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Por que Lula é tão perigoso? Entenda o papel do presidente no complô contra o Brasil

Lula é o cavalo de Tróia da revolução socialista no país.

Rafael Barretti
Por: Rafael Barretti
30/10/2026 às 22h53
Por que Lula é tão perigoso? Entenda o papel do presidente no complô contra o Brasil
Reprodução

No início da década de 1980, o empresário Emílio Odebrecht enfrentava problemas com o sindicato. 

Uma refinaria que ele estava construindo havia sido travada por uma greve e parecia quase impossível negociar uma saída.

Foi nesse contexto que o ex-governador de São Paulo, Mário Covas, sugeriu que ele tentasse conversar com um dos maiores chefes sindicais da época, Lula.

Famoso por liderar as grandes greves dos metalúrgicos na região do ABC, Lula já era uma figura admirada e defendida pela esquerda na época.

Preocupado em tentar resolver seus problemas, Emílio procurou saber mais sobre aquele homem fascinante com um amigo do governo.

Seu contato era Golbery do Couto e Silva, o criador do Serviço Nacional de Informação (SNI), órgão do regime militar responsável por coletar informações sobre pessoas de interesse.

Assim que o empresário falou sobre o sindicalista, Golbery respondeu:

“Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant". 

Aquele foi o início de uma amizade que duraria décadas e chegaria aos noticiários através de um dos maiores escândalos de corrupção da história do país, descoberto pela Operação Lava Jato.

No mesmo depoimento em que contou isso, Odebrecht fez questão de acrescentar que concordava com a frase do militar:

“É verdade, ele gosta da vida boa, uma cachacinha... A coisa que ele mais quer é ver a população carente sem prejuízo, essa é a visão mais correta dele. Não é tirar de um para dar ao outro, não, como pode, aquele que pode, ajudar o outro a crescer”.

Essa não foi a primeira e nem a última vez em que aliados do presidente disseram que ele não tem nada de esquerda.

Rui Costa Pimenta chegou a dizer que Lula, assim como a maioria dos sindicalistas, não tinha ideologia e destacou que ele teve um papel fundamental para o fim das greves do ABC.

O sociólogo Chico Oliveira, um dos fundadores do PT que migrou para o PSOL, chegou a dizer que “Lula não tem caráter” e é “muito mais esperto do que as pessoas imaginam”.

O próprio presidente nunca escondeu que não é exatamente um radical de esquerda. Ele já chegou a elogiar o regime militar, em especial o governo Médici em mais de uma oportunidade.

“O Medici que foi o presidente mais duro do regime militar também foi o mais popular, porque no início dos anos 1970 era o auge do milagre brasileiro… Eu penso que se houvesse uma eleição e o Medici fosse candidato naquele tempo ele ganharia”. 

Eu costumo dizer que Lula não é muito diferente de outros governos corruptos, como Sarney ou Collor. O que faz sua gestão ser especialmente ruim é o entorno, o que eu chamo de “pacote Lula”.

Apesar de não ser um radical, o presidente se cercou deles ao longo de toda sua trajetória política e os usou para criar uma estrutura capaz de levá-lo ao topo.

Justamente por sua visão corrupta e não ideológica, Lula foi capaz de fazer a ponte entre a oligarquia brasileira e a esquerda revolucionária.

Os radicais “dormentes”

Para compreender o motivo de Lula representar uma ameaça tão grande à democracia brasileira é preciso voltar para a época em que o PT foi criado.

O Brasil vivia um momento de crise econômica e desgaste do regime militar. Além disso, o projeto de Anistia, aprovado em 1979, abriu as portas para que intelectuais e militantes da esquerda radical voltassem ao Brasil.

Eles se juntaram aos operários inspirados pelas greves da época e fizeram parte da criação do partido de Lula, trazendo para a sigla as regras de organização, disciplina política e ideológica tradicionais da estrutura comunista.

O próprio presidente chegou a dizer no documentário Entreatos, que os intelectuais defendiam que uma porcentagem da população deveria ser convertida ao socialismo antes deles tomarem o poder de fato.

Essa estratégia no entorno do presidente não acontece pelo poder do acaso, muito pelo contrário. Boa parte dos militantes do PT receberam treinamento revolucionário profissional em países como Cuba, URSS e China.

Um dos exemplos mais notórios é o de Zé Dirceu, ex-presidente do partido e ministro da Casa Civil durante o Mensalão, ele nunca escondeu seu treinamento.

Preso no famoso Congresso da UNE em Ibiúna de 1968, Dirceu foi libertado após o sequestro do embaixador americano Charles Elbrick por grupos de esquerda e passou a morar em Havana.

Lá ele recebeu treinamento do regime castrista e passou por cirurgias plásticas para não ser reconhecido pelos agentes do governo. 

Usando o nome de Carlos Henrique Gouveia de Melo, ele se fixou no Paraná e se casou sob o disfarce de comerciante de roupas. Sua esposa só descobriu a verdade após a anistia.

Apesar de ser o mais emblemático, ele não era o único ex-guerrilheiro com treinamento estrangeiro a fazer parte da formação do PT. Esses agentes eram parte do modus operandi dos serviços de inteligência socialistas da Guerra Fria.

O desertor da KGB, Iuri Bezmenov, explicou em entrevista que o serviço soviético costumava treinar militantes de esquerda do mundo inteiro e os devolver para seus respectivos países. 

O objetivo era que eles procurassem fazer parte de organizações sociais e aumentassem silenciosamente sua influência na sociedade enquanto aguardavam as ordens do Kremlin.

Quando Lula chega ao poder, esses “dormentes” conseguem se colocar em cargos chave, ter acesso a recursos praticamente ilimitados para seus objetivos e alimentar ainda mais suas estratégias revolucionárias.

Assim, o PT conseguiu consolidar seu poder sobre as universidades, a mídia e outros setores da sociedade civil brasileira, aproveitando seu espaço de poder para fortalecer o avanço da esquerda no país e o aparelhamento das instituições a seu favor.

No caso de Dirceu e dos outros agentes cubanos infiltrados na criação do PT, o objetivo era tomar o Estado por dentro e o aparelhar de maneira silenciosa, como aconteceu na Venezuela, com Chávez e Nicarágua, após o retorno de Ortega em 2007.

A ofensiva cubana não se limita ao Brasil, mas busca influenciar e saquear todos os países da América Latina através de articulações internacionais.

O poder do Foro de São Paulo

Fidel Castro era um amigo próximo de Lula e chegou a criar junto com ele uma organização chamada de Foro de São Paulo.

Apesar de ser menos citado atualmente, o Foro já foi chamado de teoria da conspiração por muitas pessoas na internet.

Deixa de lado qualquer teoria ou análise, vamos procurar nos ater ao máximo apenas aos fatos dessa organização.

Primeiro, ela existe. Isso é o mais básico e indiscutível, já que o Foro conta até mesmo com um site oficial, ou seja, mais do que uma teoria.

Segundo ponto, o Foro reúne lideranças da esquerda na América Latina para promover intercâmbios de ideias e experiências, facilitando o networking de pessoas desse espectro político. Eis mais um fato indiscutível, confirmado pelo site oficial da organização.

Terceiro ponto, os encontros reúnem ditaduras, como Nicarágua e Cuba, movimentos à margem da lei, como MST e MTST, e até mesmo grupos terroristas, como foi o caso das FARC.

Hugo Chávez contou que conheceu o ex-comandante do grupo, Raúl Reyes, em sua primeira reunião na organização, em 1995. 

O grupo é famoso por ser uma narco-guerrilha que aterrorizou as florestas da Colômbia com sequestros e atentadoss por décadas.

Esses grupos se articularam desde o fim do século XX para tomar o poder de grande parte dos países latinos e enviar recursos para financiar Cuba.

Quando Nicolás Maduro foi capturado pelo governo americano, 32 soldados cubanos que faziam a guarda do presidente morreram.

O serviço secreto da ilha praticamente governou a Venezuela ao longo dos últimos anos, ficando responsável pela segurança do chefe de Estado. Em troca, o regime recebia combustível e dinheiro, em um nível de dependência que entrou em crise pouco após a prisão do ditador.

No Brasil, houve o financiamento do Porto de Mariel, avaliado entre R$2,3 a R$3 bilhões na época. Programas como o Mais Médicos entregavam até 85% do salário de cada médico, avaliado em até R$12.500 por mês.

A oposição atual não tem a capacidade de lidar com essa situação, pois não tem a estrutura de organização e a clareza ideológica para fazer frente ao complô socialista.

Na realidade, a maioria é formada por influenciadores que reproduzem o antipetismo e o senso comum. Em meu próximo texto analisarei a incapacidade da direita brasileira e como ela está, ao menos por hora, condenada a ser derrotada pela esquerda.

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