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A resistência em uma política que não para de mudar

Das câmeras ao Congresso, Bibo Nunes chega ao terceiro mandato federal, mantendo suas convicções e seu posicionamento no cenário político gaúcho.

Rodrigo Schirmer Magalhães
Por: Rodrigo Schirmer Magalhães Fonte: opinião
05/11/2026 às 15h07 Atualizada em 05/11/2026 às 15h38
A resistência em uma política que não para de mudar
Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados

O terceiro mandato de Bibo Nunes também merece ser observado sob a perspectiva da renovação política. A cada eleição, novos nomes aparecem, novas lideranças conquistam espaço e diferentes estratégias passam a disputar a preferência do eleitorado. Alguns candidatos crescem rapidamente, impulsionados pelas redes sociais, por movimentos organizados ou por circunstâncias favoráveis. Outros desaparecem tão depressa quanto surgiram.

Permanecer nesse ambiente exige mais do que notoriedade. Exige manter uma base eleitoral, preservar a capacidade de mobilização, sustentar um posicionamento reconhecível e continuar encontrando razões para que o eleitor confie seu voto ao mesmo representante.

Bibo atravessou três eleições federais consecutivas e conquistou três mandatos. Isso não é um detalhe secundário de sua biografia. É um sinal de continuidade em uma atividade marcada pela concorrência permanente e pela instabilidade das preferências políticas. Sua trajetória demonstra que, mesmo diante da emergência de novas figuras do campo conservador, existe espaço para lideranças que construíram sua relação com o público ao longo de muitos anos.

O parlamentar também representa uma geração que conheceu a comunicação política antes da popularização das redes sociais e precisou adaptar sua atuação a um ambiente no qual a informação circula em velocidade muito maior. A experiência diante das câmeras, a familiaridade com a exposição pública e o domínio da comunicação direta continuam sendo características importantes em sua atuação.

Isso não significa que a política deva permanecer imune à renovação. Pelo contrário: a chegada de novos quadros é necessária, oxigena partidos, amplia o debate e oferece alternativas à sociedade. Mas renovar não significa necessariamente descartar tudo o que veio antes. A experiência também possui valor, sobretudo quando acompanhada de disposição para trabalhar, capacidade de articulação e compromisso com as próprias bandeiras.

É nessa combinação entre experiência e permanência que se encontra uma das principais marcas da trajetória de Bibo Nunes.

Um mandato que precisa continuar fazendo história

A política brasileira vive um período de intensa polarização, no qual a identidade ideológica frequentemente determina a maneira como os representantes são avaliados. Bibo não está fora dessa realidade. Sua atuação desperta adesões e críticas, como ocorre com parlamentares que assumem posições contundentes no debate público.

Entretanto, reduzir sua trajetória exclusivamente às disputas ideológicas seria ignorar uma parte importante de sua atuação parlamentar. As iniciativas nas áreas de saúde, proteção social e resposta a calamidades mostram que o trabalho legislativo também precisa ser examinado por suas consequências práticas. Da mesma forma, os compromissos assumidos publicamente devem ser acompanhados, cobrados e avaliados à luz dos resultados efetivamente alcançados.

A proposta que originou a Lei nº 15.379, sancionada em abril de 2026, é um exemplo concreto dessa dimensão legislativa. De autoria de Bibo Nunes, a iniciativa estabeleceu a previsão de inclusão da imunoterapia nos protocolos clínicos e nas diretrizes terapêuticas do câncer quando o tratamento se mostrar superior ou mais seguro que as alternativas tradicionais. A transformação do projeto em lei representa uma conquista legislativa verificável e uma contribuição para o debate sobre o acesso a tratamentos oncológicos no SUS. 

Outro marco é a Lei nº 14.308, de 2022, originada de projeto de autoria do deputado, que instituiu a Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica. A norma estabeleceu diretrizes voltadas ao diagnóstico precoce, ao tratamento, à assistência social e aos cuidados paliativos de crianças e adolescentes com câncer. Trata-se de uma pauta que ultrapassa diferenças partidárias e toca uma das responsabilidades mais importantes do poder público: assegurar atenção adequada aos pacientes e às suas famílias. 

Esses resultados não encerram a avaliação de um mandato, mas ajudam a demonstrar que a atividade parlamentar pode produzir efeitos que vão além da disputa eleitoral. A lei é um instrumento; sua execução e seus resultados concretos são o que, em última instância, justificam sua existência.

Ao iniciar seu terceiro mandato, Bibo Nunes carrega a experiência de décadas de comunicação, a identificação com uma corrente política que transformou o cenário nacional e a responsabilidade de continuar representando os eleitores que lhe confiaram o voto. O desafio agora é fazer com que essa trajetória se traduza em novas entregas, maior capacidade de articulação e resultados que permaneçam relevantes para o Rio Grande do Sul.

A história política não é feita apenas de quem chega primeiro, conquista as manchetes ou protagoniza o debate de uma temporada. Também é construída por aqueles que permanecem, enfrentam as mudanças de cenário e continuam disputando espaço em meio a uma concorrência que nunca desaparece.

Bibo Nunes conheceu o público pelo rádio e pela televisão, tornou-se uma figura reconhecida da comunicação gaúcha e transferiu essa experiência para a vida parlamentar. Das borbulhantes da Pepsi aos corredores de Brasília, sua trajetória atravessa diferentes épocas da vida pública brasileira.

A política se renova, os protagonistas mudam e as eleições impõem novos desafios. Bibo, porém, segue na arena, agora para exercer seu terceiro mandato federal. A permanência, por si só, não é garantia de mérito; é a capacidade de transformar confiança eleitoral em trabalho, posicionamento em representação e propostas em resultados que dá sentido à continuidade.

No fim, é isso que separa uma trajetória construída ao longo do tempo de uma passagem circunstancial pela política: a capacidade de continuar presente, responder às exigências do mandato e demonstrar, eleição após eleição, por que ainda merece representar seus eleitores.

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Rodrigo Schirmer Magalhães
Cientista político pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e um dos fundadores do canal GUERRA da INFORMAÇĀO.
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