
Arrogância x Leveza:
“.... Aprendendo com o próprio espelho! ”
O inverno passou rigoroso. Dias longos, silenciosos, quase convidando à introspecção. Entre o frio e a quietude, senti um peso no peito e outro na mente. Foi nesse silêncio que percebi: ainda havia espaço para arrogância e prepotência dentro de mim, sombras que influenciavam atitudes, palavras e pensamentos.
Conversas com amigos — que poderiam muito bem ser anjos — trouxeram clareza. Cada palavra, cada gesto, parecia ensinar que a arrogância não se manifesta apenas em grandes atos, mas também nas pequenas escolhas: na pressa de julgar, na dificuldade de ouvir, na necessidade de ter razão. Reconhecer isso foi duro, mas necessário. Augusto Cury resume bem:
“Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante do espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência. ”
Passei então a revisitar minhas atitudes. O autoperdão tornou-se essencial, porque sem ele não há leveza possível. Aprender a aceitar os próprios erros, sem justificativas, foi um processo silencioso e constante. Tentei negar, justificar ou minimizar minhas falhas — e percebi que cada tentativa reforçava meu orgulho. Só ao encarar a verdade com humildade comecei a sentir o alívio que antes me parecia distante.
E então uma presença constante, quase divina, parecia me lembrar: “Permita-se ser leve. O peso não é seu sozinho. A primavera também nasce dentro de você. ” Cada manhã trouxe um raio de sol que invadia meu peito, espalhando cores e aromas, lembrando que sempre é possível recomeçar.
A leveza começou a se manifestar nas atitudes simples: um sorriso mais sincero, ouvir com atenção, ceder sem resistência. No mundo virtual, nas conversas com amigos ou na rotina diária, percebi que as palavras podem pesar ou libertar — e que a escolha está em nossas mãos. A humildade, aprendi, não é fraqueza, mas força que transforma relações e pensamentos.
Decidi então adentrar a primavera com simplicidade e leveza, vivendo de forma verdadeira, aberta e mais conectada. A cada passo, sinto que não estou sozinho. A leveza não é um objetivo distante; é prática diária, cultivada aos poucos, com atenção e coragem.
Sigo, assim, em minha tarefa principal: sentir-me pleno entre as pessoas, com a leveza necessária para viver sem as sombras do passado, e capaz de espalhar essa leveza por onde passo.
Gratidão por me ouvirem, de uma forma ou outra...
Afinal, pensar não dói...
Leituras & Entendimentos da Madrugada
José Carlos Bortoloti
Colunista & Articulist
Um coração em aprendizado
Passo Fundo – RS –
Colaborador da Revista No Ponto do Fato!