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BRASIL SAI DO MAPA DA FOME DA FAO, MAS 50 MILHÕES AINDA NÃO TÊM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: VITÓRIA ESTATÍSTICA ESCONDE CRISE REAL

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
28/07/2025 às 18h08
BRASIL SAI DO MAPA DA FOME DA FAO, MAS 50 MILHÕES AINDA NÃO TÊM ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL: VITÓRIA ESTATÍSTICA ESCONDE CRISE REAL
Apesar de sair do mapa da fome, Brasil ainda enfrenta grave crise de insegurança alimentar que atinge milhões
O Brasil saiu oficialmente do mapa da fome da FAO (Organização de Alimentação e Agricultura da ONU) após quatro anos, com taxa de desnutrição inferior a 2,5% da população nacional. No entanto, por trás dessa conquista estatística se esconde uma realidade preocupante: 7 milhões de brasileiros ainda vivem em insegurança alimentar severa e 50,2 milhões não têm condições de se alimentar de forma saudável.
O anúncio, feito hoje em Roma, representa vitória propagandística para o governo Lula, que comemorou nas redes sociais como "conquista histórica". Porém, os dados revelam que a celebração pode ser prematura, considerando que quase um quarto da população brasileira (23,7%) não consegue manter alimentação adequada.
A FAO destacou que a taxa brasileira de 2,5% está abaixo da média latino-americana de 5,1% e mundial de 8,2%. Contudo, esses números mascaram a persistência de problemas estruturais que afetam dezenas de milhões de brasileiros, especialmente em um momento de crise econômica agravada pelas tarifas americanas.

Insegurança Alimentar Atinge 35 Milhões

Apesar da saída do mapa da fome, a insegurança alimentar permanece como desafio gigantesco no Brasil. Dados da FAO revelam que 3,4% dos brasileiros (7 milhões de pessoas) vivem em insegurança alimentar severa, enquanto 13,5% (28,5 milhões) enfrentam insegurança alimentar moderada.
Essa realidade significa que 35,5 milhões de brasileiros não têm certeza sobre sua capacidade de garantir três refeições diárias. Esses números contrastam dramaticamente com a narrativa governamental de vitória contra a fome, evidenciando que o problema foi apenas parcialmente resolvido.
A insegurança alimentar severa refere-se à incerteza sobre a capacidade familiar de ter renda para garantir alimentação básica. Já a moderada indica dificuldades para manter padrão alimentar adequado. Ambas as categorias representam vulnerabilidade social grave.

50 Milhões Sem Alimentação Saudável

O dado mais alarmante revela que 50,2 milhões de brasileiros (23,7% da população) não têm condições financeiras para manter alimentação saudável. Embora tenha havido redução em relação aos 62 milhões de 2021, o número permanece inaceitavelmente alto.
Em 2017, 55 milhões de brasileiros não conseguiam se alimentar adequadamente. O pico foi atingido em 2021, com 62 milhões de pessoas nessa situação. A redução para 50,2 milhões em 2024 representa melhoria, mas ainda significa que quase um em cada quatro brasileiros enfrenta dificuldades alimentares.
O custo crescente de refeições saudáveis é fator determinante para essa situação. Segundo a FAO, o preço de alimentação adequada vem aumentando ininterruptamente desde 2019, tornando produtos nutritivos inacessíveis para milhões de famílias.

Obesidade Explode para 45,7 Milhões

Paradoxalmente, enquanto milhões passam fome ou não conseguem se alimentar adequadamente, a obesidade explodiu no Brasil. Em 2022, 28,1% dos brasileiros eram obesos (45,7 milhões de pessoas), comparado a 19,1% em 2012 (27 milhões).
Esse crescimento de 69% em uma década demonstra que o problema alimentar brasileiro não é apenas de quantidade, mas principalmente de qualidade. A obesidade reflete incapacidade de obter alimentos saudáveis, falta de exercícios e padrões de vida inadequados.
A FAO alerta que alimentos ultraprocessados são "consistentemente mais baratos que qualquer outra comida". Em 2021, esses produtos eram 47% mais baratos que alimentos não processados e 50% mais baratos que processados, criando ciclo vicioso de má alimentação.

Brasil Voltou ao Mapa em 2021

O Brasil havia saído do mapa da fome da FAO em 2014, durante o primeiro governo Dilma. No entanto, a pandemia de covid-19 e o que a FAO classifica como "desmonte de programas sociais" fizeram o país retornar ao mapa em 2021, com 4,1% da população passando fome.
Essa volta ao mapa da fome representou retrocesso de sete anos nas políticas de combate à desnutrição. O período coincidiu com a crise econômica global e mudanças nas políticas sociais brasileiras, demonstrando fragilidade dos avanços obtidos.
A saída atual do mapa, portanto, representa recuperação de posição já conquistada anteriormente, não necessariamente avanço inédito. Essa perspectiva histórica é fundamental para avaliar adequadamente a conquista anunciada.

FAO Elogia Programas Sociais Brasileiros

Máximo Torrero, economista chefe da FAO, destacou o Brasil como exemplo de avanço, elogiando programas sociais como transferências condicionais de renda e alimentação escolar. Segundo ele, essas iniciativas "provaram ser altamente eficazes para evitar que indivíduos vulneráveis caiam na pobreza".
O especialista também reconheceu investimentos brasileiros no aumento da produção agrícola, citando o país como um dos principais exportadores globais de cereais. Essa capacidade produtiva aumenta disponibilidade de alimentos local e internacionalmente.
No entanto, o elogio da FAO não considera a sustentabilidade fiscal desses programas nem seus impactos na economia brasileira. A dependência de transferências governamentais pode criar vulnerabilidade estrutural em momentos de crise.

Lula Comemora "Conquista Histórica"

O presidente Lula comemorou nas redes sociais, classificando a saída do mapa como "conquista histórica que mostra que, com políticas públicas sérias e compromisso com o povo, é possível combater a fome". A declaração enfatiza o papel do governo na conquista.
Essa celebração, contudo, ignora que 50,2 milhões de brasileiros ainda não conseguem se alimentar adequadamente. A ênfase na vitória estatística pode desviar atenção dos problemas estruturais que persistem.
A narrativa governamental foca no sucesso contra a fome extrema, mas minimiza desafios relacionados à qualidade alimentar e sustentabilidade dos programas sociais em contexto de crise econômica.

Fome Mundial Diminui, Mas Meta 2030 Inalcançável

Globalmente, a fome perdeu força pela primeira vez desde o final da pandemia. A taxa mundial caiu de 8,5% em 2023 para 8,2% em 2024, representando redução de 22 milhões de pessoas em situação de fome.
Apesar do progresso, a FAO estima que 512 milhões de pessoas ainda passarão fome em 2030, tornando inalcançável a meta de erradicação estabelecida em 2015. Sessenta por cento desses casos estarão na África.
A covid-19, guerra na Ucrânia, inflação global e tensões geopolíticas descarrilaram avanços obtidos nas últimas décadas. A inflação de alimentos chegou a 13,6% em janeiro de 2023, cinco pontos acima da inflação geral.

Timing Suspeito em Meio à Crise Econômica

A divulgação da saída do mapa da fome ocorre em momento particularmente delicado para o governo Lula, que enfrenta crise diplomática com os Estados Unidos e impactos econômicos das tarifas de 50%. O timing pode não ser coincidência.
Com o Ibovespa em queda, dólar em alta e perspectivas econômicas sombrias, uma "boa notícia" sobre política social pode servir para desviar atenção dos problemas econômicos estruturais que o país enfrenta.
A estratégia de enfatizar conquistas sociais enquanto a economia se deteriora é padrão histórico de governos petistas, que priorizam narrativa política sobre sustentabilidade econômica.

Sustentabilidade dos Programas em Questão

A principal questão não abordada na celebração governamental é a sustentabilidade fiscal dos programas sociais em contexto de crise econômica. Com tarifas americanas devastando exportações e inflação pressionando gastos públicos, manter transferências pode se tornar insustentável.
A dependência de programas governamentais para combater a fome cria vulnerabilidade estrutural. Países desenvolvidos focam em geração de empregos e crescimento econômico como soluções duradouras para problemas sociais.
O modelo brasileiro de combate à fome através de transferências diretas pode ser eficaz no curto prazo, mas não resolve causas estruturais da pobreza. Sem crescimento econômico sustentável, esses programas se tornam insustentáveis.

Análise da Revista No Ponto Do Fato

A saída do Brasil do mapa da fome da FAO representa conquista estatística que esconde realidade muito mais complexa e preocupante. Para a Revista No Ponto Do Fato, celebrar essa vitória enquanto 50,2 milhões de brasileiros não conseguem se alimentar adequadamente demonstra a preferência do governo Lula por propaganda sobre soluções estruturais.
Nossa revista sempre alertou que programas sociais baseados em transferências diretas, embora necessários, não substituem políticas econômicas que gerem empregos e renda sustentável. A dependência de 35,5 milhões de brasileiros em programas governamentais para garantir alimentação básica evidencia fragilidade estrutural preocupante.
Para a No Ponto Do Fato, é particularmente revelador que a obesidade tenha explodido para 45,7 milhões de pessoas enquanto o governo comemora vitória contra a fome. Isso demonstra que o problema alimentar brasileiro é de qualidade, não apenas quantidade, reflexo de políticas que priorizam assistencialismo sobre educação nutricional.
O timing da divulgação, em meio à crise econômica causada pelas tarifas americanas, levanta suspeitas sobre uso político de dados internacionais. Nossa revista sempre defendeu que conquistas sociais devem ser sustentáveis, não dependentes de conjunturas políticas favoráveis.
A volta ao mapa da fome em 2021 demonstra fragilidade dos avanços obtidos através de programas sociais. Para a No Ponto Do Fato, isso confirma nossa tese de que soluções duradouras exigem crescimento econômico robusto, não apenas redistribuição de renda.
O elogio da FAO aos programas brasileiros ignora questões de sustentabilidade fiscal e dependência estrutural. Nossa revista sempre alertou que organismos internacionais frequentemente endossam políticas populistas sem considerar consequências econômicas de longo prazo.
Para a No Ponto Do Fato, o fato de 23,7% dos brasileiros não conseguirem se alimentar adequadamente, mesmo com o país fora do mapa da fome, demonstra que as métricas internacionais podem não refletir a realidade social complexa.
A explosão da obesidade para 28,1% da população evidencia que alimentos ultraprocessados baratos substituíram alimentação saudável. Nossa revista sempre defendeu que políticas públicas devem focar em educação e acesso a alimentos de qualidade, não apenas quantidade.
O reconhecimento de que o custo de refeições saudáveis vem aumentando desde 2019 contradiz narrativas governamentais sobre melhoria das condições sociais. Para a No Ponto Do Fato, isso demonstra que inflação e políticas econômicas inadequadas prejudicam mais os pobres.
A estimativa de que 512 milhões de pessoas ainda passarão fome mundialmente em 2030 mostra que a meta de erradicação é irrealista. Nossa revista sempre defendeu que metas internacionais devem ser baseadas em realismo econômico, não wishful thinking político.
Para a No Ponto Do Fato, a verdadeira vitória contra a fome virá quando o Brasil conseguir garantir alimentação saudável para todos através de crescimento econômico sustentável, geração de empregos e políticas que promovam autonomia familiar, não dependência de programas governamentais.
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