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QUEM REALMENTE FALA EM NOME DE JAIR BOLSONARO?

O silêncio de Jair Bolsonaro é a única fonte confiável sobre o que ele pensa a respeito das eleições de 2026

Hermínio Naddeo
Por: Hermínio Naddeo Fonte: Opinião
06/10/2025 às 16h28
QUEM REALMENTE FALA EM NOME DE JAIR BOLSONARO?
Imagem EBC

Desde que foi preso dentro de sua própria casa e impedido de usar redes sociais (ou até de ter suas falas divulgadas por terceiros), dar entrevistas, usar telefone, falar com o próprio filho e receber visitas que não sejam previamente autorizadas por Alexandre de Moraes, muitos passaram a falar em nome de Jair Bolsonaro, sem qualquer comprovação de que essas falas representem o que ele realmente diz ou pensa.

Como saber, afinal, quem está autorizado a falar em nome de Bolsonaro? Ele de fato deu essa permissão a alguém? E o que essas pessoas afirmam reproduz com mínima exatidão o que ele pensa? Ter estado com ele em sua prisão domiciliar credencia alguém a falar por ele?

As eleições de 2026 ocorrerão no dia 4 de outubro, e o prazo para a indicação de candidatos se encerrará em 15 de agosto. Estamos, portanto, a um ano das eleições e a dez meses da data-limite para definição das candidaturas. Qual, então, o motivo da pressa em apontar um substituto para Bolsonaro? Em 2018, Lula indicou Haddad no último dia possível. Por que Bolsonaro precisaria fazer diferente, com quase um ano de antecedência?

O atual status de inelegibilidade de Bolsonaro não significa absolutamente nada neste momento. Lula estava preso, condenado em três instâncias, quando, em 8 de novembro de 2019, o ministro Edson Fachin “descobriu” que o CEP da vara que o condenou estava errado. E como sabemos, não só voltou a ser elegível como se tornou presidente da República. Quem, além dos envolvidos na trama, seria capaz de prever essa reviravolta na véspera, em 7 de novembro?

Jair Bolsonaro está injustamente preso em sua própria casa. Mas não está morto — nem politicamente morto. Michelle Bolsonaro, sua esposa, que convive diariamente com ele, não se atreve a falar em seu nome. Portanto, ninguém deveria acreditar em quem afirma saber o que ele pensa ou diz. O que se espalha por aí, colocando palavras em sua boca, fala muito mais sobre quem fala do que sobre Bolsonaro.

Os brasileiros que desejam a candidatura de Bolsonaro precisam aprender a administrar melhor suas emoções ao ouvirem os que ousam dizer que falam em nome dele. Em suas últimas aparições públicas, Bolsonaro deixou registrado que ELE é candidato. Assim, para ser crível, só ELE pode desdizer isso — de própria voz. Ninguém mais.

Todos os possíveis presidenciáveis — da esquerda, do centro e da direita —, além de grupos com interesses próprios, não querem Bolsonaro na disputa. Sabem que, se seu nome estiver nas urnas, ele vence. Para Ronaldo Caiado, por exemplo, com 76 anos, esta é a última oportunidade de concorrer à Presidência. Você acha que ele gostaria de disputar contra Bolsonaro em 2026?

Romeu Zema, Ratinho Júnior e Tarcísio de Freitas têm, respectivamente, 61, 44 e 50 anos. Pensando em idade, todos ainda terão novas oportunidades — mas só Tarcísio pode tentar reeleição, o que o mantém em evidência para 2030. Já Caiado, Zema e Ratinho não podem se reeleger; restaria a eles apenas uma vaga no Senado ou na Câmara, o que os manteria na política, porém com pouca relevância para sonhar com a Presidência.

O silêncio de Jair Bolsonaro, mesmo forçado, é a única fonte confiável sobre o que ele pensa a respeito das eleições de 2026.

Dar importância ao que dizem os pretensos emissários do ex-presidente é dar palco a oportunistas que buscam visibilidade à sua custa, atribuindo-se uma relevância que não têm. Essa gente quer confundir os desavisados, tentando conquistar simpatias e votos que não lhes pertencem — vendendo-se como “alternativas abençoadas por Bolsonaro.

Nem mesmo Eduardo Bolsonaro pode se colocar como alternativa presidencial sem que seu pai, de viva voz, lhe dê a bênção política. O mesmo vale para Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Por isso, os eleitores do ex-presidente precisam estar atentos e emocionalmente firmes, para não caírem em armadilhas e polêmicas criadas apenas para tumultuar o ambiente político.

Neste momento da história do Brasil, mais importante do que ouvir quem diz falar em nome de Jair Bolsonaro é entender em nome de quem falam Lula e os ministros do STF. Porque, definitivamente, eles não falam em nome próprio. Falam em nome do crime organizado, do narcotráfico, dos interesses chineses e globalistas, e tudo o que fazem é para privilegiar esses grupos, mantendo seus nacos de poder — pouco se importando com o povo ou com o futuro do país.

Preso em sua própria casa, Bolsonaro não pode falar com ninguém, mas pode ouvir tudo. E é justamente por isso que cabe a seus eleitores falar mais alto — fora das redes sociais que ele não pode usar. O lugar para fazê-lo ouvir é o asfalto das ruas, sem precisar de convocações nem esperar semanas.

Para quem está enclausurado e proibido de se comunicar com o mundo, cada dia é uma eternidade. Aquele deputado federal que cansou de discursar para um plenário vazio, hoje está impedido de ser ouvido. Mas ainda pode — e precisa — ouvir que milhões de brasileiros continuam com ele.

 

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Andre LimaHá 10 meses cwbNovamente brilhante
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Hermínio Naddeo
Hermínio Naddeo
Escritor/Jornalista, mestrado em palpitologia, doutorado em opinologia, pós-doutorado em falastronismo.

Administrador, publicitário, jornalista, com quase duas décadas de atuação na cobertura política e análise de conjuntura nacional. Especializado em leitura estratégica de cenários, mantém uma linha editorial independente e de viés conservador, com foco em liberdade, soberania e responsabilidade institucional. É colunista do site No Ponto do Fato, onde assina artigos que aliam crítica firme, ironia pontual e compromisso com a verdade. Registro profissional MT 22619/MG.
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