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Brasil - Política e Judiciário

Quando o Supremo e o bolso do eleitor se cruzam

Por: Redação
18/09/2026 às 12h19
Brasil - Política e Judiciário

Dois movimentos, anunciados em sequência, expõem a mesma tensão: a disputa de poder em Brasília chegou à reta final das eleições e não poupa nem o Judiciário nem o Orçamento.

O Partido Novo protocolou pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, para que o ministro Alexandre de Moraes seja impedido de votar no processo em que ele próprio é alvo — o caso Banco Master e as mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A legenda também pede a anulação do voto de Moraes na questão de ordem levantada por Gilmar Mendes. O argumento é objetivo: quem é parte no processo não pode, ao mesmo tempo, sentar-se no colegiado e decidir. Na mesma sessão em que Nunes Marques e Dias Toffoli se afastaram por suspeição ou impedimento, Moraes votou. Para o Novo, a confusão de papéis ofende o Código de Processo Penal e a própria credibilidade da Corte.

Quase no mesmo instante, o Ministério Público junto ao TCU pediu a suspensão cautelar do reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a 17 dias do primeiro turno. O piso sobe de R$ 600 para R$ 691; o benefício médio, de R$ 675 para R$ 777. O impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões só neste ano e R$ 22,7 bilhões em 2027. O subprocurador Lucas Rocha Furtado aponta ausência de previsão orçamentária clara e criação de despesa obrigatória continuada por simples decreto, sem passar pelo Congresso. Flávio Bolsonaro já classificou a medida como “ato de desespero”.

Dois fatos, uma mesma lógica. De um lado, um ministro do Supremo tenta julgar a própria suspeita. Do outro, o Executivo amplia gasto social às vésperas da urna, sem o rito orçamentário completo. Em ambos os casos, a linha que separa o exercício legítimo do poder e o uso do aparato do Estado para preservar ou conquistar poder fica cada vez mais tênue.

O eleitor, no fim, é quem paga a conta — seja em credibilidade institucional, seja no bolso.

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