeito; é uma condição sine qua non.
Dar um passo atrás, mesmo que momentâneo, não é o fim do mundo; ao contrário, pode ser essencial para ganhar impulso. Em tempos futuros, isso permitirá uma reflexão mais madura, inclusive sobre o tão criticado fisiologismo que, gostemos ou não, faz parte do jogo político no Brasil.
Enfim, eu prometo fechar os olhos para os acordos espúrios… e tomar uns Engov.