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NOSSA MÁXIMA MEA-CULPA

A PERIGOSA DANÇA DO FOGO

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
11/08/2025 às 05h48
NOSSA MÁXIMA MEA-CULPA

NOSSA MÁXIMA MEA-CULPA 

 

Querido povo brasileiro — trabalhadores incansáveis, camelôs, motoristas, taxistas, mas também artistas, jornalistas, opositores políticos e cada coração que faz pulsar esta nação: venho com a alma exposta, por um instante de verdade. Estamos à beira do precipício, e só um mea-culpa sincero pode nos salvar do fogo que nós mesmos acendemos. Somos um povo que, por paixão ou descuido, adora dançar com as chamas — e agora sentimos o calor da ditadura nos queimarde novo.

Vivemos num pêndulo que nos define e nos aprisiona. Num momento, clamamos por ordem, sonhando com a paz social; no outro, exaltamos a rebeldia, celebramos o "sistema é phoda", com um certo orgulho dessa essência. Aplaudimos o rebelde e depois choramos quando o caos que ele traz nos engole. É uma dança que conhecemos de cor: do fervor à frustração, da esperança cega à decepção amarga. E, no fundo, sabemos que somos nós quem giramos essa roda.

Mas há um traço mais sombrio, que nos envergonha encarar: o prazer cruel de transformar a dor alheia em espetáculo. Rimos da tragédia do outro, apontamos o dedo enquanto alguém é humilhado, ou vítima de uma injustiça. Clézão, por exemplo, teve sua morte ridicularizada nas redes, "se tivessetrabalhando, nãoacontecia". Ou a prisão do deputado Daniel Silveira, condenado a quase nove anos por se expressar, mas o outro lado aplaude como se ele não sofreu o bastante. E o que dizer da condenação de Débora mãede 2 crianças, punida por uma pichação com batom? 

Como legitimar algo assim, só porque é um adversário político?

E a prisão domiciliar de Bolsonaro, virou palco para quem aplaude a desgraça sem questionar a justiça. Esse riso não é inocente. É ele que alimenta a violência e a crueldade dos ditadores, destrói nossa empatia e nos impede de construir um projeto de país que tanto precisamos. Quando rimos do que queima o outro, esquecemos que o fogo, cedo ou tarde, vem nos buscar.

Em nossas terras, a rebeldia é hino, é identidade. Mas quando a instabilidade bate à porta, imploramos pela ordem que antes desprezamos. É essa contradição que nos prende: apoiamos quem desafia a lei com aplausos calorosos, só para preencher nosso ego e depois nos revoltamos quando a conta chega. E ela sempre chega.

Nossa máxima mea-culpa é essa: amamos o brilho da chama, mas também o grito de quem se queima. E, enquanto rimos, não percebemos que, quem colocou o fogo, quer queimar todos nós.

As revelações sobre Alexandre de Moraes — a Vaza Toga I e II e as recentes sanções ao Brasil — são um espelho cruel. Elas mostram o circo que nós mesmos montamos: a imprensa que fechou os olhos, os artistas que se calaram, os jornalistas que apoiam em silêncio, os opositores que acharam graça quando o fogo destruiu vidas do outro lado.

Agora, as manchetes mudam, como se quem hoje critica não tivesse aplaudido ontem. É um teatro de hipocrisia, onde a verdade vira piada e a justiça, um jogo.

Não é só ingenuidade. É cálculo. A dialética marxista que molda a “verdade” sabe bem disso: acusam de fake news enquanto as fabricam, gritam contra golpes enquanto os tramam. O Brasil virou um laboratório de contradições, onde somos, ao mesmo tempo, cristãos, democratas e, sem perceber, reféns de ideias que nos dividem. E as elites, que sabem disso, a usam para seus projetos de poder.

Eu sou a favor de lados, da oposição e da situação. É legítimo o posicionamento político divergente, mas a injustiça e a deslealdade, NÃO!

Nós tapamos os ouvidos e fingimos não ver que a burguesia tirou um criminoso da cadeia para colocá-lo no poder.

É hora de parar. De olhar nos olhos uns dos outros e admitir: nós erramos. Brincamos com o fogo e agora ele nos consome. Mas ainda há tempo. Podemos apaga-lo com verdade e com união. 

Vamos anistiar, mas, acima de tudo, vamos mudar essa nossa percepção vingativa.

Pelo Brasil, por nós, pelas gerações que virão.

Que seja dado o primeiro passo para reconstruir o que ainda resta da nossa maravilhosa essência.

 

Sérgio Júnior

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

Site do autor na Amazon.

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