
Embora o Brasil ainda mantenha as estruturas formais de uma democracia, o país avança perigosamente rumo a práticas típicas de regimes autoritários de culto ao poder. O paralelo com a Coreia do Norte não é exagero retórico: é um alerta civilizacional. Na Coreia do Norte, o cidadão vive sob a obrigação de idolatrar a família Kim. Críticas não existem. Questionamentos não são tolerados. O líder é infalível por decreto.
No Brasil atual, mesmo não havendo culto oficial, existe na prática um sistema de blindagem e narrativas amplamente propagadas pela imprensa, que fazem com que a população mais carente seja “forçada” a idolatrar autoridades, invariavelmente colocando certas figuras acima do escrutínio público. Lula é retratado como “vítima histórica” que nunca erra, mesmo após décadas de escândalos bilionários.
Alexandre de Moraes transformou-se em símbolo do poder inquestionável, capaz de censurar, prender, bloquear contas e definir narrativas sem freios institucionais. Gilmar Mendes atua como o “oráculo jurídico”, sempre pronto para reinterpretar a Constituição conforme a conveniência política da hora.
A diferença é que na Coreia isso está na lei. No Brasil, está no comportamento das instituições.
Na Coreia do Norte, o Estado controla tudo o que o cidadão vê, lê ou ouve. Só existe uma versão da realidade, a do regime. Já no Brasil, o mecanismo é mais sofisticado, mas o objetivo é parecido. Decisões do STF determinam o que pode ou não ser dito nas redes sociais; perfis são derrubados sem devido processo; jornalistas e influenciadores conservadores são alvo de investigações sigilosas; a mídia tradicional funciona como braço auxiliar do governo, filtrando fatos, suavizando escândalos e amplificando versões oficiais. O resultado objetivo é que quem controla a narrativa controla a liberdade.
Discordar do regime norte-coreano é crime. Dissidentes desaparecem. Famílias inteiras são punidas. Já aqui em terras tupiniquins, ainda não chegamos à repressão contra o povo no sentido de violência física, mas a tortura psicológica, que acaba se tornando física quando são somatizadas, existe. Contudo, o mais grave é o terror jurídico, já cotidiano. As prisões de 8 de janeiro sem processo adequado, com milhares de pessoas colocadas no mesmo balaio, são a prova cabal deste comportamento.
Além disso, convivemos com prisões preventivas prolongadas, desproporcionais e “exemplares” e investigações que ignoram garantias básicas do direito penal. O famoso “crime de opinião” não existe no Código Penal, mas passou a existir a partir do mero capricho de ministros do STF, basta que desejarem. Não temos campos de trabalho forçado como na Coreia do Norte, mas temos prisões preventivas eternizadas e medo institucionalizado, que cumprem papel semelhante: calar e disciplinar.
No regime totalitário da Coreia do Norte, a propaganda estatal é explícita: cartazes, hinos, estátuas, festivais do regime. No Brasil de Lula, a propaganda do regime é financiada com dinheiro público e disfarçada de “políticas de comunicação”. São campanhas milionárias para reconstruir a imagem de Lula. Inserções institucionais que repetem a narrativa do governo, estatais e bancos públicos, irrigando jornais e portais alinhados ideologicamente, demonização sistemática da oposição, sempre vinculada a termos como “extremismo”, “golpismo” e “antidemocracia”. O país onde a comunicação institucional se torna arma política está no caminho de regimes totalitários.
O Cidadão comum norte-coreana não decide nada, apenas cumpre o roteiro estatal.
No Brasil atual o cidadão percebe que seu voto é relativizado, suas opiniões são monitoradas, seus representantes (Câmara e Senado) são fracos e constantemente subjugados por decisões judiciais expansivas. A separação dos Poderes virou ornamento constitucional.
O brasileiro paga a conta, obedece e ainda precisa aplaudir — ou, no mínimo, ficar calado.
A elite do partido vive em luxo na Coreia do Norte, enquanto o povo enfrenta fome. Um regime cleptocrático que sobrevive saqueando recursos, desviando ajuda internacional e explorando a própria população.
Todos sabemos que no Brasil não é diferente - se não for pior. Apesar da cleptocracia ser menos explícita, é igualmente funcional: Mensalão, Petrolão, orçamentos secretos, desvios em estatais, fundos bilionários abastecendo partidos e grupos aliados. Uma máquina estatal que existe para sustentar a si mesma. A elite política vive em palácios, gastando em cartões corporativos, com dezenas de assessores e privilégios inimagináveis ao trabalhador comum.
O paralelo é direto. Tanto lá quanto aqui, o sistema é desenhado para enriquecer quem manda e empobrecer quem trabalha.
Ainda não. Mas a pergunta correta não é essa. A pergunta é: quantos passos ainda faltam?
Ao observarmos o poder cada vez mais autocrático e concentrado nas mãos de alguns “figurões dourados”, fica muito claro que os primeiros passos (e muito largos) já foram dados - e rápido.
O que mantém o Brasil fora de um autoritarismo absoluto não é a estrutura democrática, mas a resistência da população, ainda que seja apenas exercida por uma pequena parte da população. Não se engane. É uma pequena parte. Mas que enxerga a farsa, denuncia o abuso e se recusa a tratar políticos como estátuas sagradas.
E é justamente por isso que continuo a escrever meus textos e a usar imagens simbólicas como essa, para que pelo menos a meia dúzia de "gatos pingados" que os leem possam confrontá-los com as narrativas oficiais e da imprensa e formar suas próprias opiniões, ainda que sejam discordantes das minhas. Precisamos furar a bolha, e isso não significa tentar convencer à esquerda de nada.
A bota do regime que nos pisa hoje, se o totalitarismo vencer, pisará na esquerda também. A bolha que precisa ser furada é a das pessoas que não se interessam por nada, que vivem suas vidas como se tudo estivesse normal, nada preocupadas se o governo é de esquerda, de direita ou de centro. São os analfabetos políticos, que, por falta de instrução, entendimento e alcance, há décadas bradam o bordão “esse país não tem jeito mesmo”, e votam nos ídolos dourados que a imprensa constrói.
O Brasil tem jeito. Mas, regimes totalitários caem quando o povo vai às ruas com coragem suficiente para derrubar as estátuas que os representam. Infelizmente, ainda não soubemos fazer isso.
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