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GOVERNO LULA ANUNCIA INVESTIMENTOS EM TRANSPORTE E ENERGIA, MAS CRÍTICAS APONTAM ATRASOS E USO POLÍTICO

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
21/05/2025 às 14h54
GOVERNO LULA ANUNCIA INVESTIMENTOS EM TRANSPORTE E ENERGIA, MAS CRÍTICAS APONTAM ATRASOS E USO POLÍTICO

O governo federal anunciou uma série de investimentos em transporte e energia, com destaque para melhorias em infraestrutura para o agronegócio, ampliação urbana em Belém para a COP 30 e a conexão de cidades amazônicas à rede elétrica nacional. As medidas, amplamente divulgadas como avanços para o desenvolvimento do país, incluem projetos de rodovias, portos e linhas de transmissão elétrica. No entanto, críticas de analistas apontam para atrasos históricos, falta de transparência e uso político das iniciativas, levantando dúvidas sobre sua efetividade e impacto real para a população.

Investimentos em Transporte para o Agronegócio

O ministro dos Transportes, Renan Filho, destacou em audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, ontem, investimentos em rodovias e portos para fortalecer o escoamento da produção agrícola, essencial para o agronegócio brasileiro, que responde por cerca de 25% do PIB. Projetos como a duplicação da BR-116 e melhorias nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) foram citados como prioritários. O Ministério dos Transportes lista essas obras como parte do Novo PAC, com previsão de investimentos de R$ 80 bilhões até 2026, financiados por recursos públicos e parcerias público-privadas (PPPs).

No entanto, a Revista Oeste questiona a execução real, apontando atrasos em obras prometidas, como a pavimentação da BR-319, e falta de transparência nos gastos. “O governo anuncia grandes números, mas muitas obras estão paradas por entraves burocráticos ou falta de planejamento”, afirma um editorial da revista. O Tribunal de Contas da União (TCU) relatou, em 2024, que apenas 60% das obras do PAC iniciadas desde 2023 estão dentro do cronograma, reforçando as críticas. Para o setor de agronegócio, a demora agrava gargalos logísticos, elevando custos de transporte em até 15%, segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

Ampliação em Belém para a COP 30

Em preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que será realizada em Belém (PA) em novembro deste ano, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento para a ampliação da Rua da Marinha, uma das principais vias da cidade. A obra, orçada em R$ 150 milhões, faz parte de um pacote de infraestrutura urbana que inclui a revitalização do Mercado São Brás, entregue em dezembro de 2024. Segundo o BNDES, os investimentos visam melhorar a mobilidade urbana e promover o desenvolvimento sustentável, beneficiando a população local e os visitantes da COP 30.

Importante destacar que o governo peca ao priorizar eventos internacionais em detrimento de necessidades regionais, como saneamento básico no interior do Pará. O foco na COP 30 pode ser mais uma estratégia para promover a imagem do governo Lula no cenário global, enquanto 40% dos moradores de Belém ainda carecem de saneamento, conforme dados do IBGE (2024). A Agência Brasil destaca que os projetos têm apoio de Itaipu Binacional e envolvem a comunidade local, mas a falta de detalhes sobre o impacto socioeconômico da obra levanta questões sobre sua relevância para além do evento.

Conexão Elétrica na Amazônia e Roraima

Lula anunciou a interligação de Parintins, Itacoatiara (AM) e Juruti (PA) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) via Linhão de Tucuruí, além da ordem de serviço para conectar Roraima ao sistema, com conclusão prevista para setembro de 2025. A obra, orçada em R$ 2,6 bilhões, substituirá termelétricas a diesel em Roraima, que consomem 45 milhões de litros de combustível por ano, reduzindo custos e emissões. O projeto, iniciado em 2011, integra o programa Luz para Todos, relançado em 2023 com R$ 5 bilhões para beneficiar 500 mil famílias até 2026.

A Revista Oeste reconhece o avanço, mas critica atrasos históricos, alegando que Roraima permanece isolada do SIN há mais de uma década devido à ineficiência de gestões anteriores, incluindo a atual. “O anúncio é positivo, mas parece mais propaganda do que entrega imediata”, diz a revista, destacando que a conclusão depende de superar desafios logísticos na Amazônia. O Ministério de Minas e Energia confirma o progresso, mas o TCU alerta para riscos de atrasos devido à complexidade das obras em áreas de floresta.

O governo Lula promove investimentos em transporte, infraestrutura urbana e energia como avanços para o desenvolvimento, mas a falta de transparência e atrasos históricos levantam dúvidas sobre sua eficácia. Enquanto fontes oficiais destacam os benefícios, os anúncios dessas obras parecem ter viés político. Para avaliar os resultados, é essencial acompanhar relatórios do TCU e do Ministério dos Transportes, garantindo que as promessas se traduzam em melhorias para a população.

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