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A FLECHA DO IRACUNDO

Carentes de Espetáculo

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
22/08/2024 às 22h51 Atualizada em 10/09/2024 às 10h28
A FLECHA DO IRACUNDO

A FLECHA DO IRACUNDO SEMPRE MATA O CARENTE DE ESPETÁCULO

Na da Idade Média e na Renascença, um grupo de pessoas muito habilidosas sempre realizavam shows, com vários músicos, palhaços treinados e alguns animais e encantavam o público.

Eles tinham capacidades que inebriavam os fiéis e convenciam as pessoas a comprarem produtos e supostos serviços “milagrosos” para curar doenças; eram os charlatões. Os talentosos usavam um vernáculo escorreito, mas enganoso e mentiroso. 

Essa indústria rentável, que iludia os neófitos espectadores, evoluiu. Hoje está presente nos programas místicos na televisão, nos discursos ilusionistas e retóricos da internet, nas palestras de destravamento emocional e nos discursos de políticos messiânicos. Esses aproveitadores utilizam técnicas de comunicação, de marketing e propaganda, que hipnotiza a plateia com emoções estólidas e gatilhos psicológicos primitivos, oferecendo soluções fáceis. 

E são "experts" em misturar fé, frustração, sugestão, PNL, autoajuda, economia, lacuna emocional e espiritualismo barato, para negativar a capacidade de raciocínio lógico do ouvinte e conseguir vender a ilusão do dia. Na verdade, esses bandidos, são como os iracundos. E o povo, de alma permeável, não entende a gravidade de se expor a flecha do iracundo; por isso, aplaude.

Conta-se que os Iracundos eram um povo cheio de raiva, ódio, intolerância e eram irascíveis. Eles eram fortes, sempre usavam arcos e flechas. Porém, eram cegos e surdos. Ou seja, não adiantava falar ou mostrar nada a eles, pois não viam e nem ouviam. Eles eram tidos como loucos. Os Iracundos perambulavam pelas cidades com seus arcos e flechas, e ficavam em grupos no centro das praças e falavam com as pessoas: 

– Por favor, batam palmas!

As pessoas perguntavam: 

– Para que bater palmas? 

Mas eles não ouviam, então repetiam: 

– Batam palmas para verem os malucos dançarem.

As pessoas da cidade se reuniam curiosas nas praças e por estarem carentes de um espetáculo, se sentavam em volta dos Iracundos e obedeciam a eles, batendo palmas.

Os iracundos, então, atiravam flechas para cima e por eles possuírem uma grande força física, as flechas sumiam e desapareciam no ar.

As pessoas carentes de alegria riam e batiam palmas, e eles atiravam mais flechas, embora não ouvissem nada, nem os aplausos, nem a risadaria, atiravam milhares de flechas e as pessoas continuavam aplaudindo e dando gargalhadas.

Quando se passavam algumas horas de apresentações, os Iracundos iam embora e deixavam aquela cidade. Alguns minutos depois, uma flecha caía e acertava uma criança ao lado da mãe. Depois, outra caía e acertava um idoso e as flechas começavam a cair. De repente, a cidade recebia uma chuva de flechas e matava a população quase toda. E os Iracundos já estavam em outra cidade fazendo o mesmo pedido:

– Batam palmas!– e preenchendo aquele momento de lacuna emocional do povo.

Algumas pessoas vão dançar e falar de modo a magnetizar pessoas vulneráveis e suscetíveis. Porém, sempre haverá alguém com um senso crítico apurado, e vão denunciar os fanfarrões, embusteiros, enganadores, mas sobretudo indicar quem são os "iracundos" desse tempo, que pedem ao povo para aplaudir, mas não ouvem e nem veem o povo. 

Lançam suas flechas para o alto, fazendo o povo se iludir e até rir por um momento, mas sabem que quando a flecha voltar, quem morre é o povo. 

NÃO BATA PALMAS PARA MALUCO DANÇAR!

Sergio Junior

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

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