
Meus pares aprendizes:
Esta será uma das estocadas de mais alto nível que a simulação* sentirá.
Não é via percepção.
Não é via emoção.
Não é via crença.
É através da identidade.
A versão de vós mesmos que todo o vosso âmago acredita ser.
O personagem que a simulação criou para vós.
O avatar.
E aqui está “o pulo do gato”:
Não fostes vós – alguém o escolheu por vossas senhorias e excelências…
Três tradições ancestrais, separadas por milhares de quilômetros e milhares de anos, chegaram à mesma conclusão sobre quem realmente se é.
Uns disseram:
"Não sois uma gota no oceano.
Sois o oceano inteiro numa gota".
Não uma parte do divino.
Não um fragmento da fonte.
A totalidade do divino.
Comprimido num único ponto de experiência.
Já outros o alardearam:
“Quando vos conhecerdes a vós mesmos, então sereis conhecidos e percebereis que sois os filhos do Pai vivo”.
O autoconhecimento é o conhecimento de Deus.
O eu e o divino passam a ser um só.
Mas a Igreja acabaria por retirar este evangelho do cânone.
O ensinamento era muito perigoso para o status quo.
Pois, “se divino, não precisará de uma intermediação”…
De outra sorte, bradaram:
“Vossa consciência individual não está separada da consciência universal”.
A separação é ilusão.
Sempre foi.
Três tradições.
Três vocabulários.
Uma observação estrutural:
Vós não sois a personagem;
Vós sois a consciência que opera a personagem.
A vossa identidade determina quais as crenças que possuis.
As vossas crenças geram os vossos padrões emocionais.
As vossas emoções moldam a vossa percepção.
A vossa percepção direciona as vossas ações.
As vossas ações criam a vossa realidade.
Tudo o que vem depois da identidade é resultado.
Mudai a identidade e toda a cadeia se recalibrará.
Não gradualmente.
Estruturalmente.
É por isso que a identidade é uma estratégia de maior impacto do que a reprogramação de crenças.
Podereis reescrever cem crenças, mas se a identidade que sustenta tais crenças não mudar o sistema regenerá o código antigo.
Uma pessoa que se identifica como pobre pode instalar mil crenças de abundância. Mas se a identidade as sobrepõe: (“Essa não é a minha essência”), o subconsciente descartará a nova instrução porque entrará em conflito com o ”ficheiro mestre”.
A identidade é o “ficheiro mestre”.
Eis o que a simulação faz com a identidade:
Ela atribui-vos uma identidade precocemente.
Antes que a posseis escolher.
Antes que posseis avaliá-la.
Antes mesmo de saberdes que a identidade é uma variável e não uma constante.
A vossa família diz quem sois.
A vossa escola diz do que sois capazes.
A vossa classe econômica diz o que está disponível para vós.
A vossa cultura diz o que é aceitável ou não.
E quando se tem idade suficiente para se conseguir questionar qualquer uma destas coisas, a identidade já estará no comando das operações.
Parece que sois vós.
Parece permanente.
Parece a verdade.
Mas não é!
É só um “papel”.
Atribuído pelo ambiente simulado e aceite por defeito.
E aqui está a parte que a simulação não quer mesmo que descobrireis:
A identidade não é estática.
Não é um fado.
Não!
A pessoa que sempre se identificou como pobre pode optar por começar a identificar-se como rica.
Não fingindo.
Reconhecendo que “ser pobre” era um papel atribuído e não uma qualidade inamovível.
E a trabalhar na mudança, claro está, para alterar a sua condição e instalar uma nova identidade operacional que gere diferentes crenças, diferentes emoções, diferentes percepções, diferentes ações e diferentes resultados.
Cada uma destas mudanças exige muita abnegação.
Trabalho de verdade.
A identidade não se muda por si mesma.
Mudará se se operar consistentemente como uma nova versão até que o subconsciente aceite a atualização.
E a mágica ocorre.
A reforma vira uma realidade.
Esse é o ponto.
A identidade que lhe foi atribuída não é a identidade que estareis condenados a manter.
Vós não sois o vosso corpo.
Vós não sois o vosso nome.
Vós não sois o vosso cargo, o vosso estado civil ou o vosso saldo bancário.
Nem sequer sois a vossa personalidade.
Sois a faísca que escolhe, a todo o instante, o que interpretar.
Tudo o resto são atributos do avatar.
A “ficha e o protocolo da personagem”.
A fantasia que a simulação quis “renderizar” nesta coordenada específica no tempo e no espaço.
Mas vós sois a consciência que “veste a roupa”.
Porque uma pessoa que sabe que é o jogador, e não uma personagem, não poderá ser mais controlada por ameaças a esta última.
Perdeu o emprego?
O jogador cria outra fonte de rendimento.
Perdeu o estatuto?
O jogador constrói novas vantagens.
Perdeu a identidade?
O jogador cria uma nova.
Ser soberano e jamais estar preso ao personagem que lhe foi dado – ponto.
Não estar limitado pelo papel que o ambiente lhe atribuiu.
Não estar limitado pela versão de si mesmo que outrem criou antes mesmo de ter idade para segurar numa caneta.
Vós sois o jogador, o autor, o aprendiz e o Mestre.
Podeis jogar o jogo que ESCOLHERDES jogar.
Eco
* Simulação: Engrenagem talmúdico-saturnina-satanizante em que estamos enredados.