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GRIPE AVIÁRIA EM FOCO

BRASIL ATUA COM RIGOR PARA CONTER VÍRUS EM GRANJA COMERCIAL

Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
20/05/2025 às 19h10
GRIPE AVIÁRIA EM FOCO

Em 15 de maio de 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial no Brasil, localizada em Montenegro, Rio Grande do Sul. O foco, identificado em um matrizeiro de aves, mobilizou ações rápidas do governo, que projeta o encerramento do caso em meados de junho, caso não haja novas detecções. Em entrevista coletiva, o ministro Carlos Fávaro detalhou as medidas sanitárias e reforçou a segurança do consumo de frango e ovos. Os fatos, apurados com base em dados oficiais, mostram um setor em alerta, mas com respostas técnicas sólidas.

Primeiro Registro em Granja Comercial

O caso em Montenegro marca o primeiro registro de gripe aviária em uma granja comercial no Brasil, após 19 anos de circulação global do vírus H5N1. A granja, vinculada à Vibra Foods, abrigava cerca de 17,000 aves, das quais a maioria morreu pela doença ou foi sacrificada. Cerca de 70,000 ovos foram descartados, e 30 milhões de ovos férteis rastreados estão sendo destruídos em estados como Paraná e Minas Gerais. A propriedade foi desinfectada até 20 de maio, e 310 das 538 propriedades rurais em um raio de 10 km já foram inspecionadas, com sete barreiras sanitárias instaladas no Rio Grande do Sul.

O ministro Fávaro destacou a robustez do sistema sanitário brasileiro, que postergou a entrada do vírus em granjas comerciais desde sua detecção em aves silvestres, em 2023. “A transparência e a eficiência das medidas nos credenciam a buscar a confiança dos parceiros comerciais”, afirmou. O Mapa investiga seis casos suspeitos, dois em granjas comerciais (Tocantins e Santa Catarina) e quatro em produções de subsistência, com três já descartados (Mato Grosso, Sergipe e Ceará).

Medidas Sanitárias e Prazo de Contenção

O Plano Nacional de Contingência foi acionado, com isolamento da granja, abate de aves, inutilização de ovos, e monitoramento rigoroso. O estado de emergência zoossanitária, decretado por 60 dias em 15 de maio, pode ser encerrado em 28 dias a partir de 20 de maio, caso não haja novos casos. Esse prazo, alinhado ao ciclo do vírus H5N1, permitiria ao Brasil se declarar livre da doença à OMSA em meados de junho, retomando o status sanitário.

Fávaro informou que os colaboradores da granja estão em quarentena e sob monitoramento, com risco de transmissão humana considerado baixo. “O consumo de carne de frango e ovos é seguro. A população pode manter sua rotina alimentar sem receios”, garantiu, respaldado por diretrizes da OMSA.

Impacto Econômico e Exportações

O Brasil, maior exportador mundial de frango, com 5.2 milhões de toneladas vendidas em 2024 (US$ 9.9 bilhões), enfrenta restrições de 20 países, incluindo China, União Europeia, México, e Argentina, com perdas estimadas em até US$ 200 milhões por 30 dias de embargo. Países como Japão, Reino Unido, e Arábia Saudita adotaram regionalização, limitando restrições ao Rio Grande do Sul ou ao raio de 10 km do foco. A China, principal comprador, suspendeu importações por 60 dias, mas negociações para regionalização estão em curso.

No mercado interno, que consome 70% da produção avícola, Fávaro prevê estabilidade nos preços, com variações pontuais de 10 a 15 dias devido ao excesso de oferta. “A experiência com a Doença de Newcastle mostra que os preços não caem significativamente”, afirmou. O ministro defendeu a criação de um fundo nacional, com recursos públicos e privados, para indenizar produtores, mas descartou a necessidade imediata de reforço orçamentário.

Desafios e Perspectivas

Os dados mostram um sistema sanitário preparado, com 2,500 investigações desde 2023 e apenas 5% das suspeitas confirmadas. Contudo, a suspensão de exportações por 20 países reforça a vulnerabilidade do setor a crises sanitárias. A regionalização das restrições, já acordada com alguns parceiros, é um passo para mitigar impactos, mas a retomada plena do comércio depende da ausência de novos casos.

O caso de Montenegro, aliado a um foco em aves silvestres no zoológico de Sapucaia do Sul, coloca o setor avícola em alerta.

Vamos continuar acompanhado ...

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