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O DISCURSO DA AUTOPRESERVAÇÃODISFARÇADA DE DEFESA DA CONSTITUIÇÃO

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Hermes Magnus
Por: Hermes Magnus
12/08/2025 às 11h41
O DISCURSO DA AUTOPRESERVAÇÃODISFARÇADA DE DEFESA DA CONSTITUIÇÃO

No dia 11 de agosto de 2025, Alexandre de Moraes voltou a ocupar o palco institucional, desta vez num evento em São Paulo, para falar durante quase meia hora sobre a “vitória da democracia” e a “barreira definitiva ao golpismo” supostamente erguidas pela Constituição de 1988. Entre elogios à autonomia do Judiciário e referências aos riscos do populismo extremista, sua fala soou menos como uma análise histórica e mais como um ato de autopromoção cuidadosamente embalado para parecer um manifesto republicano.

O tom foi o mesmo que já se tornou sua marca: austero, com gestos calculados e frases curtas que carregam mais subentendidos do que conteúdo. Ao dizer que o Judiciário “erra e acerta, mas se corrige em colegiado”, Moraes não estava oferecendo uma autocrítica genuína — estava sinalizando que, se erros foram cometidos, eles devem ser compartilhados com todos os colegas de toga, nunca atribuídos exclusivamente a ele. É o recado velado: qualquer ataque ou tentativa de derrubada não terá um alvo único, e sim um efeito dominó sobre todo o tribunal.

Ao citar o fim da “possibilidade de intromissão das Forças Armadas” e condenar o “personalismo” e o “populismo” que se espalha nas redes sociais, o ministro fala como se fosse guardião supremo da normalidade institucional. Mas, na prática, constrói uma narrativa em que qualquer crítica a ele se transforma, por associação automática, em um ataque à própria democracia. Essa fusão proposital entre figura e instituição é típica de líderes que confundem o próprio destino com o destino do Estado.

O mais perverso é que, por trás do verniz institucional, o discurso mantém o mesmo eixo dos anteriores: blindagem pessoal. Não há no texto falado por Moraes um reconhecimento concreto de excessos cometidos, de medidas desproporcionais, de censura aplicada sob pretexto de defesa constitucional. A tal “barreira ao golpismo” que ele exalta é, no fundo, um sistema de poder que se alimenta de medo e de silêncio cúmplice. Os colegas que o aplaudem fazem parte dessa engrenagem; os que se calam, também.

Assim, a fala que muitos interpretaram como um marco de firmeza democrática é, na realidade, um recado interno: se tentarem me derrubar, o desabamento será coletivo. Um aviso de que a toga, nesse contexto, não é apenas símbolo de justiça — é armadura e, ao mesmo tempo, instrumento de coerção política. E nisso, Alexandre de Moraes continua coerente: sua prioridade não é a Constituição que invoca, mas a preservação da própria fortaleza de poder que construiu dentro dela.

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Olá, sou conhecido como o denunciante que fez os políticos verem o sol nascer quadrado pela primeira vez na história do Brasil! Com um apito na mão e um senso de humor inabalável, estou por aqui para garantir que a verdade sempre encontre seu caminho, mesmo que isso signifique abalar algumas estruturas. Lembre-se, a transparência é o melhor disfarce!
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