
“... Mulheres Pequenas...! ”
– Grandes Almas –
“Elas não gritam, não tomam espaço.
Chegam baixinho, como quem não quer nada -
E sem pedir licença, vão ficando.
Vão ficando no olhar, na lembrança, na vontade.
Pequenas no corpo, mas feitas de presença.
Feitas de alma que não cabe em metro e meio...! ”
(**)
Nestes dias outonais, onde o inverno ainda teima em se querer seu lugar, no Sul, em conversas com amigos queridos, surgiu o assunto “Mulheres Pequenas”. Sim, seres de pequena estatura, mas de grandes almas, corações gigantescos, sorrisos sempre abertos, como se isso fosse garantir uma supremacia entre os ditos “seres maiores”. Mas, apenas em tamanho. — Há quem chegue pequena no corpo, mas ocupe todo o espaço da memória de quem cruza seu caminho.
Tive e tenho centenas de amigas, principalmente, alunas, todas as mulheres pequenas. Sim, não ultrapassam um metro e setenta. Mas no resto são gigantes. Como se para equilibrar, entre o tamanho dos famosos manequins de mais de um metro e oitenta e cinco, elas tivessem uma força descomunalmente divina. — Há forças que não se gritam. Apenas se sentem quando elas entram e silenciam um ambiente inteiro com a sua presença.
Começando pelo sorriso. Uma mulher pequena está sempre sorrindo. Por mais desafios ou sofrimentos, ou sacrifícios ainda que possa enfrentar, ela sempre vai te receber sorrindo. Uma espécie de compensação. É como se seus corações fossem maiores, metaforicamente, assim se sobressaem a grande maioria. — O sorriso delas tem raiz. Vem de dentro, onde mora um tipo raro de coragem que não precisa de aplauso.
Meu pensador preferido tinha uma maneira peculiar de se referir a isso. Nietzsche afirmava: “... Máscaras. - Há mulheres que, por mais que as pesquisemos, não têm interior, são puras máscaras. É digno de pena o homem que se envolve com estes seres quase espectrais, inevitavelmente insatisfatórios, mais precisamente eles são capazes de despertar da maneira mais intensa o desejo do homem: ele procura a sua alma - e continua procurando para sempre...! ”
Mas parece que as Mulheres Pequenas contradizem isso. Questão de opinião? Não.
Vivência com muitas delas. Na amizade principalmente. No amor é onde elas mais se salientam. Tornam-se tão grandes que mesmo grandes homens (em estatura) se tornam diminutos. Mas não estão compensando nada não. Estão manifestando o que têm de grande, de divino, de essência. — Elas não se esforçam para parecer grandes. Apenas vivem com verdade — e isso basta.
O jargão de que “pequenos frascos contêm os melhores perfumes”, aplica-se não só metaforicamente como na prática a estes seres criados por Ele, para serem apreciados, admirados por poucos, com sensibilidade profunda, perspicácia que os tornam diferenciados dos que somente procuram o exterior. — Quem enxerga só a superfície nunca vai entender a grandeza que cabe num gesto pequeno, numa mulher pequena.
Surpreendem-se com o que encontram, interiormente, nestes pequenos grandes seres. O rei Roberto Carlos já fez uma música exclusiva para homenagear Mulher Pequena.
Tinha razão ele. Cientificamente, já foi confirmado que mulheres pequenas têm mais orgasmos que as demais. Mas estamos falando de Mulheres Pequenas somente por isso? Não. Seria machismo exacerbado. — O corpo responde, sim. Mas o que toca mesmo é a alma que elas sabem colocar no que fazem.
O que mais encanta mesmo é que elas sempre estão sorrindo. Como se desabrochassem a cada minuto para a vida, para os companheiros, para os amigos, para aqueles com quem convivem. Dizem que até a TPM é diferente em Mulher Pequena. Isso é possível? Sim. Confesso. É verdade. É como se elas não tivessem este “contratempo” fisiológico das demais. — Até a dor nelas tem outra linguagem. Não se trata de ausência de conflito, mas de presença de equilíbrio.
Assim tornam-se paixões fáceis para homens que aprenderam a valorizar que as pequenas coisas são de mais...
P.S. (**) Pensamento poético de autor, que prefere anonimato!
Entendimento & Compreensões
Leituras & Pensamentos da Madrugada
José Carlos Bortoloti- Passo Fundo – RS –
Colaborador da Revista No Ponto do Fato.