Soberania de Aluguel e Outras Cafetinagens Institucionais
Entre o discurso patriótico e a prática de balcão
Por: Hermes Magnus
07/01/2026 às 00h33Atualizada em 07/01/2026 às 00h41
Eles falam em “soberania” com o mesmo respeito dúbio com que se menciona a cafetina da boate da esquina: não por reverência moral, mas por medo, conveniência e hábito. A palavra surge sempre em tom grave, inflado, quase litúrgico — mas basta um olhar menos ingênuo para perceber que ali não há princípio algum, apenas um arranjo funcional. A soberania, nessa boca, não é um valor; é um instrumento de controle, uma figura útil para impor silêncio, justificar arbitrariedades e manter a clientela na linha.
Como a cafetina, ela não protege — administra. Diz defender as meninas, mas cobra diária, escolhe quem entra, quem apanha, quem some. Do mesmo modo, essa soberania de aluguel aparece seletiva: invocada para afastar críticas externas, mas misteriosamente ausente quando o país é loteado, vendido em pedaços ou ajoelhado diante de interesses bem concretos, geralmente estrangeiros, geralmente financeiros. É soberania para inglês ver, para plateia bater palma, para militante repetir como mantra.
O mais curioso é que, assim como ninguém confunde a cafetina com a dona da dignidade alheia, também já não se deveria confundir essa retórica com autodeterminação real. Trata-se de uma soberania performática, teatral, de luz vermelha piscando na porta enquanto lá dentro tudo funciona à base de coerção, conivência e silêncio comprado. Quem manda não é a nação; é o caixa.
E quando alguém ousa perguntar onde está o povo nisso tudo, a resposta vem rápida e ensaiada: “não se meta, é assunto interno”. Exatamente como na boate. Afinal, questionar a cafetina nunca foi bem-visto — sobretudo quando ela se apresenta como guardiã da ordem, da moral e da casa.
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Olá, sou conhecido como o denunciante que fez os políticos verem o sol nascer quadrado pela primeira vez na história do Brasil! Com um apito na mão e um senso de humor inabalável, estou por aqui para garantir que a verdade sempre encontre seu caminho, mesmo que isso signifique abalar algumas estruturas. Lembre-se, a transparência é o melhor disfarce!