
Eu respondo: muito. São milhares de dólares. Você entendeu bem. DÓLARES. A remuneração das redes sociais é calculada em dólares, não em reais. E quem lhes garante cada um desses dólares são os seguidores que papagaiam vídeos que repercutem lives e vídeos que prometem coisas que nunca acontecem, que justificam o não acontecimento das promessas e apenas renovam tais promessas com dizeres como “não deu hoje, será amanhã, será semana que vem...”. Digo mais. Vídeos com milhares de likes geram muito mais dinheiro a eles do que o que ganham de salário no Congresso Nacional, que nós também pagamos.
Concordemos com uma coisa. De fato, as redes sociais aproximam os mandatos dos políticos dos eleitores. Mas o que nos interessa mais, assistir vídeos com repetidas conversas fiadas ou receber através dele a comprovação de que estão fazendo o que precisa ser feito? Do que adianta dar satisfação do que nunca acontece? Precisamos nos perguntar o porquê de continuarmos dando audiência, likes, compartilhamentos e, principalmente, muitos dólares para quem não corresponde com as expectativas dos eleitores na sua atuação política e no combate ao mar de injustiças e crimes que são cometidos contra a população brasileira, com os presos do 8 de janeiro, com políticos e ativistas da direita brasileira.
Além dos altos salários e dos benefícios, não estamos dando cartaz demais para políticos que, na sua atuação no Congresso Nacional, não mostram capacidade de fazer o enfrentamento necessário, que são prerrogativas de seus cargos? Será mesmo que não existe idolatria, ou, no mínimo, apoio demais que são mais revertidos em dólares do que em ações que combatam com eficiência e efetividade àqueles que, diariamente, rasgam a Constituição Federal e todos os códigos do direito? Temos pessoas presas desde o dia 8 de janeiro, gente que não cometeu nenhum crime. Jair Bolsonaro, líder da direita brasileira, com generais de reputação absolutamente ilibada em suas carreiras, está preso, sem ter cometido crime algum. O que estes deputados e senadores fizeram desde a prisão de cada um desses indivíduos?
Se os apoios que estes políticos recebem nas redes sociais se revertessem em ações, teriam méritos em recebê-los. Mas isso não acontece. O que vemos são políticos que, ao invés de combater o jogo sujo, aceitam participar dele, seja pela acomodação, pelo comodismo ou até por aceitar fazer parte dele. Não é mais possível entender e aceitar que chantagens vindas do judiciário, como vários deles denunciam, não possam ser combatidas em bloco, já que parece impossível que sejam combatidas individualmente. Quando você viu um deputado ou senador fazendo vídeo dizendo que foi chantageado por alguém do judiciário? Já viu algum? Viu algum deputado ou senador dando nome aos bois? Não duvido que tais chantagens existam, mas será que a proporção delas afeta a todos? Só tem rabos sujos no Congresso Nacional?
Precisamos, com extrema atenção, separar o joio do trigo. Apoiar, dar like e compartilhar postagens de políticos que dão retorno à confiança depositada neles. Mas temos que, literalmente, boicotar os caçadores de likes que inundam suas contas bancárias com promessas inexequíveis e com a esperança do povo que quer ver votada a justa anistia a todos cujo único crime foi expressar sua indignação com a recondução de um ex-presidiário à cadeira da presidência da república. O que vimos acontecer no Brasil não foi uma tentativa de golpe de estado dada por ninguém, mas, sim, um verdadeiro GOLPE NO ESTADO, dado por quem usa a caneta como arma que pune, sacrifica, tortura e mata pessoas.
O Brasil não precisa de heróis que usam as redes sociais como capa e máscara. Precisamos de deputados e senadores comprometidos com os votos que receberam de seus milhares de eleitores, comprometidos com o combate às injustiças cometidas por todos que deveriam representar o que a justiça significa em sua literalidade no que está em cada artigo, cada parágrafo e cada inciso da Constituição Federal e nos códigos que definem as leis que há muito tempo desistiram de cumprir. Não precisamos de Youtubers. Precisamos de políticos de verdade.
Que no próximo ano as urnas digam quem merece os nossos votos.
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