
Ah, as democracias… essa maravilhosa invenção onde o povo, teoricamente soberano, escolhe de tempos em tempos quem o enganará legalmente pelos próximos quatro anos. E que variedade encantadora temos! Democracias de direita, onde o capital sorri e o pobre “empreende” até morrer; democracias de esquerda, onde o Estado abraça todos com tanto carinho que até sufoca; e claro, as democracias “centradas”, onde se rouba com parcimônia, para não parecer radical.
Mas o mais fascinante é que todas essas democracias são, de alguma forma, impostas. A democracia não é uma escolha, é uma obrigação moral. Não quer participar? Antidemocrático! Não gosta das opções? Extremista! Votar nulo? Ah, então você “não pode reclamar depois”. A liberdade democrática, veja bem, só é válida dentro dos limites traçados por quem já está no poder, uma democracia tutelada, gentilmente monitorada por juízes iluminados, ex-militares redimidos ou comissários do politicamente correto.
E não sejamos ingênuos: a democracia ditatorial é o novo normal. O povo vota, sim, claro, mas depois que votou, o sistema se fecha como uma porta de banco. Nada entra, nada sai, e qualquer tentativa de contestar a moral da democracia resulta em rótulos; golpista, fascista, terrorista digital, ou simplesmente “negacionista”. Afinal, “quem discorda da democracia não entende o que é democracia”, como dizem os sábios do Twitter com diploma em “ciência política aplicada ao TikTok”.
Portanto, celebremos essa democracia em que tudo é permitido, desde que previamente autorizado. Onde os votos são livres, mas os eleitos são os de sempre. Onde o dissenso é crime, mas a hipocrisia é virtude. Viva a democracia! A mais bela ditadura de todas, porque ela nos dá a ilusão de escolha… e nada é mais eficaz do que uma prisão com aparência de liberdade.