
Enquanto minha mãe repousa de seu martírio físico, "La testa parte e va in giro in cerca dei suoi perché".
De fato, é extremamente difícil encontrar o diagnóstico correto ou saber como reagir ou interpretar quando se está muito envolvido emocionalmente numa situação . Entendendo isso, percebo que não é apenas no âmbito de mãe e filho que se promove um comportamento ou julgamento emocional.
A simples existência de uma conexão ou de uma relação psicoemocional — mesmo quando não admitida (formação reativa) — pode suscitar amor, solidariedade, admiração, inveja, inimizade, ódio, desejo de vingança, entre muitos outros sentimentos. Por isso, alguns cometem atos primitivos, demonstram ódio visceral por alguém, amaldiçoam, e até matam. Na realidade, porém, inconscientemente, admiram e têm temor. Muito temor.
FORMAÇÃO REATIVA:
A formação reativa é um mecanismo de defesa descrito por Sigmund Freud na psicanálise. Ocorre quando uma pessoa reprime um desejo ou sentimento inaceitável (como admiração ou atração) e o substitui por uma atitude oposta, como ódio ou rejeição.
*Referência*: Sigmund Freud, *Estudos sobre a Histeria* (1895) e *O Ego e o Id* (1923).
Um exemplo intrigante desse tipo de relação é o crime passional. É sabido que, naturalmente, um determinado tipo de homem ama muito sua esposa. No entanto, por ser inseguro, frágil, estar sob o efeito de entorpecentes ou emocionalmente desequilibrado (grave distúrbio psicológico), ele pensa ser proprietário da mulher e não aceita sua separação ou independência. E a mata.
Isso ocorre porque ele se sente com autoridade inquestionável sobre a mulher. A simples possibilidade de ela brilhar o incomoda profundamente. O pior é que inúmeras mulheres aceitam esse tipo de relação tóxica: calam-se, anulam-se e desenvolvem um temor profundo e inexplicável.
Isso causa espanto em quem está fora da relação, além de muitos questionamentos, como: “Que mulher boba?”, “Por que não se separa dele?”. Assim, o doente vai ganhando espaço gradativamente. Um dia, bate no irmão da vítima (cunhado); no outro dia, ameaça a amiga de infância, proíbe-a de trabalhar, e agride-a pelo simples prazer de se sentir temido. Há explicações.
TEORIA DO APEGO:
A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e Mary Ainsworth, explica como os vínculos emocionais formados na infância influenciam relações adultas. Em relações tóxicas, a vítima pode desenvolver um apego inseguro (ansioso ou evitativo), que a leva a tolerar abusos por medo de abandono ou por dependência emocional.
*Referência*: John Bowlby, *Attachment and Loss* (1969-1980); Mary Ainsworth, *Patterns of Attachment* (1978).
SÍNDROME DE ESTOCOLMO:
A Síndrome de Estocolmo descreve uma situação em que a vítima desenvolve uma ligação emocional com o agressor, muitas vezes como mecanismo de sobrevivência.
*Referência*: Estudos sobre traumas psicológicos e dinâmicas de abuso, como os de Nils Bejerot (1973, origem do termo).
Esse tipo de criminoso, ainda que o crime seja oriundo de uma patologia psicológica, só obtém sucesso porque não é confrontado por ninguém. É um medroso que se vale de outros medrosos. Na lista estão pai, irmão, amigos, vizinhos e outros próximos da vítima, que a deixam sozinha para enfrentar um criminoso impiedoso. O que acontece é que, inesperadamente, aparece alguém que se apaixona pela mulher vítima (como no meu livro *Memórias da Leoa Negra*). Esse alguém está disposto a dar a vida por ela, o que desperta a admiração dos frouxos parentes da mulher vítima, mas também desvia o ódio do algoz para o virtuoso homem que ousou enfrentá-lo.
Da mesma forma, alguém que ocupa um posto de autoridade (policial, juiz, presidente) e necessita demonstrar seu poder, nutrindo uma sanha persecutória e impondo humilhação à sua vítima, acredita estar demonstrando coragem. Na verdade, foi profundamente ferido em seu ego e possui alto índice de insegurança e temor. É um fraco. E só consegue se manter no cargo porque todos os “amigos” da vítima são tão oprimidos psicologicamente quanto o seu opressor. É o reinado dos enfermos.
Assim como nas relações pessoais, dinâmicas de opressão e submissão também se manifestam em contextos coletivos. É o que aconteceu na relação entre Adolf Hitler e a Alemanha. O regime nazista explorou as fragilidades psicológicas e sociais de uma nação para consolidar seu poder, sem enfrentar resistência significativa até que fosse tarde demais.
VIGIAR E PUNIR:
Michel Foucault analisa como o poder opera em relações sociais, não apenas como opressão, mas como uma rede de práticas que moldam comportamentos e subjetividades.
*Referência*: Michel Foucault, *Vigiar e Punir* (1975) e *A História da Sexualidade* (1976).
TRANSTORNOS MENTAIS:
A psicopatia é um transtorno de personalidade marcado por falta de empatia, manipulação e necessidade de controle. O narcisismo patológico, relacionado, envolve a busca por poder e admiração para compensar inseguranças profundas.
*Referência*: Robert D. Hare, *Without Conscience* (1993); DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

MEDO DO DIVÓRCIO
A Pátria brasileira estava casada com um “esposo” tóxico e violento intimamente, mas que fazia pose de bom moço, pública e internacionalmente. A nação, psicologicamente fragilizada, era incapaz de reagir. O seu algoz, com psicopatia aguda, não admitia sua liberdade plena.
A questão é que Jair Bolsonaro se apaixonou pela Pátria e jurou dar a sua vida por ela. Ao enxergar sua dor e seu trauma, Jair a incentivou, e alguns amigos da vítima se juntaram a ele.

O algoz, acostumado a oprimir seu brinquedo de estimação, tentou limitar o alcance do bravo homem que o enfrentou, impondo-lhe uma tornozeleira como símbolo de controle. No entanto, a quantidade de amigos do indomável homem aumenta a cada dia (inclusive internacionalmente), e uma ação coordenada deve acontecer, mas depende de uma manifestação pública da vítima. Ela precisa declarar que quer o divórcio e romper de vez com essa relação de opressão sistemática. Ela precisa sair de casa, ir para o meio da rua e gritar: LIBERDADE!

Já há muitos amigos do lado de fora que ganharam coragem e estão gritando: “REAJA, BRASIL!”
#ReajaBrasil
Sérgio Júnior