
A FLECHA DO IRACUNDO SEMPRE MATA O CARENTE DE ESPETÁCULO
Na da Idade Média e na Renascença, um grupo de pessoas muito habilidosas sempre realizavam shows, com vários músicos, palhaços treinados e alguns animais e encantavam o público.
Eles tinham capacidades que inebriavam os fiéis e convenciam as pessoas a comprarem produtos e supostos serviços “milagrosos” para curar doenças; eram os charlatões. Os talentosos usavam um vernáculo escorreito, mas enganoso e mentiroso.
Essa indústria rentável, que iludia os neófitos espectadores, evoluiu. Hoje está presente nos programas místicos na televisão, nos discursos ilusionistas e retóricos da internet, nas palestras de destravamento emocional e nos discursos de políticos messiânicos. Esses aproveitadores utilizam técnicas de comunicação, de marketing e propaganda, que hipnotiza a plateia com emoções estólidas e gatilhos psicológicos primitivos, oferecendo soluções fáceis.
E são "experts" em misturar fé, frustração, sugestão, PNL, autoajuda, economia, lacuna emocional e espiritualismo barato, para negativar a capacidade de raciocínio lógico do ouvinte e conseguir vender a ilusão do dia. Na verdade, esses bandidos, são como os iracundos. E o povo, de alma permeável, não entende a gravidade de se expor a flecha do iracundo; por isso, aplaude.
Conta-se que os Iracundos eram um povo cheio de raiva, ódio, intolerância e eram irascíveis. Eles eram fortes, sempre usavam arcos e flechas. Porém, eram cegos e surdos. Ou seja, não adiantava falar ou mostrar nada a eles, pois não viam e nem ouviam. Eles eram tidos como loucos. Os Iracundos perambulavam pelas cidades com seus arcos e flechas, e ficavam em grupos no centro das praças e falavam com as pessoas:
– Por favor, batam palmas!
As pessoas perguntavam:
– Para que bater palmas?
Mas eles não ouviam, então repetiam:
– Batam palmas para verem os malucos dançarem.
As pessoas da cidade se reuniam curiosas nas praças e por estarem carentes de um espetáculo, se sentavam em volta dos Iracundos e obedeciam a eles, batendo palmas.
Os iracundos, então, atiravam flechas para cima e por eles possuírem uma grande força física, as flechas sumiam e desapareciam no ar.
As pessoas carentes de alegria riam e batiam palmas, e eles atiravam mais flechas, embora não ouvissem nada, nem os aplausos, nem a risadaria, atiravam milhares de flechas e as pessoas continuavam aplaudindo e dando gargalhadas.
Quando se passavam algumas horas de apresentações, os Iracundos iam embora e deixavam aquela cidade. Alguns minutos depois, uma flecha caía e acertava uma criança ao lado da mãe. Depois, outra caía e acertava um idoso e as flechas começavam a cair. De repente, a cidade recebia uma chuva de flechas e matava a população quase toda. E os Iracundos já estavam em outra cidade fazendo o mesmo pedido:
– Batam palmas!– e preenchendo aquele momento de lacuna emocional do povo.
Algumas pessoas vão dançar e falar de modo a magnetizar pessoas vulneráveis e suscetíveis. Porém, sempre haverá alguém com um senso crítico apurado, e vão denunciar os fanfarrões, embusteiros, enganadores, mas sobretudo indicar quem são os "iracundos" desse tempo, que pedem ao povo para aplaudir, mas não ouvem e nem veem o povo.
Lançam suas flechas para o alto, fazendo o povo se iludir e até rir por um momento, mas sabem que quando a flecha voltar, quem morre é o povo.
NÃO BATA PALMAS PARA MALUCO DANÇAR!
Sergio Junior