
Esta semana vi o relato de uma mulher condenada a 14 anos de prisão pelos acontecimentos de 8 de janeiro e que hoje vive em autoexílio no Uruguai com seus quatro filhos, passando fome. Em seu relato, ela diz que já pensou em tirar a própria vida, mas que nem isso pode fazer, porque deixaria os filhos à mercê da própria sorte, já que eles não têm mais ninguém além dela.
O desespero dessa mulher me chocou. Cheguei a pensar que, em uma situação dessas, alguém poderia chegar ao extremo de tirar a vida dos próprios filhos antes de tirar a sua. Segundo seu relato, seu crime foi apenas estar em Brasília naquele dia.
Sabemos que existem centenas de situações semelhantes, que muitos atribuem às decisões do ministro Alexandre de Moraes, com famílias sendo desestruturadas, presentes comprometidos e futuros destruídos. Pessoas inocentes afirmam não apenas estar sendo punidas sem terem cometido crimes, mas também verem seus descendentes sofrerem as consequências dessas decisões. Na visão delas, tudo isso decorre da ação de uma autoridade que não se preocupa com os impactos de seus atos sobre a vida de cidadãos comuns.
Quem acredita que ele é o grande responsável está enganado. O que este ministro faz é análogo a um matador de aluguel, que apenas puxa o gatilho obedecendo a ordens em troca de algum tipo de ganho pessoal. Não seria o mandante, o articulador ou a mente estratégica por trás dos atos. Seria apenas um cumpridor de ordens investido de um cargo que transforma seus poderes em arma contra os adversários de quem realmente manda, articula e cria as estratégias que ele segue à risca.
Tais atos, marcados por tamanha maldade, só podem ser comparados às mais graves tiranias perpetradas ao longo da história da humanidade, embora a imensa maioria delas tenha ocorrido em tempos de guerra. Personagens como imperadores romanos, Gengis Khan, Alexandre, o Grande, Napoleão, Lenin, Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung e Pol Pot não deveriam mais servir de inspiração para ninguém. A história deveria ter nos ensinado a não repetir esses acontecimentos. Mas eles continuam se repetindo.
Vemos isso acontecer atualmente nos conflitos entre Rússia e Ucrânia e entre Hamas, Hezbollah e Irã contra Israel, onde vidas inocentes parecem não ter importância. Também ocorre em ditaduras como as de Cuba, China, Coreia do Norte, Venezuela, Nicarágua e diversos países africanos.
Existe, porém, uma diferença básica entre o que acontece nesses conflitos e países e o que acontece no Brasil. Os propósitos dessas tiranias são declarados, e não há ninguém fingindo estar lutando pela democracia. A disputa pelo poder envolve bombas, massacres, exércitos e terrorismo.
Aqui no Brasil não há bombas - pelo menos por enquanto. Mas há massacres provocados pela fome, pelo desemprego, pela falta de acesso digno à saúde, pela ausência de saneamento básico para toda a população e pela violência urbana. Há facções criminosas dominando cidades e regiões inteiras. Há terrorismo praticado tanto por criminosos armados quanto, segundo seus críticos, por agentes do poder que deveriam combatê-los. E há vítimas inocentes, como a senhora que hoje vive em autoexílio no Uruguai.
Autoridades vivem confortavelmente com remunerações que a esmagadora maioria da população jamais receberá ao longo de toda a vida. Desfrutam de privilégios capazes de causar inveja até mesmo a empresários nacionais e internacionais que dedicaram décadas à construção de seus negócios, gerando empregos e riqueza para a sociedade. Contam com seguranças e carros blindados vinte e quatro horas por dia, enquanto pessoas morrem em pontos de ônibus por causa de um aparelho celular e outras morrem em filas de hospitais por falta de atendimento. E dizem que tudo isso acontece em nome da democracia.
As eleições de 2026 não são sobre ideologia ou sistema de governo. São sobre decência, liberdade e a remoção desses falsos democratas dos centros de poder do país. Também são sobre reduzir a influência dos militantes da barbárie nas casas legislativas e nas instituições que decidem sobre o presente e o futuro dos brasileiros. Foram eles que, enganando os mais simples com promessas jamais cumpridas e falsos propósitos, nos trouxeram à situação em que nos encontramos.
Os destruidores de vidas estão espalhados pela burocracia estatal, criando leis, comandando e executando ordens que sabem ser indecentes, imorais, ilegais e inconstitucionais, pouco se importando com as consequências de seus atos. E os poucos que se importam permanecem paralisados pelo medo, pela preservação de seus privilégios - ou, sendo justo - pela necessidade de proteger suas famílias das consequências de uma eventual rebelião.
Talvez mais triste do que a situação da senhora autoexilada no Uruguai seja constatar que ainda somos um povo acomodado e comodista; uma nação pouco solidária, que conhece mal seus direitos, que se acovarda diante das arbitrariedades e maldades das quais é vítima diariamente, que não sabe - ou não tem coragem - de lutar por um país melhor e que continua acreditando que apenas eleições resolverão os problemas nacionais, sem compreender como o chamado “Sistema” influencia tudo o que acontece.
Precisamos destruir os destruidores de vidas. Isso não significa eliminá-los fisicamente, mas fazer com que respondam por seus supostos crimes contra os cidadãos brasileiros, contra o desenvolvimento do país e contra a nação. São eles, segundo essa visão, os verdadeiros covardes, lesa-pátria, traidores do Brasil e dos brasileiros, aliados e apoiadores de ditaduras que vivem nababescamente às custas do suor de um povo que trabalha metade do ano apenas para sustentá-los, sem receber em troca um retorno minimamente compatível com os impostos que paga.
Pessoas como a senhora autoexilada no Uruguai precisam voltar para casa, livres para oferecer aos seus filhos a oportunidade de viver em um país que proteja seu povo em vez de proteger criminosos privilegiados, garantindo-lhes o mínimo de dignidade para que, quem sabe um dia, possam sentir orgulho de dizer que são brasileiros.
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