
Acredito que todos sabem que eu sou escritor e professor de teologia. Por conhecer as nuances e os objetivos do Reino de Cristo em sua essência, eu sou obviamente um CRISTÃO CONSERVADOR. O que desejo trazer nesse artigo não é uma aula Teológica, mas uma explicação de como é impossível ser cristão e conservador, sem se opor à algo ou sem criar fissuras. Para isso, usarei o texto de Mateus 10:34-36 que diz:
"Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em DISSENSÃO o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares."
Dito isto, informo que ser de direita, conservador, Bolsonarista, já carrega a ideia clara de separação e identificação. É necessário que haja desprendimento, coragem e sinceridade. É uma exigência pois se trata da defesa de um ideal.
Me recordo de um texto bíblico que demonstra claramente isso:
"E, partindo dali, encontrou a Jonadabe, [...] o qual saudou e lhe disse: Reto é o teu coração para comigo, como o meu o é para contigo? E disse Jonadabe: É. Então, se é, dá-me a mão. E deu-lhe a mão, e Jeú fê-lo subir consigo ao carro." _ 2 Reis 10:15
O Cristianismo, em sua essência, é uma fé que exige posicionamento claro, identidade firme e uma escolha inegociável. A mensagem de Cristo nunca foi um convite à neutralidade ou à mornidão, mas um chamado à verdade que, por sua própria natureza, divide, polariza e transforma. Como está escrito em Mateus 10:34, “Não vim trazer paz, mas espada”. Essa declaração de Jesus não é um apelo à violência, mas uma constatação da realidade: a verdade do Evangelho confronta, desafia e exige decisão.
Não há espaço para a tibieza, para a indecisão ou para a tentativa de agradar a todos. A Igreja de Laodiceia, descrita em Apocalipse 3:16, é um exemplo claro disso: “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”. A mornidão, a falta de identidade e o desejo de se conformar ao mundo são rejeitados por Cristo.
O CRISTIANISMO COMO FUNDAMENTO DO CONSERVADORISMO
A base do pensamento político conservador está intrinsecamente ligada ao Cristianismo, pois este oferece uma cosmovisão que valoriza a ordem, a tradição, a moralidade objetiva e a responsabilidade individual. A teologia cristã não é ambígua: ela estabelece verdades absolutas sobre a natureza humana, o propósito da vida e a relação com Deus. Essas verdades moldam uma visão de mundo que rejeita o relativismo moral, tão comum no politicamente correto, que busca apaziguar conflitos diluindo princípios.
O conservadorismo, ancorado no Cristianismo, entende que há valores inegociáveis — como a santidade da vida, a instituição da família e a liberdade de consciência — que não podem ser sacrificados em nome de uma suposta harmonia social.
A exigência de identidade no Cristianismo é clara. Em Lucas 2:34, quando o velho Simeão encontra o menino Jesus no templo, ele profetiza: “Eis que este menino está destinado tanto para queda como para levantamento de muitos em Israel, e para ser sinal de contradição”. Jesus é o “sinal de contradição” porque sua mensagem força uma escolha: aceitá-lo ou rejeitá-lo. Não há meio-termo. Essa polarização é inevitável, pois a verdade não coexiste pacificamente com a mentira, nem a luz com as trevas (2 Coríntios 6:14). O Cristianismo, portanto, não apenas permite, mas espera a divisão quando os valores do Reino de Deus entram em choque com os valores do mundo.
A REJEIÇÃO DO POLITICAMENTE CORRETO
O politicamente correto, com sua ênfase em evitar conflitos e agradar a todos, é incompatível com a mensagem cristã. Jesus nunca se curvou às pressões sociais de sua época. Ele confrontou os fariseus, chamando-os de “sepulcros caiados” (Mateus 23:27), e desafiou as normas culturais ao defender a verdade, mesmo quando isso o levou à cruz. O apelo à neutralidade ou à convivência pacífica a qualquer custo muitas vezes mascara a covardia de não assumir um lado. O conservadorismo cristão rejeita essa postura, pois entende que a verdade não pode ser sacrificada em nome da aceitação social.
Por exemplo, a defesa da vida desde a concepção (Salmos 139:13-16) não pode ser relativizada para evitar debates acalorados. Da mesma forma, a visão bíblica do casamento como uma instituição sagrada entre um homem e uma mulher (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6) não pode ser diluída para se adequar às pressões culturais. Esses posicionamentos, embora impopulares em muitos círculos, refletem a identidade cristã que não titubeia diante do mundo. Como disse o apóstolo Paulo em Gálatas 1:10, “Se eu ainda estivesse agradando aos homens, não seria servo de Cristo”.
A POLARIZAÇÃO COMO PARTE DO EVANGELHO
A ideia de que a polarização é algo a ser evitado a todo custo é estranha ao Evangelho. A mensagem de Cristo, por sua própria natureza, separa o joio do trigo (Mateus 13:24-30). Quando Jesus fala da espada em Mateus 10:34-36, ele reconhece que sua mensagem pode dividir até mesmo famílias: “O homem contra seu pai, a filha contra sua mãe”. Isso não é um defeito do Cristianismo, mas uma consequência de sua aplicabilidade. A verdade exige coragem para enfrentar a rejeição, a crítica e até a perseguição. Como conservadores cristãos, devemos abraçar essa realidade, entendendo que a divisão não é um sinal de fracasso, mas de fidelidade.
CONCLUSÃO: DEIXE DE SER FROUXO
Nem o Conservadorismo nem o Cristianismo são ideais para os mornos, os indecisos ou aqueles que buscam a aprovação do mundo.
Eles exigem uma identidade clara, um posicionamento firme e a coragem de ser um “sinal de contradição” em um mundo que valoriza a conformidade. O conservadorismo, quando fundamentado na teologia cristã, reflete essa exigência ao defender princípios inegociáveis, rejeitar o relativismo e aceitar a polarização como parte do chamado cristão. Como disse Jesus em Mateus 5:13, somos o “sal da terra” — mas, se perdermos nosso sabor, de nada servimos.
Portanto, conservadores, sejam ousados em sua posição política e em sua fé, sejam claros em sua identidade e firmes em sua missão. Parem de se esconder num Cristianismo romantizado ou na teologia da libertação.
A espada da verdade, que Cristo trouxe, não é uma arma de destruição, mas um instrumento de clareza, que separa luz das trevas e convida cada um a escolher de que lado estará.
"Pois Deus não nos deu um espírito de COVARDIA, mas de poder, de amor e de domínio próprio. Portanto, não se envergonhe do testemunho do nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro dele, mas suporte comigo os sofrimentos pelo evangelho, segundo o poder de Deus." 2 Timóteo 1:7-8.
Sérgio Júnior