
Façamos um minuto de silêncio — não pelas vítimas da guerra ou da fome, mas pela morte da liderança. Enterramos o estadismo ao lado do senso comum e erguemos, sobre seus túmulos, monumentos de puro Excel com cara de PowerPoint.
Sim, os políticos fracassaram. Miseravelmente. Quando acertaram no social, arrebentaram as finanças. Quando ajustaram as finanças, viraram genocidas emocionais. Um eterno pêndulo entre a burrice bem-intencionada e a maldade com MBA.
Eis que surge a única saída possível: entregar o governo às máquinas.
À primeira vista, parece uma ideia absurda. Mas pense comigo: o que é mais confiável — um algoritmo treinado para maximizar o bem-estar coletivo ou um vereador de terno slim que ainda chama golpe militar de “movimento”?
E é nesse ambiente que surge o novo monstro decorativo: o político slim. Sabe tudo, fala manso, cita Foucault e diz que “não é de direita nem de esquerda”. Mas lá no fundinho, aplaude os golpes que gosta. Os da direita, ele chama de retrocessos. Os da esquerda, de avanços sociais. Não são golpes — são “redirecionamentos revolucionários”.
Em vez de tanques, tweets. Em vez de generais, juízes. E em vez de vergonha na cara, uma placa de “justiça social” colada em cima da usurpação.
Porque, no fim das contas, o golpe que ele aplaude não é golpe — é “resgate democrático”. Desde que seja o golpe certo, claro.
Voltemos às máquinas…
As máquinas não pedem jetons. Não fazem live bêbadas no Instagram. Não se elegem com fake news e não dizem “e daí?” diante de uma tragédia. Elas simplesmente executam. Programas, leis, orçamentos. Tudo. Sem ideologia, sem olheiras, sem amante.
Já os políticos… ah, os políticos.
No futuro, continuarão existindo, claro — como bibelôs institucionais. Enfeites da democracia. Vão cortar fitas, beijar crianças, soltar platitudes e talvez até posar seminu numa campanha de vacinação. Mas quem manda, de fato, será o processador.
E o que dizer da aristocracia?
Aquela elite que, entre um odor de naftalina e outro de Chanel número 5 vencido, ainda se achava o suprassumo da moral e da cultura? Pois bem — ela caiu. Mas não pela revolução. Caiu pela frequentação duvidosa. Deixou entrar na festa quem não sabe usar guardanapo. E o pior: quem lava dinheiro com vinho francês.
A nova elite emergente trouxe de tudo: o bandido, o traficante gourmet, o influencer de Rolex falso, o político que começou roubando celular e terminou votando a PEC da Imoralidade. E, claro, a esquerda pós-moderna passou pano. Porque todo criminoso agora é vítima estrutural, e toda crítica é preconceito.
Resultado?
Temos uma aristocracia remixada: piorada, vulgarizada, embrutecida. A elite de hoje é o que a de ontem era — só que com menos latim, mais silicone e o triplo de processos na justiça.
Daí, a salvação: a máquina.
Só ela pode nos oferecer algo que nenhum dos “Deuses” prometeu com tanta certeza: transparência total.
A máquina não perdoa. Não esquece. Não indica primo para cargo comissionado. Ela entrega. Fria. Clara. Brutalmente eficiente.
Sim, deixemos que os robôs nos governem. Que o orçamento seja calculado por IA. Que os tributos sejam geridos por uma blockchain. Que a justiça seja codificada em linhas de código imparciais, e que o STF se transforme em um Data Center com toga.
Porque, sejamos sinceros: se é para sermos governados por idiotas, que pelo menos sejam idiotas sem ego.