
Em artigos anteriores, e comentários que faço aqui e ali, afirmo que não basta que uma pessoa tenha autoridade de direito se tal autoridade não é reconhecida de fato. É o caso, por exemplo, quando se constata que alguém que detém autoridade de direito não demonstra capacidade para o exercício da mesma. Podemos dizer que autoridade é o direito reconhecido de exercer poder sobre indivíduos ou grupos, implicando obediência não apenas por força, mas por legitimidade moral, legal ou institucional. A pessoa pode ter legitimidade legal ou institucional, mas não tem legitimidade moral para ser reconhecida como tal.
Outro exemplo de perda de legitimidade é quando uma autoridade dá ordens ilegais. Quem cumpre ordens ilegais e as repassa a seus subordinados também perde a legitimidade. Há ainda a famosa “carteirada”, quando uma suposta autoridade tenta usar seu cargo para obter benefícios pessoais ou escapar de um ilícito, como ao ser flagrado alcoolizado em uma blitz da lei seca, o que retira a legitimidade de seu cargo e do policial que aceita fazer “vista grossa”, momento em que nenhum dos dois cumpre a lei.
O que penso, então, é que autoridade precisa ser reconhecida como tal, não apenas do ponto de vista jurídico-institucional, mas também — e até mais importante, a meu ver — no aspecto moral. Reconhecer que um estudioso é uma autoridade num determinado assunto é um reconhecimento moral, pois ele não necessita de nenhuma chancela jurídico-institucional para ser respeitado. Seu conhecimento e sua influência sobre o segmento e sobre as pessoas são os verdadeiros requisitos para o reconhecimento da legitimidade de sua autoridade técnica sobre o assunto que domina.
Donald Trump é a autoridade mais poderosa do mundo. Ele comanda o país mais poderoso, que tem a maior economia, a maior máquina de guerra, reconhecido como a maior democracia e que tem o maior poder de influência sobre todos os organismos internacionais e até mesmo sobre os demais países do planeta, não importando os regimes de governo a que estão submetidos ou quem são ser líderes. Qualquer um que não reconheça que isso representa ter autoridade é no mínimo burro. E, neste caso específico, um ponto interessante: ainda que muitos não reconheçam sua autoridade moral para determinadas atitudes, o poder que ele tem nas mãos torna este fato irrelevante, principalmente se este não reconhecimento partir de quem não tem autoridade moral para isso.
Sigo, então, com duas perguntas simples: que autoridade moral tem Lula para contestar a autoridade de Donald Trump? E que autoridade moral tem a família Bolsonaro diante de Donald Trump, a ponto de serem capazes de influenciar ou determinar as atitudes que está tomando em relação ao Brasil? Respondendo às duas questões: zero.
Como complemento da primeira pergunta, é a falta de autoridade moral de Lula que o impede de negociar com Trump, por não ter o que dizer e porque sua imoralidade nesse caso é de extrema conveniência. E para complementar a segunda questão, quem confere autoridade à família Bolsonaro é o próprio governo brasileiro. Por exemplo, quando Fernando Haddad, durante entrevista, afirma que a influência dos “Bolsonaros” sobre Trump é que, por meio de Eduardo Bolsonaro, estão impedindo que haja negociação entre os dois governos.
Quando Haddad fala isso, ele não apenas reconhece que Eduardo Bolsonaro tem autoridade sobre o cara mais poderoso do mundo, quanto reconhece que ele e seu presidente não tem autoridade alguma – o que nem precisaria deste episódio para ser constatado, uma vez que temos um ex-presidiário condenado por corrupção em três instâncias na presidência da república e ele próprio, Haddad (que confessou em vídeo ter estudado apenas dois meses de economia) no comando da economia da 10ª do mundo num ranking com 196 países – além de ter sido considerado o pior prefeito da cidade de São Paulo que é o terceiro maior PIB do país.
Ao reconhecer Eduardo com tamanha autoridade, Fernando Haddad reconhece, por tabela, a autoridade de Jair Bolsonaro, que é absolutamente moral, já que ele não ocupa nenhum cargo que lhe dê também o respaldo jurídico-institucional. E quando se associa isso à perseguição do ‘sistema’ a Jair Bolsonaro, a autoridade moral do ex-presidente é exponencialmente ampliada pela percepção da população, que, assim, consegue concluir que todo o autoritarismo praticado pelo judiciário brasileiro serve para esconder o fracasso econômico e moral do atual governo, atribuindo a terceiros a culpa de tudo que faz de errado ou simplesmente não faz.
Cada vez que Lula ou qualquer integrante de seu governo abrem a boca para atacar Eduardo Bolsonaro de estar traindo o país, o responsabilizado pelas ações do governo Trump contra o Brasil, eles estão atestando sua total falta de autoridade moral, que não é reconhecida pela maioria da população brasileira, apesar da autoridade jurídico-institucional quem têm. Além disso, o acirramento das ações do judiciário brasileiro contra Jair Bolsonaro consolida ainda mais sua autoridade moral, dentro e fora do Brasil. Que continuem assim.
Como diria Michel Temer, “tem que manter isso!”.
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