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“Eu Faces Eu!”

Seres Multifacetados

José Carlos Bortoloti
Por: José Carlos Bortoloti
09/07/2025 às 11h59
“Eu Faces Eu!”

                                            Eu Faces Eu!

 

“Aqui dentro há vários Eus.
Enquanto uns cuidam da vida dos outros
Eu cuido da vida dos meus...!”

Rodrigo Oliveira

  

Quem são esses tantos Eus?

          Estamos tão próximos de nós mesmos, mas e porque os conhecemos tão pouco? Porque temos essa dificuldade?

Será que o homem ainda não dispõe de práticas que possam dar auxílio ou são desvirtuados por interesses manipuladores de outros?

São respostas que procuro. Tento me conhecer, mas ao mesmo tempo tenho curiosidade em saber como são, sentem e pensam os demais Eus, a respeito desse assunto.

Quem sabe procurando juntos, podemos responder essas e tantas outras perguntas que na maioria das vezes fazemos no silêncio, somente para nós mesmos por falta de coragem em perguntar aos demais.

E por falta de registros para pesquisar.

     Sem a seriedade dos métodos científicos, decidi registrar algumas das tantas maneiras de agir e pensar que nos compõem.

Decidi denominar cada grupo característico das faces do eu, para não repetir a palavra personalidade, mesmo porque percebo que ela não abrange e esgota o assunto.

Acredito ser uma área bem ampla a ser ainda melhor estudada, para dar respostas mais claras, e nos ajudar nesse eu-entendimento.

 Eu-dos-euses!

     Cuidado com esse eu. Convenções sociais, facilmente criticam esse pronome diante de tudo ou de todos. Pode estar denunciando o seu nível de convencimento, se achando o super eu diante de outros “eus”, acreditando que é o mais-dos-mais, um único eu.

     Um Eu-deus incomparável nas genialidades exclusivas das constituições materiais, mentais e espirituais. Veja o grau de perfeição desse meu eu, os detalhes constitutivos da sua composição total, o material um monumento fenomenal, sem igual. Uma minuciosa clonagem será imparcial. Todos os detalhes são exatamente os diferenciais que levam a me reverenciar.

 E isso é só o aparente.

     Agora vejamos o eu-mental, é evidencial as transpotencialidades intelectuais em sua quantidade e qualidade incomparáveis, são puras exclusividades, verdadeiras preciosidades. Muitas vezes as preservamos intocáveis porque socializadas se tornariam vulgarizadas e desqualificadas. São perfeitamente estruturadas. Seus supostos distúrbios e desequilíbrios são meros detalhes. Se existirem serão insignificantes e nada relevantes dentro desse poderoso e valoroso eu-especial.

 Eu-alma!

      É pura fonte angelical, um eu-diferencial, transcendental, perpassa o universal é indiscutivelmente o mais raro e inigualável eu-imaterial. São qualidades que impossibilitam qualquer referencial comparativo com os demais.

É impossível. Como comparar o meu eu com o outro eu tão desigual?

Se esse eu não existisse? Como seriam os outros eus que dependem da minha existência e da minha interferência?  Seria um imperfeito eito para esses “Eus” sem o eu-alma.

 Eu-desejo

        Livre, desejaria continuar descrevendo os atributos e qualidades desses meus eus nobres, mas vou poupar os demais eus: os lideristas, moralistas, religiosistas, politicalistas e os psicoterapistas... me referindo a todos os istas. Estes tentariam me encilhar e as rédeas puxar, pondo freios nas minhas eu-denominações.

Estes preferem um eu-de-menos ver apontar, um eu-fraco atuar, um eu-aniquilado evidenciar, um eu-sem-eu entre os demais eus meramente estar.

É assim que os tantos eus preferem ver o eu-atuar, então vou mostrar como eu-ficar nesse patamar.

  Eu-face-abalada

          Tornar-me-ia um eu-material imperfeito, sem forma, sem jeito, cheio de defeitos pelos eitos, um rejeito, desfeito, sem proveito.

Um eu-aniquilado, apagado, fora da rota, desajeitado, descartado, sem sequer ter a chance de ser reciclado.

Sem referencial, sem chances de ser um eu-diferencial.

    Eu-anulado

            Eu-contrariado, todo fragilizado e deslocado, um sentimento de completa inferioridade, tomando conta de todo o meu-eu de um extremo ao outro. Um extremismo, um fundamentalismo, tornaria o meu-eu descaracterizado, eu-pesado, impossibilitado de continuar a suportar o próprio eu-fadado, cansado, desconfortado, incomodado, adoentado, flagelado e mutilado, pronto para ser eliminado de tão pouco significado.

Poderia continuar a falar desse eu-coitado.

Mas o que fazer?

Ora dirão ter exagerado no eu-agrado, ora ter o eu-subestimado.            

Eu-avaliado

             È sabido e entendido que cabe a cada eu, criar em si um eu-centrado.

É interessante o eu-conhecer as faces do eu. Indo das profundezas, mesmo que seja de modo exagerado, isso não é nos vedado.

Essa procura e encontro dos meus-eus requer coragem, pois de um lado existe a possibilidade de identificar em si as mais belas e agradáveis capacidades.

E por outro lado, mergulhar num brejo profundo, escuro, frio, sujo e insuportavelmente desagradável.

   Talvez o que falta para cada um de nós é esse eu-ver os eus-meus, de uma face à outra, para aprender construir em si um eu mais conhecido, menos temido pelo próprio eu.

Sabendo ponderar com sabedoria o quanto cada face deseja usar. Criando pleno domínio sobre seu eu, garantindo a liberdade, a capacidade de fazer os usos mais adequados, confortáveis a seu eu e aos demais eus.

 Eu-desconhecido

             Pensa-se muito, mas se fala pouco sobre esse nosso eu-desconhecido, acredito ser em consequência de algumas formas de preconceitos. Um hábito pouco incorporado nas famílias, em nossa formação escolar e na sociedade.

 Eu-crivo

             Às vezes surge a dúvida sobre a importância ou não em se pensar ou se preocupar com esse assunto. Ele não é proibido. Mas dá a impressão de ser um tema desnecessário, inoportuno, de pouca importância. Para que se ocupar disso? Parece que tantas outras coisas têm mais valor. Nisso pouco se fala. Talvez seja pura falta de tempo, com tantas coisas mais importantes e interessantes para fazer ou conhecer. Ou então, porque muitos preferem deixar intocável, inconcebível e imprevisível, seus mistérios por uma opção.

 Eu-direcionado

           Por que nossa curiosidade é maior ao explícito e externo do que ao implícito e interno? A curiosidade nos direciona a tantas aprendizagens, sejam elas empíricas ou científicas. A cada momento, novas descobertas, novos assuntos são apresentados ou reapresentados, nos mais diversos meios de comunicação, nos deslumbrando com as novidades. São informações sobre as diversas temáticas. Mesmo as relacionadas ao nosso eu. Muitos chamam a atenção, revolucionam as intervenções terápicas, levando ao controle ou cura dos nossos eus-adoentados.

E indiscutivelmente, são importantíssimos e devem continuar buscando as compreensões e intervenções, nas tentativas de encontrar soluções as enfermidades dos nossos-eus. Necessitamos achar maneiras de conhecer o eu-por-inteiro, principalmente o interno e intrínseco.

   Eu-prioridade

        Como eus-especiais, merecemos nos servir dos mais qualificados e adequados recursos disponíveis e possíveis, dispondo-nos diversidades de escolhas de ajudar os nossos-eus. Mas às vezes, tudo o que está disponível não é suficiente ou é inadequado. E as áreas afins, então são desafiadas a encontrar novos meios. Esta constante mobilidade é admirável e louvável por estar centrada nas soluções do que se espera.

 Eu-necessitado

         Às vezes, apesar de tudo o que temos disponível, os desconfortos de alguns eus, continuam causando sofrimentos, solidão, decepção, medo, insatisfação ou qualquer outro desagradável sentimento. E mesmo, amparados e confortados, podem acabar na desesperança. E o que se pode fazer por esse eu? Sem desprezar referências, recursos, procedimentos e conhecimentos, às vezes a resposta pode estar nos próprios Eus.

   Eu-decidir

              E o seu eu pode ajudar seus outros eus?

             A curiosidade, o desejo, a necessidade, a coragem e disponibilidade, entre outros meios, estão disponíveis e podem favorecer possibilidades em deixar emergir do seu interior, soluções e curas para seus eus-fragilizados. São oportunidades em estar emergindo no universo interior dos seus eus e desta forma procurar conhecer melhor quem você é. Procurar entender sua unicidade e totalidade. Aprender a conviver consigo mesmo, do melhor jeito possível, do jeito que desejar ou necessitar. Dar a si o direito de se atribuir adjetivos sejam eles qualidades ou defeitos. Autorizar-se a fazer as escolhas que desejar ou achar ser mais eficientes ou convenientes. Desejar conhecer a si mesmo, tudo o que quiser ou puder. E fazer de si mesmo seu amigo, seu inconfidente, falar de si para si, se revelar e pedir ajuda a si.

 Eu-optar

          Entretanto, o seu eu está disponível e pode ser mensurado, intocado, amado ou odiado por você mesmo, tudo o que estiver relacionado ao seu eu. Só o seu tu tens o domínio e o poder de compreender e usar dele o conveniente. E para que servem as tantas faces do eu?

Servem para lhe servir. As escolhas são suas, as intenções, os resultados, as consequências, tudo depende do seu eu. Até mesmo se optar em autorizar a outros eus te controlar, se quiser pode deixar se anular. Portanto, tudo do seu ele é seu, se o seu eu assim o desejar. Igualmente as medidas dos usos das suas faces, resultam das escolhas que o seu fará.

  Eu-repugnante

          Uma das faces mais decepcionantes faz as outras faces sofrer, com as atitudes decepcionantes que o dominam, mesmo que só por alguns instantes, com tanta intensidade que faz prevalecer suas vontades. Estas são gelidamente praticadas, tamanha a frieza e insensibilidade. Suas ações são relampejantes, atingindo seus alvos tornando-os paralisados. Alguns eus podem eternamente se desintegrar, outros tantas podem permanecer mutilados. Que explicações para isso daria? Seria a face rebelde, que rompe suas ordens, desafia os limites que a ela são dados. Uma face que transgride, desconecta-se das demais.

  Eu-excluído e ignorado

          Desprezado pelas outras faces, ignorado, penalizado. Porque é assim tratado? Para que desprezar? Tudo tem seu valor em determinado lugar, e momento, cada parte tem sua devida importância. Afinal, tudo faz parte do todo, todos os eus dependem de tudo, em partes ou num todo. Todos os diferentes eus são igualmente dependentes entre si.

 Eu-acomodado

          Descompromissado, desprogramado, desorganizado, acaba criando transtornos e prejuízos para os outros eus.

 Eu-responsável

          Um eu atuante, confiante, protetor dos outros eus, organizador e planejador da integridade da totalidade dos eus.

  Eu-amado

          Sempre pelos demais convidado, amistoso, companheiro dos outros eus por inteiro, uma face especial.

   Eu-feliz

           È uma face contagiante, sorridente, tenta alegrar os eus mais sérios, deprimentes ou doentes. Procura unir os demais para o todo dos eus para em constante felicidade deixar.

     Eu-enigmático

           Este é inconcebível em sua totalidade, inesgotável, surpreendente, é pelos demais pouco conhecido, secreto, misterioso.

  São tantas as faces que compõem a face do meu eu. A cada instante, novas e intrigantes faces se revelam, se deslocam, se transformam, atuam, interagem e desaparecem.

     Eu-conclusões

          Acredito que todos nós, mais cedo ou mais tarde, percebemos que o nosso eu é formado por inúmeras faces-de-eus. Cada ser é constituído de múltiplas faces e facetas. Cada eu, é uma face exclusiva, uma obra de arte autêntica e original, sem possibilidade de reproduzir outro eu exatamente igual.

        Você percebeu apesar da dependência entre os demais eus, cada eu é um é autônomo? Possuímos faces fortes e fracas, positivas e negativas, felizes e infelizes, verdadeiras e falsas, livres e condenadas. E tantas outras faces que compõem o todo do nosso eu. Portanto, se auto pesquisar, conhecer o maior número de faces do seu eu. Favorecem o auto planejamento, escolhas combinações de faces e usos para seu bem e para os demais seres. 

 Você tem avaliados os teus EUS?

Pense.... Não dói!

         

  Transpirado e Inspirado em poesias lidas do cotidiano 

José Carlos Bortoloti

Escritor & Articulista

Passo Fundo – RS

Colaborador da Revista No Ponto do Fato 

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SheilaHá 6 meses California E verdade que cada parte de nós tem seu valor. Conhecer estas faces ajuda a fazer escolhas melhores.
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José Carlos Bortoloti
José Carlos Bortoloti
Cronista e Escritor - Coautor do Livro Línguas de Fogo - Jornalista/Radialista - DRT/RS 872
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