
Ah, o poder! O que não faz com as pessoas sem preparo para lidar com ele, ou que se preparam para usá-lo de forma autoritária, arbitrária e desconectada da função que empodera quem o detém. Parece difícil aos despreparados entender que cargo não é status, mas, sim, função. E aos arbitrários, estes sabem a diferença, mas simplesmente a ignoram.
Hugo Motta é só mais um que se embriagou pelo poder. Ser presidente da casa legislativa que congrega os representantes eleitos pelo povo faz dele o representante máximo deste mesmo povo, como se fossem dados a ele todos os votos que os demais 512 deputados federais receberam nas urnas. O mesmo vale para Davi Alcolumbre, exatamente na mesma medida. Presidir casas legislativas, além de dominar a pauta e lhes atribuir funções administrativas de suas respectivas casas, não há nada que lhes confira uma posição que está acima dos interesses da nação, dos eleitores e dos contribuintes. São deputados e senadores, comuns como todos os outros, eleitos pelo voto popular como os demais. Até álcool gel é capaz de deixar essa gente alterada.

Mas, quem dera a embriaguez do poder atacasse apenas os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A república está repleta de “bêbados” que ficam alterados no “primeiro gole” da função que assumem, a começar pelo cargo para o qual foram eleitos. Ser apontado líder de partido, de bloco, de minoria, de maioria, da oposição, da situação, assumir presidência ou relatoria de comissões, tudo isso inebria estas pessoas que, convenhamos, na sua maioria, não têm preparo acadêmico, técnico ou psicológico para estarem onde estão.
Parte disso é culpa do próprio povo, que, definitivamente, não sabe votar. Outra parte, no caso de eleições proporcionais, se deve ao famigerado quociente eleitoral, que não elege quem recebe mais votos, mas a uma matemática indigesta que faz com que em uma Câmara dos Deputados com 513 deputados federais, apenas 28 deles tenham sido eleitos com seus próprios votos, número que se altera segundo fontes que citam que seriam somente 25 ou 26. Porém, há um agravante dos partidos que escolhem quem serão os candidatos não pelo que eles têm de melhor a oferecer e sim pela capacidade de serem eleitos através do quociente eleitoral.
Enquanto os partidos políticos tiverem donos ao invés de líderes, o resultado eleitoral continuará sendo o mesmo e a atuação dos eleitos também não mudará em nada. As regras eleitorais brasileiras só mudam (e mudam antes de cada eleição) para beneficiar interesses partidários, jamais para favorecer a construção de uma democracia que possa funcionar como deveria. E, além desse fator já desastroso por si, ainda temos a “extrovenga jabuticabística” da Justiça Eleitoral, cujas (absurdas) prerrogativas mudam ou criam regras que interferem tanto no processo eleitoral quanto na possibilidade de alguns candidatos serem eleitos, efeito da mesma “cachaça” do poder.
Temos ainda o “alcoolismo” da toga, com teor alcoólico tão poderoso que nem é preciso beber para ficar tonto. Basta saber que o copo lhe pertence que o togado fica imediatamente calibrado a ponto de não conseguir mais ler o que diz a Constituição Federal. Cheio até o talo, ele passa a criar suas próprias leis e ameaçar as pessoas, perseguir, ofender, agredir, tal qual faz um bêbado quando arruma briga no bar. O problema, nesse caso, é que ao chamar a polícia para o bêbado, ela prende o perseguido, o ofendido, o agredido, e ainda dá um jeito de tirar o bebum de cena e construir uma narrativa que justifique seu trançar de pernas. Alguns ficam altos até bebendo água.

E claro, não poderia deixar de citar, o mais tomado pela “embriaguez” do poder que ocupa a presidência da república. Em seu terceiro porre, ele já não mede palavras, não respeita as pessoas e não se comporta nos ambientes com a liturgia que o cargo exige. Como todo aquele que tem o “caneco cheio” de poder, ele gasta mais do que tem para gastar, promete coisas que nunca vai cumprir e logo se esquece do que disse, faz espetáculo por onde passa e se vinga dos adversários, dizendo depois que não teve nada a ver com isso.

A dosimetria aprovada pela Câmara dos Deputados é a prova mais concreta de que os mamadores do poder no Brasil erraram a dose há muito tempo. Como todo bêbado, envergonhados do que fizeram, optaram por uma alternativa paliativa que não corrige os erros, só ameniza os danos irreparáveis causados aos presos do 8 de janeiro, a Jair Bolsonaro, aos militares, à Constituição Federal e à confiança do povo brasileiro na república e na democracia. Inimputáveis como Adélio Bispo não serão responsabilizados pela facada que deram na nação brasileira.
Aprendi com minha mãe a me manter afastado de doidos e bêbados, lição que deputados, senadores, presidentes de partido, empresários e muitos da imprensa militante não aprenderam. Quem apoia, aplaude ou aceita dar palanque para embriagados, não pode dizer que não sabia ou que não tinha nada a ver com isso.
Mesmo com a aprovação da dosimetria pela Câmara dos Deputados, que ainda precisa ser aprovada pelo Senado e ser sancionada ou vetada por Lula – e se vetar ainda terão que derrubar seus vetos – os inocentes presos no 8 de janeiro passarão Natal e ano novo na cadeia, longe de suas famílias, bebendo água, comendo comida de cadeia.
Ao mesmo tempo, toda a cúpula dos 3 poderes estará em suas casas ou viajando pelo exterior, bebendo bons vinhos, whiskys, espumantes e comendo ceias magníficas, assim como milhares de assaltantes, assassinos, estupradores, traficantes e pedófilos que foram soltos em audiências de custódia, além dos ladrões do INSS, do dono do Banco Master e outros criminosos do colarinho branco que sabem curtir o “fogo" do poder sem ficar de ressaca.
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