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BRASÃO DO RIO GRANDE DO SUL É APAGADO DE UNIFORME ESCOLAR OFICIAL; DATA DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA É TROCADA POR “20 DE SETEMBRO DE 55”; CAMISETAS FORAM FABRICADAS NO PARAGUAI

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Hermes Magnus
Por: Hermes Magnus
18/07/2025 às 21h53
BRASÃO DO RIO GRANDE DO SUL É APAGADO DE UNIFORME ESCOLAR OFICIAL; DATA DA REVOLUÇÃO FARROUPILHA É TROCADA POR “20 DE SETEMBRO DE 55”; CAMISETAS FORAM FABRICADAS NO PARAGUAI

Porto Alegre — Uniformes distribuídos recentemente a estudantes da rede estadual de ensino do Rio Grande do Sul estão gerando forte repercussão entre educadores, juristas e observadores atentos ao respeito aos símbolos públicos. As camisetas, de uso oficial, trazem o brasão do Estado graficamente distorcido, com inscrições sobrepostas que suprimem elementos essenciais — inclusive a data da Revolução Farroupilha, “20 de setembro de 1835”, que aparece na estampa como “20 de setembro de 55”, sem explicação ou justificativa histórica plausível.

 

A substituição compromete a integridade do brasão e levanta dúvidas sobre os critérios adotados para a criação do material escolar. A data de 1835, que marca o início da Revolução Farroupilha, é um dos elementos centrais do brasão oficial, instituído por lei em 1965, e reconhecido como parte fundamental da identidade gaúcha. A versão “55”, abreviada ou errônea, não apenas confunde, como compromete a transmissão de um dos fatos históricos mais relevantes do estado às novas gerações.

 

Além da questão simbólica e legal, outra revelação agravou a situação: as camisetas foram fabricadas no Paraguai, conforme indicado na etiqueta interna. A importação do material ocorre justamente no momento em que o Rio Grande do Sul enfrenta uma fase crítica de reconstrução econômica, após as enchentes que comprometeram amplamente a atividade de pequenas e médias indústrias locais.

 

Violação legal e descaracterização institucional

 

A utilização modificada do brasão viola diretamente a Lei Estadual nº 5.213/1965, que dispõe sobre os símbolos oficiais do Estado do Rio Grande do Sul. Segundo a legislação:

 

“Os símbolos estaduais não podem ser modificados, nem usados de forma que desfigure ou altere suas proporções, cores ou elementos essenciais.”

 

Juristas especializados em direito público destacam que a inclusão de textos como “EDUCAÇÃO” e “REDE ESTADUAL” sobre o brasão, bem como a adulteração da data da Revolução Farroupilha, caracterizam deturpação gráfica. Além disso, a utilização institucional de um brasão descaracterizado em contextos escolares pode configurar uso indevido de bem público com valor histórico e pedagógico.

 

Contradição pedagógica e ausência de critério institucional

 

A peça de vestuário, criada pela Secretaria Estadual da Educação, foi apresentada como parte da “identidade visual” da rede pública. No entanto, sua execução entra em contradição direta com princípios pedagógicos elementares. Ao distorcer um símbolo estadual de alta relevância, o uniforme transmite às crianças uma imagem fragmentada da identidade gaúcha.

 

Educadores relatam que não houve consulta pública, parecer técnico nem debate pedagógico sobre o novo desenho do brasão ou a mudança na data. O material chegou pronto às escolas, com visual alterado e sem explicações sobre os significados transmitidos.

 

Importação em meio à fase crítica da recuperação econômica

 

A informação de que os uniformes foram importados do Paraguai surpreendeu representantes da indústria têxtil gaúcha. Segundo dados do setor, diversas confecções regionais ainda operam com dificuldades após os impactos das enchentes, e a produção local de uniformes seria viável em termos técnicos, logísticos e de qualidade.

 

A escolha por uma empresa estrangeira neste contexto é vista como contraditória diante do discurso oficial de estímulo à reconstrução. Pequenos e médios empresários do setor consideram a decisão “incoerente com o esforço coletivo de reativar a economia interna do estado”.

 

Repercussão pública

 

As imagens das camisetas, com o brasão modificado, a substituição da data histórica por “20 de setembro de 55” e a etiqueta de fabricação estrangeira, circulam nas redes sociais desde o início da semana. Professores, historiadores e cidadãos têm se manifestado com perplexidade e repúdio.

 

Até o momento, o governo estadual e a Secretaria da Educação não se pronunciaram oficialmente sobre a alteração simbólica do brasão, nem sobre o motivo da escolha do fornecedor internacional.

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