
Há épocas em que o mundo exterior se fragmenta e nos molesta.
Planos desfazem-se.
Certas pessoas vão embora.
Os sistemas falham.
O chão que ontem se pisava passa a não existir mais.
Em tais alturas e cenários a mente desestabiliza-se, pois que é talhada a gerenciar o que vê, o que tem e / ou o que possui.
Mas, alinhamento não é gestão.
Alinhamento é harmonizar-se e vivenciar o que não pode ser visto, tido, possuído ou achado…
O caos não é, portanto, o inimigo a abater.
Não se pode falar de luz sem se conhecer a escuridão.
Romantizam-se tanto as estrelas, mas esquece-se que a escuridão é que as torna visíveis e contempláveis…
O caos é, portanto, um campo coexistente e inescapável no qual a alma é convidada a permanecer – estoicamente.
Quando tudo à vossa volta se move sem a vossa permissão ou controle, o único ato de poder que vos resta é regressardes ao eixo que nunca se moveu.
Aquele eixo que reside além da respiração, à margem da historicidade ou biografia, mais silencioso que o pensamento.
É a parte de vós que observou a tempestade a chegar e não titubeou porque já sabia que a intempérie seria apenas um estado passageiro – não a sua identidade ou essência.
Não tenteis combater ou cismar o caos de antemão.
Isso é barganha.
Permanecei dentro dele, se for o caso.
Senti seu bafo contra a superfície da vossa consciência.
E, posto isso, passai a mergulhar numa camada mais funda.
Aí chegados alcançareis o ponto de quietude, a saber:
Não ter ou fazer nenhum juízo sobre a desordem momentânea.
Ela existe e está aí – ponto.
Alinhamento não é impor ordem à desordem.
É tornar-se tão internamente ordenado que a desordem gire em volta sem vos exaurir, consumir ou fazer sucumbir.
O místico não espera que o mundo se apazigue para que ele próprio se torne sereno, pleno e harmonioso.
Ele torna-se na paz que falta ao entorno…
Falai menos com o ruído e mais com o silêncio que o contém.
Não perguntai: “Como é que eu escaparei disto?”
Mas sim: “O que em mim, aconteça o que acontecer, permanece inabalável?”.
Esta pergunta é a chave.
Usai-a sem dó!
Nunca estivestes destinados a controlar a maré.
Vós estais destinados a lembrar de que sois o oceano do qual ela surge e se manifesta.
O caos passará (ou não).
Destarte, aquele que permanece e supera será aquele que escolheu ficar no centro, impávido e intrépido, enquanto o círculo girava.
Alinhando-se...
Eco