
Quem já foi à Suécia sabe: o galeão Vasa é um monumento à arrogância náutica. Construído para ser o orgulho da frota sueca em 1628, o navio afundou gloriosamente poucos minutos após zarpar pela primeira vez. Dizem que o rei ficou tão irritado que queria afundar os engenheiros junto — afinal, se o navio foi pro fundo, por que os culpados deveriam ficar boiando?
Corta para 2025. Lá está Kim Jong-un, em toda sua glória tricotada, de casaco escuro e sorriso tenso, supervisionando o batismo de um novo destróier de 5.000 toneladas, orgulho da moderna frota norte-coreana. Spoiler: o navio escorregou torto pela rampa, bateu com gosto e ficou deitado de lado — uma versão comunista do Titanic antes mesmo de zarpar. O batismo foi com água do mar… direto na quilha rachada.
O grande líder, entre um grito e outro, classificou o vexame como “um ato criminoso”. Disse que houve “negligência absoluta”, “empirismo não científico” (um eufemismo para “fizeram na base do chute”) e exigiu que o navio seja consertado antes de uma reunião do partido em junho. Sim, claro. E na próxima semana ele também quer um submarino que voa.
A analogia com o Vasa é inevitável, mas com um tempero nuclear e cortes de cabelo ousados. Assim como no século XVII, o desastre foi menos sobre madeira ou aço e mais sobre vaidade. A diferença é que o Vasa hoje está exposto em um museu. Já o destróier norte-coreano corre o risco de virar lenda urbana submarina.
Enquanto isso, Kim segue jogando Batalha Naval em modo hard, queimando recursos em navios que nem chegam ao mar. Talvez fosse mais prudente investir em barquinhos de papel ou, quem sabe, aprender com a Suécia: quando seu navio afunda, pelo menos transforme em atração turística. Vai que o turismo interno na Coreia do Norte finalmente decola… com um museu flutuante encalhado na doca.